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16/08/2004 - 07h57
Australiana leva ouro na fossa olímpica; cega fica em 4º

Das agências internacionais
Em Atenas (Grécia)

A atiradora australiana Suzanne Balogh venceu nesta segunda-feira a modalidade da fossa olímpica, numa final em que uma atleta cega de um olho ficou em quarto lugar, a um ponto de conquistar medalha. A prata foi para a espanhola Maria Quintanal, e o bronze, para a sul-coreana Lee Bo-na.

AFP 
A australiana Suzanne Balogh,
que conquistou a medalha de ouro
As atiradoras tiveram grande dificuldade no torneio pois a direção do vento no centro de tiro Markopoulo, nas cercanias de Atenas, mudava a todo instante, e os pratos giravam ou caíam em direções imprevisíveis.

"Não atirei bem durante todo o ano, e estava esperando que tivéssemos um pouco de chuva e vento para tornar as condições a meu favor", disse Balogh após a vitória. A atleta de 31 anos declarou ter se inspirado a competir por um ex-técnico que uma lhe vez disse ser "muito velha e sem talento".

Balogh acertou 88 de um total de 100 tiros. Quintanal, 34 anos, ganhou a prata com 84 acertos, e Bo-na, 23 anos, ficou com o bronze com 83 pontos, apenas um a mais do que a quarta colocada, a colegial norte-americana Whitly Loper, de 17 anos e cega de um olho.

Na fase de classificação, Balogh acertou 66 de 75 tiros, e Quintanal, 65. A terceira colocada foi a alemã Susanne Kiermayer, com 62 acertos. A sul-coreana Bo-na, com 60 acertos, obteve a sexta e última vaga da fase inicial.

Na série decisiva de 25 tiros, Balogh acertou mais 22 pratos e consolidou a vitória, totalizando 88 pontos. Bo-na acertou 23 pratos e pulou para terceiro. A alemã Kiermayer, reclamando muito do vento, errou 8 dos 25 tiros e terminou a competição em quinto.

Funcionária da Defesa Agrícola na Austrália, Balogh ganhou a dupla fossa olímpica e ficou em terceiro na fossa olímpica na Copa do Mundo de 2001. No último campeonato mundial, em 2003, Balogh foi a quinta colocada, e Quintanal, a 14ª.

Sua vitória, definida com alguns tiros de antecedência, foi bastante comemorada pela grande torcida australiana, que já havia prestigiado a medalha de bronze obtida no domingo pelo ancanador australiano Adam Vella, também na fossa olímpica.

"A fossa requer habilidade, paciência, adrenalina e espírito", disse Balogh ao serquestionada sobre o sucesso australiano na modalidade. "Australianos têm espírito."

A espanhola Quintanal, como outras competidoras, reclamou do vento. "Estava ventando muito, e os alvos se moviam demais", disse.

Atiradora cega
Reuters 
Whitly Loper, durante a competição
de tiro nesta segunda-feira
A norte-americana Whitly Loper, que terminou a competição em quarto lugar, é destra. Porém, como nasceu cega do olho direito, treinou para conseguir atirar com a mão esquerda.

Na rodada final, acertou os 13 primeiros tiros e chegou a disputar a medalha de prata com Quintanal, mas depois errou 5 dos demais 12 tiros. Terminou a competição a um acerto de obter a medalha de bronze.

Loper tinha 5 anos de idade quando percebeu que era diferente das outras crianças, e exames mostraram que ela era cega de nascença. "Sabia que havia algo de errado comigo quando eu era uma criancinha e vivia trombando nas paredes", disse, em entrevista após a competição.

"Tive uma atadura sobre meu olho, mas não por muito tempo. Pensei: 'tudo bem, que seja'. Funcionou para mim. Não é um desastre."

A destra Loper aprendeu a atirar com a mão esquerda com seu pai, que é canhoto. Aos 8 anos, ela ganhou uma arma de brinquedo para atirar em frisbies lançados ao ar por seu pai.

"Não foi uma desvantagem para mim, mas também não foi vantanjoso", disse Loper, sobre enxergar com apenas um olho e competir em um esporte que demanda tanta coordenação motora e visual.

Quando acertou os 13 primeiros tiros da série final e, aos 17 anos de idade, beliscou a medalha de prata -aproveitando que as competidoras erravam demais com o vento forte-, Loper atraiu a atenção da torcida, que vibrava a cada tiro certo.

Na seqüência, errou 5 dos últimos 12 tiros e perdeu a medalha. "Minha cabeça estava ficando muito cansada, e muito da competição de tiro está na mente. Estava em terceiro a três tiros do fim e cometi o erro de olhar para o placar. Nunca faço isso, e mereci o que aconteceu".

Afável e com boas notas na escola, Loper disse que costuma ir caçar e pescar com seu pai e que, no último inverno (no Hemisfério Norte), matou pela primeira vez um veado.

"É uma grande parte da cultura sulista, o mundo ao ar livre", disse Loper, estudante do ensino médio em Indian Springs, no Alabama, um Estado na parte sul dos EUA.

Ela não tem certeza se continuará a competir depois de entrar na universidade, no ano que vem, mas sabe que continuará a caçar. Sua dificuldade é encontrar parceiros homens para ir caçar no campo, pois eles temem ser superados por ela. "É a coisa do ego masculino. Um monte de caras não quer sair para caçar comigo por causa disso."

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