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27/08/2004 - 00h01
Marcelo Ferreira sempre foi competitivo, diz irmão

Por Adalberto Leister Filho e Guilherme Roseguini
Enviados especiais
Em Atenas (Grécia)
E Mariana

O palco da disputa era a lagoa de Araruama, no Rio. Márcio Ferreira tomou uma decisão errada e seu barco perdeu posições preciosas.
Quando percebeu que a dupla perderia a medalha de ouro, seu irmão mais novo, Marcelo, ficou furioso, deu um pontapé no barco e quebrou o casco.

Os dois abandonaram a regata e foram para casa de mãos abanando.
Márcio relembra o caso para dar uma amostra do início da trajetória do irmão no esporte. Ele é 11 meses mais velho que Marcelo ("Nossos pais trabalhavam rápido. Ou faltava muita luz") e o acompanhou nas primeiras regatas, disputadas na classe hobbie-cat.

"Esporte é como uma cachaça. Nós dois sempre fomos competitivos e, quando começamos a nos dar bem, fomos em frente", recorda.

Márcio conta que a parceria rendeu bons resultados, mas cada um seguiu para classes diferentes. Nunca protagonizaram um duelo, nem quando estavam em barcos separados.

"Quem era melhor? Deixando a modéstia de lado, eu tinha uma boa mão, mas ele era fundamental como proeiro", diz.

Márcio explica que o jeito extrovertido e companheiro do irmão é fundamental na parceria com Grael. E volta a retomar o episódio da lagoa para explicar como Marcelo controla as emoções durante os campeonatos.

"Acho que aquilo serviu de alerta para ele aprender que não adianta forçar a barra e perder a cabeça, tem de raciocinar antes ou você fica a deriva", relata.

O filho do meio da família Ferreira -tem uma irmã mais velha, Ilana- parou de velejar quando entrou na faculdade. Hoje, é engenheiro mecânico, seguindo a tradição da família.

"Eu sempre fui mais comedido. Pensava a longo prazo, em ter uma vida teoricamente mais estável. Ele não", teoriza.

Marcelo, ao contrário do irmão, peitou a família para seguir na vela. "Nossos pais queriam que tivéssemos uma formação cartesiana. Esporte, na época, não era encarado como uma profissão como agora."

Além da paixão pelos barcos, Marcelo administra hoje um restaurante em Niterói e ajuda a mulher, Renata, a cuidar de uma loja de roupas.

Em Atenas, pouco antes dos Jogos, protagonizou um fato inusitado. Perdeu cinco quilos em 11 dias para chegar ao peso exigido para tripulantes da star. Com ginástica pela manhã e jogos de tênis à tarde, foi de 111 kg para 106 kg "sem muito esforço", como definiu.

Detalhe: na campanha de Atlanta-1996, pesava 126 kg. "Dessa época, herdei duas hérnias de disco. Não era um cara saudável", recorda.




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