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21/08/2004 - 17h33
Com Baloubet, Pessoa lidera Brasil na tentativa de terceira medalha

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

AFP 
Com Baloubet de Rouet, Rodrigo Pessoa esteve na Copa do Mundo deste ano
Com o cavalo Baloubet du Rouet, que em Sydney-2000 recusou-se a saltar um obstáculo e pulverizou qualquer chance de obtenção de prêmio no individual, o cavaleiro Rodrigo Pessoa tentará em Atenas dois feitos: liderar o país à terceira medalha consecutiva na prova de saltos por equipe e, depois, obter no individual o pódio que deixou escapar na Olimpíada passada.

"São coisas que acontecem", diz Rodrigo Pessoa sobre o refugo do cavalo em Sydney-2000. "Não posso deixar que o que aconteceu há quatro anos me atrapalhe aqui. O Baloubet ganhou muita coisa antes e depois de Sydney, saltou muito bem nos últimos preparatórios neste ano, mas, infelizmente, ficou muito mais famoso por seus erros que pelos seus acertos", avalia.

A confiança no cavalo é tanta que Pessoa afirma só se contentar com ouro. "Venho para ganhar. Com segundo lugar, ficarei um pouquinho triste. Quero ser o primeiro colocado", diz.

Baloubet, que agora tem os 15 anos considerados ideais para um cavalo, recebeu elogios dos outros integrantes da equipe brasileira. "Rodrigo tem as mesmas chances de Sydney. O cavalo dele está perfeito, e ele está com muito mais bagagem", diz Álvaro Miranda, o Doda. Para Nelson Pessoa, pai de Rodrigo e técnico da seleção, Baloubet tem mais experiência agora. "É um cavalo maduro que não se assusta com qualquer coisa. Ainda coloco muita fé nele".

Antônio Gaudério/Folha Imagem 
Doda é mais conhecido pelo namoro do que pelo esporte, mas tem bom currículo
Rodrigo Pessoa, desta vez, chega menos cotado do que na Olimpíada anterior. Em Sydney-2000, o brasileiro, nascido na França e habitante da Bélgica, havia conquistado o título de três Copas do Mundo (98, 99 e 2000). De lá para cá, manteve-se entre os melhores, mas não obteve nenhum título da mesma importância.

Para o cavaleiro, a importância da Olimpíada supera a de qualquer outra competição, mesmo as de tamanho comparável. "Em um concurso, se erramos, temos uma prova na outra semana. Aqui, não dá, outra chance, só em quatro anos", justifica.

Neste domingo, será disputada a primeira classificatória do individual. No segundo dia de disputas, ocorre a prova por equipes -os quatro cavaleiros de cada país saltam, e os três melhores resultados somados indicam os vencedores de medalha -sem interferência dos desempenhos do primeiro dia. Os 25 melhores conjuntos -na soma do primeiro e do segundo dias- classificam-se para a final individual. Na decisão, os resultados anteriores são apagados -apenas o desempenho nas três séries da decisão serão considerados.

O Brasil também será representado por Doda -que participou da conquista das medalhas de bronze em Atlanta-1996 e Sydney-2000- e pelos estreantes Bernardo Resende e Luciana Diniz. "Nossa equipe é tão boa quanto as melhores do mundo, tanto quanto Alemanha, Bélgica e EUA", afirma o chefe da delegação brasileira de saltos, Luiz Rocco.

COB/Divulgação 
Luciana Diniz, Doda, Rodrigo Pessoa e Bernardo Resende compõem a equipe
Nelson Pessoa concorda com a análise. "Tenho certeza de que chegamos a Atenas com uma equipe com, no mínimo, o mesmo peso de outros anos. Esperamos aqui reeditar a medalha". Para Doda, o Brasil é forte candidato ao bronze, mas sonhar com outras medalhas seria "desonestidade" com o público. "Há equipes melhores que a nossa, mas chegamos muito fortes para brigar pelo bronze. Se estivermos em um dia muito bom e nossos adversários não forem tão bem, aí talvez possamos beliscar algo maior".

Em Atenas, Doda competirá com o cavalo "Countdown" -o mais novo de toda a Olimpíada, com oito anos. "É um cavalo muito jovem, mas que tem dado sinais de muita maturidade", diz o namorado da neta do bilionário grego Aristóteles Onassis, Athina. Doda conta que poupou o cavalo nos últimos meses para que esteja no ápice na Olimpíada -usou outros cavalos para disputar concursos, única forma de ganhar dinheiro no circuito do hipismo. E usa uma analogia para explicar a opção: "cavalo novo é como criança, você não pode deixá-lo enjoado de brincar".

Bernardo Resende, que, assim como Pessoa e Doda, mora na Bélgica, afirma que o fato de ser sua primeira Olimpíada não vai atrapalhá-lo. "No hipismo, você tem de aprender a ser calmo, a lidar com as situações. Por isso, apesar de estar sentindo uma emoção muito grande, tenham certeza de que, no dia, vou estar muito bem".

Luciana Diniz, a última a ser selecionada por Nelson Pessoa para compor a equipe olímpica, também diz estar confiante. "Participar da Olimpíada é um sonho. E espero não sentir a falta de experiência porque estou na melhor fase de minha carreira. Sei que se fizer o que tenho feito, vai ser muito bom".

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