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27/08/2004 - 20h39
Atenas-2004 bate recorde histórico de casos de dopados

Das agências internacionais
Em Atenas (Grécia)

Pouco conhecida, a bielo-russa Yuliya Nesterenko venceu os 100 m. Pela primeira vez em sua vida, correu a prova abaixo dos 11s. E repetiu o feito quatro vezes em Atenas-04 para chegar ao ouro.

Nas entrevistas após a prova, esgrimiu as perguntas sobre doping dizendo que treinou muito duro. É assim com todos os atletas, tamanha é a onda de casos de doping em Atenas-04. Os atletas são culpados até prova (laboratorial) em contrário.

O recorde histórico de 20 casos em Atenas foi atingido com o teste positivo do corredor russo Anton Galkin nesta sexta-feira.

E mais expulsões do Olimpo são esperadas neste fim-de-semana, como a de um húngaro que levou prata no levantamento de peso.

Isso acontece mesmo com as dezenas de atletas suspeitos e pegos com doping não estarem nessas Olimpíadas. O mais célebre é Tim Montgomery, recordista mundial dos 100 m rasos e decretado o "homem mais rápido do mundo".

Ele apareceu em uma lista de clientes da empresa Balco, que comercializava substâncias proibidas pelo COI (Comitê Olímpico Internacional).

Em meio a uma grande polêmica, Montgomery deu vexame nas seletivas dos EUA -nunca se vai saber se a falta da droga brecou o atleta ou ele fez um cai-cai para evitar um escândalo maior durante os Jogos.

Outro caso estranho foi o dos gregos Kostas Kenteris and Katerina Thanou (ouro e prata em Sydney, respectivamente), que simularam um acidente de moto para fugir de um teste antidoping e acabaram fora da competição.

O COI se vangloria dessa marca, afinal, diz que nunca o controle dos atletas teve essa "tolerância zero" mostrada na Grécia. "Se não pegarmos os dopados agora, vamos pegá-los depois. Não tem escapatória", afirma Dick Pound, chefe da Wada, a agência mundial antidoping.

Até agora, foram 11 levantadores de peso, um boxeador queniano, uma arremessadora russa, um arremessador do Uzbequistão, um saltador de Belarus, um lançador de disco da Hungria e um remador da Ucrânia, entre outros.

"Cada teste positivo é uma benção para nós. É prova que estamos eliminando as drogas do esporte", diz Jacques Rogge, atual presidente do COI.

Em Sydney-00, houve 11 teste positivos, contra dois em Atlanta-96, cinco em Barcelona-92 e 12 em Los Angeles-84. Já em Seul-88, aconteceu o caso mais célebre, o de Ben Johnson nos 100 m rasos -depois descobriu-se que quase todos os competidores da final estavam turbinados na "prova mais suja da história olímpica", como ficou conhecida.



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