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15/08/2004 - 11h43
Brasil leva susto, mas vence a Austrália na estréia

Da Redação
Em São Paulo

A seleção brasileira masculina de vôlei levou um susto, mas conseguiu impor em quadra seu favoritismo para vencer a Austrália na estréia dos Jogos Olímpicos de Atenas. Em jogo válido pelo grupo B, o Brasil ganhou por 3 sets a 1, com parciais de 23-25, 25-19, 25-12 e 25-21.

Reuters 
O australiano Luke Campbell observa o ataque do brasileiro André Heller
Favorito ao título e invicto há um ano em competições oficiais, o Brasil encontrou muita dificuldade para vencer a modesta seleção australiana. Os brasileiros erraram bastante, principalmente no primeiro set. Já a Austrália, em grande atuação, complicou a vida brasileira graças ao bom desempenho no saque.

A partida deste domingo repetiu a abertura dos Jogos Olímpicos de Sydney. Mas em 2000 o Brasil teve mais facilidade, ganhando por 3 a 0. Nestes quatro anos, a seleção brasileira evoluiu muito, ganhando um Campeonato Mundial, uma Copa do Mundo e três títulos da Liga. Já a Austrália, dirigida pelo argentino Jon Uriarte, tem como melhor resultado o segundo lugar no Torneio Pré-Olímpico realizado em maio.

Tal diferença técnica entre os dois países aparece no ranking mundial divulgado pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Enquanto o Brasil lidera com 257 pontos, a Austrália aparece apenas na 20ª posição, com míseros 21,25 pontos.

O jogo
Apesar de enfrentar o favorito ao ouro na estréia, a a Austrália começou a partida bastante abusada. Forçando o saque, o time da Oceania saiu em vantagem no primeiro set. Com um ace, chegou a abrir três pontos de diferença (14 a 11).

O Brasil também ajudava a Austrália. Perdido em quadra, o time do técnico Bernardinho parecia confuso, principalmente na defesa. A seleção vivia de alguns espasmos, como o ataque de meio de André Heller que empatou a parcial (14 a 14). Entretanto, a reação brasileira parou por aí. Contando com a boa atuação de Brett Alderman, a Austrália conseguiu fechar o set em 25 a 23.

A segunda parcial começou com a mesma situação. A Austrália mais uma vez ficou na frente (9 a 7). Mas o Brasil finalmente se acertou. O saque e o bloqueio passaram a entrar e a seleção voltou a apresentar a eficiência que a levou a conquistar todos os títulos que disputou no último ano.

A Austrália ainda vendeu caro a derrota no segundo set, perdendo por 25 a 19. Na terceira parcial, entretanto, a equipe da Oceania não teve nenhuma chance. De maneira arrasadora, com o excelente serviço de Dante e André Heller, o Brasil aplicou 25 a 12 e ficou em vantagem na partida.

O quarto set foi mais equilibrado. A Austrália liderou até a metade da parcial (17 a 16). Mas um contra-ataque de Giba e um ataque de meio de André-Heller deram a segurança necessária para a seleção fechar em 25 a 21 e ganhar o jogo.

"A Austrália veio com a estratégia de sacar bem desde o começo e isso dificultou a recepção do Brasil. Mas a partir do segundo e terceiro sets o Brasil passou a sacar bem e a atacar melhor. Acho que foi nosso melhor jogo sacando em 2004", disse Bernardinho.

O Brasil volta a jogar na próxima terça-feira, contra a Itália. Os dois países se enfrentaram no mês passado, na final da Liga Mundial, e o Brasil ganhou por 3 a 1. Já a Austrália enfrenta a forte seleção da Rússia no mesmo dia.

"O Brasil vai ter que sacar contra a Itália como sacou hoje a partir do segundo tempo. Bloqueio e defesa terão que se posicionar de forma diferente", disse Bernardinho, que espera um adversário mordido pela derrota na final da Liga Mundial, no mês passado.

"Pelo que tenho ouvido, tenho certeza que eles vão querer a revanche e que a preparação deles foi focada no Brasil. Mas tenho dito a meus jogadores que a Itália será bem melhor que na final da Liga Mundial. Espero que o Brasil também", disse o treinador, descartando qualquer tipo de favoritismo.

"A Polônia meteu 3 a 0 da Sérvia, a Holanda ganhou de 3 a 2 da Russia. Qualauer jogo é de vida ou morte. Estes serão os Jogos mais equilibrados da historia para o vôlei masculino."

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