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27/08/2004 - 06h04
"Marta é uma das melhores que já vi jogar", diz Mia Hamm

Da Redação
Em São Paulo

O Brasil perdeu de forma "injusta" a final olímpica para os Estados Unidos e tem boas chances de se tornar a próxima força do futebol feminino, de acordo com declarações de jogadoras norte-americanas e análises publicadas nesta sexta-feira em sites de jornais dos EUA.

Reuters 
Com o ouro em Atenas, Mia Hamm se despede da seleção norte-americana
A atacante Marta, uma alagoana de apenas 18 anos, é a mais elogiada.

"Marta é uma das melhores que já vi jogar. Ela é a 'coisa real'", disse Mia Hamm, segundo o colunista Ron Judd, do "Seattle Times".

Hamm, de 32 anos, é considerada a melhor jogadora da história e uma das cinco remanescentes da conquista pelos EUA da primeira Copa do Mundo, em 1991, na China -as outras são Julie Foudy, Joy Fawcett, Kristine Lilly e Brandi Chastain.

A "Pelé" do futebol feminino, que fez sua despedida de Olimpíadas em Atenas, vê futuro na seleção brasileira. "O Brasil é jovem. Elas [as brasileiras] estarão por aí por um longo período."

Sobre o jogo, o colunista Judd escreveu: "Os registros olímpicos vão mostrar que o time feminino dos EUA bateu o Brasil por 2 a 1 na prorrogação e conquistou a medalha de ouro. Mas não mostrará a mágica -os Estados Unidos ganhando um jogo em que foi dominado no segundo tempo e provavelmente não deveria ter ganho".

George Vecsey, do "New York Times", é mais incisivo sobre a superioridade brasileira: "Com 'ginga', driblando e fingindo (...) as brasileiras dominaram as americanas por quase todos os 120 minutos. A única coisa que não fizeram foi ganhar".

Para ele, a vitória norte-americana "quase não aconteceu". "As brasileiras, todas com menos de 30, todas rápidas, lisas e criativas, foi parada pela defesa dos EUA no primeiro tempo, quando o Team USA [como é chamada a seleção] controlou o meio de campo. Mas não no segundo tempo, quando as jovens estrelas brasileiras Marta e Cristiane passaram por trás, pelo meio e literalmente em volta das zagueiras americanas em uma dúzia de jogadas de gol."

Segundo Vecsey, "mais do que em qualquer outro esporte, o futebol tem coisas do tipo 'resultado justo' e 'resultado injusto'". Ele diz que as veteranas jogadoras norte-americanas ainda jogarão juntas por um tempo. "Mas ao fundo já se ouve o som da mudança. E tem uma batida de samba."

Ao "NYT", a goleira Briana Scurry, que salvou vários ataques à queima-roupa das brasileiras, disse: "Estávamos nos dobrando, mas não quebrando. Elas estavam jogando a 'sujeira da cozinha' sobre nós".

"A sujeira da cozinha", esecreve o jornal, "foi bonita de ver -avanços de zagueiras ao ataque, jogadoras de meio-de-campo armando jogadas bem à frente, e, no ataque, uma número 10 chamada Marta, só de 19 anos de idade, só 1,61 m, ziguezagueando e dançando no meio das zagueiras americanas".

"Fizemos dupla e tripla marcação nela. E ela ainda conseguia se livrar", disse Scurry, em admiração total, segundo o jornal.

George Kimball, colunista do "Boston Herald", descreveu a partida assim: "O que foi anunciado como o jogo de despedida para a envelhecida geração de 1991 [dos EUA] quase se tornou uma festa de apresentação para as jovens brasileiras. Os Estados Unidos tiveram de enfrentar diversas ameaças de gol (...) antes que Wambach marcasse o gol da vitória no segundo tempo da prorrogação".


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