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26/08/2004 - 08h57
Emanuel agora quer churrasco e kart; Ricardo, "pelada" com amigos
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia)
Ricardo e Emanuel, campeões olímpicos do vôlei de praia, voltam ao Brasil ainda nesta quinta-feira com um desejo em comum: comemorar com torcedores e familiares, "sentir o que significa ser campeão olímpico", nas palavras de Emanuel. Depois, festejarão de maneiras diferentes: Emanuel quer ir a uma churrascaria e ao clássico Atlético-PR e Curitiba, no domingo. Já Ricardo pretende lembrar suas origens, em Salvador, jogando vôlei na praia.
 | | | Depois de 100 dias na Europa para a conquista do ouro, dupla quer descanso | "Sou fominha, adoro participar de jogos de brincadeira com amigos em João Pessoa. Quero ir a Salvador e, com outros amigos mais antigos, lembrar minhas origens, minha trajetória. Apesar de o vôlei de praia ser minha profissão, gosto muito de jogar só de brincadeira, para descontrair", afirmou Ricardo, que sente saudades de uma feijoada -a dupla passou 100 dias na Europa se preparando para a Olimpíada.
Já Emanuel, após o estágio europeu, quer férias do vôlei. "Jogo tanto vôlei que quando estou de folga, não quero saber disso, não. Vou andar de kart, tentar ir ao jogo de futebol e fazer festa com meus amigos. Até porque, se entro na quadra, não gosto de perder. Vou querer ganhar. E, agora que sou campeão olímpico, vão ficar loucos para ganhar de mim e tirar sarro. Prefiro ficar de fora", disse o campeão, ansioso para ir a uma churrascaria.
"Em lugar nenhum do mundo há churrascarias como no Brasil. E olha que a gente tem viajado bastante. É uma das primeiras coisas que vou fazer quando voltar".
Após a chegada ao Rio de Janeiro, a dupla viaja para João Pessoa, local onde montaram a base de treinamentos e se prepararam para a Olimpíada antes do estágio europeu. Depois, Emanuel segue para Curitiba. Já Ricardo deve ir para Salvador, onde está sua família.
A expectativa de desfilar em um caminhão de bombeiros, a exemplo do outro medalhista de ouro brasileiro em Atenas, Robert Scheidt, anima os campeões. Ambos mostraram-se ansiosos pelo assédio dos fãs, pelo reconhecimento da torcida.
"Ser campeão olímpico não é para qualquer um. Agora, sou um vitorioso, posso falar para os quatro cantos do mundo que sou um ganhador", disse Emanuel. "Mas as pessoas do Brasil vão me dar a noção exata do que representa esse título. Da mesma forma que dividi minha alegria com a comissão técnica, quero reparti-la com os brasileiros", afirmou Emanuel.
"Ainda estou meio zonzo. Acho que quando voltar ao Brasil é que vou saber o que é ser campeão. O povo nos recebendo, fazendo festa para a gente é o que vai valorizar nossa medalha", disse Ricardo, apontado por jornais gregos como o grande diferencial da decisão contra os espanhóis.
"Vibrei muito quando o vôlei de quadra conquistou o título olímpico em 1992. Agora quero poder vivenciar esse outro lado, de ser o campeão e ser festejado. Quero vibrar muito com meus amigos, esticar ao máximo esse momento, aproveitar tudo o que puder".
Após a conquista do ouro, ontem à noite (no horário de Atenas), a dupla cumpriu o ritual obrigatório para medalhistas olímpicos: cerimônia de premiação, antidoping, entrevistas e, claro, atender ao telefone. O dia terminou em um jantar com a cúpula da Confederação Brasileira de Vôlei.
"Não consegui falar com meus pais ainda. Liguei a noite inteira, só dava ocupado. Acho que receberam mais ligações do que eu. E isso me enche de satisfação", disse Emanuel, sorridente.
Antes de dormir, a dupla ainda conversou por cerca de meia hora, comentando detalhes da partida decisiva.
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