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19/08/2004 - 03h07
Ex-classe média, família Phelps vive conto de fadas na Grécia
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia)
 | | | Hilary (esq.) e Whitney já nadaram e ainda tratam Michael como moleque | Debbie Phelps era uma professora de segundo grau. Fred fazia parte da guarda montada de Maryland, nos EUA. Tinham uma vida confortável, mas não podiam arcar com muitos luxos. Posses? Uma casa de campo próxima à cidade em que moravam. O divórcio, em 1993, não melhorou a situação de ambos. Há 15 meses, Fred e Debbie tiveram uma briga que se tornou pública. Motivo? Dinheiro. Agora, têm um filho que é uma das estrelas da Olimpíada. E, claro, muitos cifrões para gastar. Na última segunda-feira, uma das marcas patrocinadoras de Michael Phelps promoveu um evento para que a imprensa internacional pudesse conhecer as pessoas responsáveis pelo nascimento do maior fenômeno das águas -e, mais ainda, do marketing- desta Olimpíada. Fecharam um pedaço da praia de Kalimaki, na região de Glifadas, no sul de Atenas. Churrasco, drinques exóticos, garçons uniformizados, pompa à beira do Mar Mediterrâneo.
Para quem antes de chegar a Atenas trouxe filhas, irmãs, parentes e amigos para uma turnê de uma semana por seis ilhas gregas, não parece ser nada demais. Muito menos para quem tem um filho que acertou um contrato de patrocínio com uma multinacional de cartões de crédito até 2009, em valor estimado em mais de US$ 5 milhões. Para não mencionar os outros quatro apoiadores de peso.
| DONA PHELPS |  | Debbie Phelps, professora
"Seria um desperdício imperdoável ele não desenvolver esse talento" | |
"Quando o vi na capa das revistas, foi um sonho que se tornou realidade. Foi difícil de acreditar. A partir daí, foi tudo muito rápido. Não poderia esperar que estaria aqui, adorando a Grécia, assistindo a uma cerimônia de abertura tão bonita e vendo meu filho ganhar medalhas", disse Debbie Phelps ao UOL antes de um batalhão de câmeras das principais redes de TV dos EUA mudarem a conversa.
Um repórter americano perguntou a Debbie se ela não julga que as responsabilidades de ídolo do esporte não prejudicam a adolescência de seu filho -Michael tem 18 anos. "Não acho que ele faz sacrifícios pela natação. É só um estilo de vida diferente. Mas ele gosta tanto de nadar que isso é natural. E seria um desperdício imperdoável ele não desenvolver esse talento que tem", afirma a mãe, corroborando a fama de maníaco por treinos do filho, que nada todos os dias -até no Natal.
| O PEQUENO MICHAEL | | - tem as argolas olímpicas tatuadas no quadril;
- aos sete anos, tinha medo de colocar a cara na água. Por isso, seus instrutores o ensinaram primeiro a boiar e a nadar costas;
- criança hiperativa, o americano foi expulso de aulas e suspenso da escola repetidas vezes;
- gosta de dormir abraçado com Savannah, uma gata;
- adora lasanha e pretzels;
- escuta rap (DMX e Eminem);
- curte o filme Austin Powers |
E para a família, além dos cifrões, como é conviver com esse assédio? "Eu adoro conversar com vocês", diz. "Para mim é um orgulho muito grande". Hilary, irmã mais velha de Phelps -tem 26 anos hoje-, também gosta de ser assediada. "É muito surreal o que aconteceu conosco em tão pouco tempo. Mas, no fundo, para nós é uma grande diversão". Não é para menos. A produção de um ídolo da natação foi um plano de família. Que falhou duas vezes, mas rendeu frutos na terceira.
Quando Hilary, 26, a irmã mais velha de Michael, tinha dez anos, a família mudou-se para que ela pudesse nadar e treinar em um centro de alto rendimento. Fred acordava a garota todos os dias às 4h30 sua rotina ter início. Após conquistar várias medalhas em campeonatos colegiais, Hilary parou de progredir.
Mais tarde, a outra irmã de Phelps, Whitney, 24, também foi obrigada a entrar na rotina de treinos. E mostrou um pouco mais de talento: em 1994, foi campeã nacional dos 200 m borboleta. Em 1996, Whitney disputou as seletivas olímpicas norte-americanas. Não teve sucesso e, com problemas de hérnia de disco, largou a natação.
 | | | O "moleque" bateu nesta quarta o recorde olímpico dos 200 m medley | Hoje, nenhuma das duas gosta de falar de natação com o irmão. "O que vou falar com ele sobre natação? Vejo Michael como meu irmãozinho, que eu ajudava a colocar no ônibus da escola, para quem eu fazia o café-da-manhã. Só sinto muito orgulho dele, mas para mim ele não mudou nada depois que virou famoso", diz Whitney. "Hoje ajudamos estando a seu lado nos momentos bons e ruins".
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