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23/08/2004 - 00h01
Sucesso da China em Atenas retrata ascensão econômica

Da Redação
Em São Paulo

Reuters 
O atleta Teng Haibin, medalhista de ouro no cavalo com alças, é uma das novas estrelas do esporte olímpico chinês
O quadro de medalhas de Olimpíada não passa de um gráfico econômico. Ele traduz em medalhas o que tabulações financeiras dizem em cifras e porcentagens. Por isso, a presença da China no topo após uma semana de Olimpíada é facilmente explicável.

Com sua economia crescendo a 10% ao ano, os chineses estão dando canseira nos EUA, que ganharam com folga as duas últimas Olimpíadas. Os norte-americanos devem ultrapassá-los com o decorrer das provas de atletismo e conseguir o tri-olímpico, mas não conseguem apagar a ascensão chinesa.

Então, não seria arriscado dizer que a próxima Olimpíada, Pequim-2008, será da China. Claro que há o investimento nos esportes, anterior a confirmação como sede. Mas a lógica econômica persegue o quadro de medalhas desde Atenas-1896, os primeiros Jogos.

Os EUA e as potências européias brigaram pelo topo olímpico até a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que devastou o continente e o esporte da Europa.

A superpotência das Américas reinou nas duas Olimpíadas do pós-guerra (Londres-1948 e Helsinque-1952). Mas em Melbourne-1956 surgiria a superpotência rival, a URSS, para destronar os EUA. A Guerra Fria encontrou nas Olimpíadas uma miniatura do que acontecia no geral.

Os EUA venceram Tóquio-1964 e México-1968, mas foram batidos em Munique-1972 e Montreal-1976.

Veio a era dos boicotes (Moscou-1980 e Los Angeles-1984), e a já URSS, se desmantelando economicamente, mas ainda forte tecnicamente, ainda venceria em Seul-1988 e Barcelona-1992 (como CEI, Comunidade dos Estados Independentes).

Os EUA passearam por Atlanta-1996 e Sydney-2000, com a Rússia em uma escolta distante. Mas, vinda de trás, a China despontava. De 11ª em Seul, a China pulou para 4ª em Barcelona e Atlanta. Em Sydney, acabou em terceira, encostada na Rússia (32 contra 28 ouros).

Reuters 
Enrolada na bandeira, a chinesa Zhang Ning comemora seu ouro no badminton
Por outro lado, a Rússia vai cada vez mais adotando uma proporção olímpica de país europeu, brigando com Alemanha, França, Itália e outra ex-república soviética, a Ucrânia.

Do eixo atlântico que existia até a pouco tempo, seja na briga EUA-Europa ou EUA-URSS, a Olimpíada está migrando para o Oceano Pacífico, compartido pelos EUA, China, mas também Japão, Austrália e Coréia do Sul, potências ascendentes.

O Japão é o outro da ascensão asiática. Já soma 13 ouros, mais do que ganhou nos três últimos Jogos somados. Reinou no judô, oito ouros. Mas brilhou também nas piscinas, mais três ouros. Já a China espalhou seus feitos: reinou no tênis de mesa, tiro, levantamennto e badminton, mas ganhou ouro também nos saltos ornamentais, tênis, ginástica artística, natação e judô.

Já os EUA concentraram seus feitos na natação, 11 ouros, e devem repetir a receita no atletismo, que sempre garante o sprint final dos norte-americanos. Mas a receita chinesa de espalhar as apostas pode desbancar os norte-americanos.

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