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23/08/2004 - 11h12
Iraque não é livre, diz técnico sobre campanha de Bush

Das agências internacionais
Em Tessalônica (Grécia)

O técnico da seleção iraquiana de futebol, Adnan Hamad, disse nesta segunda-feira que seu time não deve ser usado como um símbolo de liberdade -como ocorreu em um comercial de campanha do presidente dos EUA, George W. Bush, que tentará a reeleição em novembro.

Na peça publicitária exibida na TV americana, as bandeiras de Iraque e Afeganistão aparecem na parte de baixo da tela com cenas de esportes olímpicos ao fundo -os jogadores iraquianos não aparecem-, e um narrador diz: "Nesta Olimpíada, haverá duas novas nações livres... e dois regimes terroristas a menos".

Mas o técnico Hamad acredita que o Iraque, com conflitos diários, é ainda um país sob ocupação. "Você não pode que a [minha] equipe representa a liberdade. Não temos liberdade no Iraque. Temos uma força de ocupação. Este é um [de nossos] períodos mais tristes."

Segundo o técnico, "liberdade é só uma palavra para a mídia". "Vivemos tempos difíceis, sob ocupação", disse.

A seleção iraquiana é a surpresa da Olimpíada. Chegou à semifinal e disputa na terça-feira com o Paraguai uma vaga na final.

Porém, o sucesso esportivo tem sido eclipsado nos últimos dias por críticas ao comercial de Bush, que invadiu o Iraque em março do ano passado e tirou o ditador Saddam Hussein do poder.

Apesar de os norte-americanos terem devolvido oficialmente o poder aos iraquinos neste ano -um governo interino foi montado até a realização de eleições-, mais de 130 mil soldados dos EUA permancem no país, travando batalhas diárias contra insurgentes de várias facções. Além disso, dirigentes ocidentais permanecem no comando de altos cargo no governo.

"Queremos dar a nosso povo uma causa para comemorar, para esquecer os problemas", disse Hamad a repórteres em Tessalônica (norte da Grécia), onde será disputada a partida de terça-feira.

Depois que, na semana passada, a revista Sports Illustrated publicou em seu website declarações de jogadores iraquianos e do técnico expressando duras críticas ao comercial de Bush, um assessor britânico do Comitê Olímpico Iraquiano acusou jornalistas de tentar se aproveitar da ingenuidade dos jogadores e disse que o esporte não deve ser politizado.

Mas Hamad disse: "Não dá para separar política de esporte com a situação atual do país".

Ele afirmou que a violência, que continua a afligir o Iraque, implica que o time não poderá aproveitar totalmente seu sucesso.

"Sinceramente, mesmo a nossa felicidade ao vencer [os jogos] não é uma felicidade porque estamos preocupados com os problemas do Iraque, todos os problemas que nosso povo enfrenta diariamente. Então, para dizer a verdade, não estamos realmente felizes."

O COI (Comitê Olímpico Internacional) disse que não entrou em contato com o comitê de campanha de Bush para conversar sobre o uso da imagem do Iraque. Comitês olímpicos nacionais detêm os direitos sobre o nome Olimpíada e seus símbolos em seus respectivos países, informou o COI.


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