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18/08/2004 - 17h17
Seleção feminina "imita" os homens e ganha da Itália por 3 a 2

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

Um dia depois da dramática vitória da seleção masculina de vôlei do Brasil sobre a Itália, as meninas do país repetiram a festa. Nesta quarta-feira, pela terceira rodada da primeira fase do torneio feminino nos Jogos Olímpicos de Atenas, a equipe comandada pelo técnico José Roberto Guimarães superou as italianas também por 3 sets a 2, com parciais de 19-25, 25-13, 22-25, 25-16 e 15-13, em uma hora e 35 minutos.

Reuters 
Valeskinha ataca na partida contra a Itália; veja álbum de fotos do dia no vôlei
Com este resultado, o Brasil lidera o grupo A do torneio, com três vitórias em três jogos. A seleção é a única invicta na competição e praticamente garantiu uma das vagas na segunda fase. A Itália divide a segunda colocação com a Coréia do Sul.

Atual campeã mundial, a Itália é freguesa do Brasil. Em 16 jogos entre as duas seleções, a equipe brasileira ganhou 13. Neste ano, as brasileiras conquistaram dois títulos sobre as rivais, ambos em solo italiano: o torneio amistoso Valle d'Aosta, em junho, e o Grand Prix, no começo de agosto.

O Brasil ainda tem duas partidas nesta primeira fase da Olimpíada. Na sexta-feira, a seleção enfrenta a Grécia, e no domingo, a Coréia do Sul.

"Foi um jogo complicado. A gente estava muito bem marcada e ainda começou sacando mal. Isso complicou bastante o jogo", disse Mari, um dos destaques do Brasil. "A chave para a vitória foi sacar melhor", completou, enquanto atendia pacientemente a dezenas de pedidos de autógrafos e fotos -inclusive de voluntários da Olimpíada.

O jogo
Depois de descansar as titulares na partida contra o Quênia, na segunda-feira, o técnico José Roberto Guimarães colocou em quadra as mesmas jogadoras que venceram o Japão na estréia (Walewska, Érika, Mari, Fernanda Venturini, Virna e Arlene). E a formação, campeã do Grand Prix, encontrou dificuldade no primeiro set.

Sob os olhos de um ginásio com menos da metade de sua capacidade preenchida -um terço da torcida era brasileira, o time de Zé Roberto equilibrou o jogo com a Itália até a metade da parcial. Mas o bloqueio italiano era eficiente, o que fazia com que praticamente todos os ataques da seleção resvalassem nos braços das italianas. Isso acabou provocando erros das brasileiras, que tentavam fugir do paredão rival.

As brasileiras também não encontravam resposta para os ataques da grandalhona rival, Togot. Um ataque de Virna para fora fez com que as italianas abrissem três pontos (19-16). A vantagem subiu mais ainda quando o bloqueio da Itália funcionou (22-17), e Zé Roberto mexeu na equipe, colocando em quadra Elisângela, Sassá e Fofão.

As mudanças não surtiram efeito, e a seleção acabou derrotada por 25-19 -justamente em um ataque de Togot. Na parcial, o Brasil não marcou nenhum ponto de bloqueio, e ainda teve cinco erros que resultaram em pontos para as italianas (contra um das adversárias).

No segundo set, entretanto, o Brasil voltou arrasador. Com Fernanda Venturini no saque, e uma rede alta (Virna, Walewska e Mari), a equipe abriu 6-0 de vantagem. A Itália esboçou uma melhora e tentou reagir, mas em outra passagem de Fernanda Venturini, o Brasil abriu nove pontos (16 a 7). A partir daí, as italianas desaminamaram, e o Brasil soube fechou com facilidade, em 25-13.

Só de bloqueio foram sete pontos. Outros sete aconteceram em erros da Itália, num panorama bem diferente do primeiro set.

No terceiro set, a Itália voltou a jogar bem. As duas seleções se alternaram na liderança do marcador, sem conseguir abrir grande vantagem. Mas dois erros brasileiros, com Mari e Walewska, e um bloqueio no ataque de Virna fizeram com que as italianas abrissem três pontos (20-17), vantagem que o Brasil não conseguiu tirar.

O quarto set também começou equilibrado. A partir do sexto ponto, entretanto, o Brasil controlou a partida. A seleção acertou o saque -principalmente com Mari- e, a exemplo do que havia acontecido no segundo set, abriu grande vantagem: 20 a 10. O set acabou com a vitória brasileira por 25-16. A decisão foi para o tie-breaker e decisão no tie-break.

O Brasil começou melhor no quinto set. A equipe marcou três dos primeiros quatro pontos em bolas de meio, com Walewska e Valeskinha colocando a seleção em vantagem (4-2).

A Itália virou com ataque de Del Core e chegou a abrir dois pontos de vantagem (7-5). O técnico José Roberto Guimarães pediu calma à equipe, e foi atendido. O Brasil marcou quatro pontos seguidos (9-7) e conseguiu um respiro na parcial.

Assim, a seleção apenas administrou a vantagem para fechar o tie-break em 15-13 e garantir a terceira vitória na Olimpíada.

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