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22/08/2004 - 00h01
Phelps faz história, mas volta para casa sem igualar Spitz

Por Guilherme Roseguini e Roberto Dias
Enviados especiais
Da Agência Folha
Em Atenas (Grécia)

Nunca houve um nadador tão versátil. Ninguém teve tanto fôlego para alcançar oito medalhas nas piscinas. Nenhum outro astro da modalidade subiu tantas vezes ao pódio em eventos individuais.

AFP 
Michael Phelps deixa Atenas com seis medalhas de ouro e duas de bronzes
A trajetória que Michael Phelps construiu em Atenas representaria uma consagração, não fosse uma aposta que o norte-americano propalou antes dos Jogos. Agora, com seis ouros e dois bronzes no peito, ele volta para casa com a pecha de fracassado.

A razão? Não igualou os sete ouros que Mark Spitz registrou na Olimpíada de Munique-1972.

Sua coleção foi completada neste sábado. E sem cair na piscina. Os EUA venceram o revezamento 4 x 100 m medley com dois recordes mundiais -Aaron Peirsol fez 53s45 nos 100 m costas e a equipe marcou 3min30s68. Phelps não nadou a final. Como havia representado o país nas eliminatórias, também recebeu a medalha.

A performance é única na história. Ele conquistou cinco medalhas sem ajuda dos colegas -Spitz levou quatro pódios individuais- e se igualou ao ginasta russo Alexander Dityatin como o mais premiado numa Olimpíada.

Em 1972, os revezamentos dos EUA eram imbatíveis. Em Atenas, a África do Sul levou o 4 x 100 m livre. Grosso modo, Phelps não podia contar com os companheiros como seu antecessor.

Além disso, Spitz realizou seu garimpo nadando apenas dois estilos da natação -borboleta e crawl. O norte-americano de 19 anos competiu nos quatro.

Em Atenas, Phelps levou ouro nos 100 m borboleta, nos 200 m e 400 m medley, nos 200 m borboleta, no 4 x 200 m livre e no 4 x 100 m medley. Ficou com o bronze no 4 x 100 m livre e os 200 m livre.

"Só de tentar alcançar um mito como ele já me sinto honrado. Foi uma competição boa demais."

O conselho mais enfático que recebeu na competição veio de Ian Thorpe, que o bateu nos 200 m livre. "O Phelps é muito, muito bom. Mas ninguém pode alcançar Spitz", disse o Thorpedo.

A conclusão é óbvia: Phelps certamente é o mais talentoso e versátil atleta da história da natação. Mas, nos livros de história, sempre vai existir o homem que uma vez ganhou sete ouros.

Um mito ajudado também pelas circunstâncias históricas: Spitz era um judeu que estava para entrar na Vila Olímpica quando um grupo de terroristas palestinos invadiu o local para seqüestrar israelenses e protagonizar a maior tragédia da história dos Jogos, que deixou um rastro de 11 mortos.

"É algo que eu nunca havia experimentado. Todo artigo de jornal trazia escrito 'sete medalhas de ouro' e 'Mark Spitz'. Eu ainda sou um cara normal de 19 anos depois disso. Mas as coisas mudaram, acho que eu mudei. Há muita coisa passando pela minha cabeça", afirmou.


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