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23/08/2004 - 00h01
Vitória de Scheidt nasceu após acordo com nativo
Por Guilherme Roseguini e Roberto Dias Enviados especiais Da Agência Folha Em Atenas (Grécia)
No passado, um desprestigiado rival. Hoje, peça fundamental na conquista do ouro. A relação do grego Thanasis Piniaris com Robert Scheidt ficou estreita em 2004, mais precisamente durante 10 dias no mês de julho. Em sua pré-temporada na Grécia, o brasileiro elegeu um ex-adversário como principal informante sobre o instável clima do país que abriga os Jogos.
"Foi um ótimo período. Ensinei ao Scheidt macetes do nosso mar e principalmente sobre o vento, que muda de direção a qualquer momento. Em troca, minha equipe pôde acompanhá-lo", conta Piniaris à Folha de S.Paulo.
Atualmente, ele comanda a seleção de seu país e diz que "também se sente como um medalhista" ao ver Scheidt com o ouro. Pouco mais de dez anos atrás, porém, duelava com o brasileiro por títulos e medalhas.
"Eu assisti ao surgimento de Robert na laser. Notei que ele tinha talento já em 1993, quando chegou em terceiro lugar na Nova Zelândia. Eu, que já era um velejador experiente, fiquei apenas em 45º."
Piniaris e Scheidt chegaram a um acordo sobre o treino em conjunto no Mundial de Bodrum (TUR), neste ano. Pouco depois de arrematar seu sétimo título no evento, o brasileiro fez a proposta.
"Ele queria saber se poderia passar de dez a 15 dias treinando no local da Olimpíada. Aceitei. Nós filmávamos tudo e íamos para a minha casa para assistir."
Scheidt tratou também de acertar os detalhes logísticos. Na casa de Piniaris, deixou a bicicleta que depois usou nos Jogos. Pedalar nas manhãs que antecedem as regatas, na Vila ou na cidade, é uma parte de seu ritual pré-competição.
Além disso, o treinador tratou de ensinar algumas palavras do idioma local. 'Ele demorou para aprender, mas hoje, se disser 'bom dia' para um grego, ninguém vai perceber que é estrangeiro."
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