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18/08/2004 - 08h43
Norte-americana leva "título" de 1ª mulher a competir em Olímpia

Das agências internacionais
Em Olímpia (Grécia)

A atleta norte-americana Kristin Heaston não conseguiu se classificar para a final do arremesso de peso. Mesmo assim, Heaston conquistou um título quase tão inesquecível quanto um ouro olímpico: nesta quarta-feira, Heaston tornou-se a primeira mulher a competir no local onde surgiram os Jogos Olímpicos, há quase 3 mil anos.

Observada por centenas de espectadores, que se acomodaram no gramado próximo ao campo de competição, Heaston abriu a fase de classificação da prova. Nos Jogos da Antigüidade, as mulheres não podiam competir e nem assistir às competições.

EFE 
Público senta no chão para ver prova do arremesso de peso; confira álbum de fotos
Com a volta das Olimpíadas às origens, o arremesso de peso é a única prova disputada no antigo santuário religioso de Olímpia, localizado a cerca de 320 quilômetros da capital Atenas.

Por estar fora do Estádio Olímpico de Atenas, o arremesso foi antecipado, para que os atletas possam participar de outras provas - como é o caso da brasileira Elisângela Adriano, eliminada na primeira rodada, mas que disputa ainda o arremesso de disco.

Eliminada como Elisângela, Heaston acredita que se concentrou mais no ambiente do que na competição em si. "Foi fantástico. Só queria ter conseguido ir um pouco melhor. Acho que deveria ter pensado mais no que fazer, ao invés de ficar lembrando de toda a história que tem esse lugar", afirmou a atleta, que é técnica da equipe de atletismo da Universidade de Stanford, nos EUA.

A série classificatória feminina foi a primeira competição a ser realizada no local desde o ano de 393 d.C., quando as Olimpíadas foram proibidas pelo imperador romano Teodósio I, que considerava as atividades como parte de um "evento pagão".

Doze arremessadoras avançaram para a final. O melhor arremesso da manhã foi da bielo-russa Nadezhda Ostapchuk, com 19,69 m. Depois das mulheres, o palco recebeu também a prova eliminatória dos homens, liderada pelo norte-americano Adam Nelson.

"É um privilégio poder competir aqui", disse Nelson. "Existe algo de especial sobre esse lugar. É uma lembrança de onde tudo começou", completou.

Os espectadores foram lembrados, por meio do sistema de som instalado no local, que eles estavam sentados no mesmo local onde os gregos da Antigüidade assistiam aos Jogos há cerca de 28 séculos. "Sentem em silêncio e sintam o poder místico deste local sagrado", anunciou.

Além da presença de câmeras de TV, telefones celulares, rádios e outros apetrechos tecnológicos, uma grande diferença marcou a volta dos Jogos a Olímpia: nas primeiras Olimpíadas, os atletas participavam das competições nus, assim como os espectadores.

"É bom competir vestido", disse o norte-americano John Godina. "Ninguém ia gostar de nos ver pelados", brincou o atleta. O australiano Justin Anlezark também não gostou da idéia de se apresentar sem roupas, mas disse que a competição poderia ter sido mais autêntica.

"Eles poderiam ter nos dado pedras para arremessarmos no lugar dos pesos", brincou o australiano.

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