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20/08/2004 - 11h04
Marchador comemora melhor colocação do Brasil em Olimpíadas
Leopoldo Godoy Em São Paulo
O brasileiro José Alessandro Bagio não pode comemorar como gostaria seu resultado na prova de 20 km de marcha atlética, que abriu oficialmente as competições de atletismo nas Olimpíadas de Atenas-2004.
Depois de ficar em 14º na prova, vencida pelo italiano Ivano Brugnetti, Bagio foi para Vila Olímpica, almoçou e foi tentar descansar. Festejar a melhor colocação obtida pelo Brasil na prova na história das Olimpíadas, nem pensar: ele estava com o corpo todo dolorido, com cólicas e cãimbras até então desconhecidas pelo marchador.
"Nunca sofri tanto assim na minha vida", contou Bagio em entrevista ao UOL. "Foi uma prova muito dura. Estava muito calor, com o ar seco, e o asfalto quente desgasta muito o marchador. Estou muito cansado", disse.
O sofrimento, no entanto, não foi apenas de Bagio. O recordista mundial Jefferson Perez, do Equador, terminou a prova na quarta colocação e, segundo o brasileiro, ficou próximo de um colapso na linha de chegada. "Fui conversar com ele (Perez) depois da prova e ele me disse que vomitou muito na chegada. Ele ficava repetindo, com aquele jeitão dele, 'no más, no más'", contou Bagio.
Ao contrário do brasileiro, o equatoriano Perez, atual campeão mundial da marcha, ficou muito decepcionado com seu rendimento na prova. "Foi uma surpresa a vitória do italiano. Todo mundo estava esperando o Perez ou o (espanhol) Francisco Javier Fernandez ficarem com o ouro. Mas aí o Brugnetti surgiu, quando ninguém mais lembrava dele, e ganhou a prova".
Em maio deste ano, Bagio competiu com Brugnetti na Itália, e viu um competidor com estilo muito diferente do vencedor da prova desta sexta-feira. "Quando marchei com ele, ficamos juntos por um bom tempo e só depois ele disparou para vencer. Aqui, não. Todo mundo que chegava para tentar acompanhá-lo na ponta, ele dava canseira e continuava soberano na ponta", disse.
Apesar do sofrimento, Bagio disse ter ficado muito satisfeito com seu rendimento. Com o 14º lugar, Bagio passa a deter a melhor classificação olímpica do Brasil na prova. Antes, a marca era de Sérgio Galdino, 26º em Atlanta-1996.
"É claro que o Brasil não vai reconhecer, porque só se pensa no primeiro lugar. Mas já é um começo. Em minha primeira Olimpíada, tinha o objetivo de ficar entre os vinte primeiros. Consegui."
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