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27/08/2004 - 09h23
Grael quer volta ao mundo enquanto aguarda Scheidt e irmão
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia)
Ainda sem sua quinta medalha olímpica -a premiação ocorrerá apenas neste sábado-, Torben Grael, que ao lado de Marcelo Ferreira ganhou por antecipação o ouro na classe Star nas Olimpíadas, já tem praticamente definidos os próximos passos. O mais respeitado velejador do país no exterior deverá disputar, no ano que vem, uma competição que cruza o Atlântico e dura oito meses: a Volvo Ocean Race.
 | | | Torben Grael deve enfrentar o irmão Lars e Robert Scheidt por vaga em Pequim-08 | Isto não quer dizer que Torben deixará de lado a classe Star. Ele planeja competir nos Mundiais da categoria. Para chegar a Pequim-2008, entretanto, provavelmente terá de superar o irmão Lars e Robert Scheidt nas próximas seletivas olímpicas -ambos declararam recentemente o desejo de passar à classe Star. Se não bastassem esses desafios, Grael também deve participar da próxima America's Cup, a mais importante e lucrativa competição de vela do mundo, em 2007.
"O calendário dessas competições não é conflitante", declarou Torben, 44, o mais velho atleta brasileiro em Atenas -e também o maior vencedor do Brasil em Olimpíadas. "O projeto da competição de volta ao mundo é importante para o Brasil. Nunca um brasileiro participou. É uma regata longa, que me atrai pela possibilidade de velejar em latitudes altas, com muitas ondas e ventos fortes. É um sonho que tenho".
Torben afirmou que a decisão sobre sua participação será anunciada em 15 dias. "Ainda não tenho tudo acertado e não posso colocar o carro na frente dos bois". Para competir na Volvo Ocean Race que começa em novembro de 2005, desde já tudo precisa estar acertado, para que haja tempo de o barco ser construído e todos os testes necessários sejam feitos. "Não quero participar só por participar. No nível em que estou hoje isso não tem sentido. Nunca posso garantir a vitória, mas para entrar em uma competição preciso ter boas chances".
Marcelo Ferreira, parceiro de três medalhas olímpicas de Torben, também pretende se encaixar na empreitada. "O comandante ainda não deu o nome da tripulação, mas eu já me candidatei", disse, bem humorado, o velejador, que se definiu como um "eterno proeiro". "Comecei na vela como sócio-veleiro, pagava mensalidades pequenas para velejar pelos clubes. Já participei da proa de quase todos os tipos de barco", conta Ferreira, que tem perfil oposto ao de Torben -é expansivo e falastrão, contrastando com a frieza e as palavras calculadas do parceiro.
Scheidt, Lars Grael Robert Scheidt, após vencer tudo na classe Laser repetidas vezes (sete vezes campeão mundial, bicampeão olímpico entre outros títulos importantes), comprou um barco da classe Star e possivelmente vai participar de competições na categoria ao lado de Bruno Prada.
Já Lars Grael, praticamente afastado da vela desde que sofreu o acidente que lhe tirou uma das pernas, declarou que pretende voltar a velejar competitivamente. E a classe Star, de acordo com ele, é uma em que a falta da perna não atrapalharia seu desempenho.
"Os dois serão adversários dificílimos. Isso será ótimo para a nossa classe. Certamente o Brasil terá um representante de muito peso na próxima Olimpíada. E, para o nosso esporte, será bom ter pessoas conhecidas duelando, vai atrair ainda mais interesse", declarou Torben.
America's Cup A competição, que teve sua primeira edição em 1851, é disputada em intervalos variáveis de anos -desta vez, serão quatro. O atual campeão -no caso, o barco suíço Alinghi, defende seu título contra o vencedor da Luis Vitton, uma espécie de classificatória.
Em 1999, Torben Grael, sendo o tático do barco italiano Prada, conquistou a Louis Vitton. Na America's Cup de 2000, entretanto, perdeu do Team New Zealand por 5 a 0. Em 2002, os italianos não conseguiram se classificar -o vencedor foi o Alinghi, que conquistou o título no ano seguinte.
Grael planeja participar da Louis Vitton -e quer treinar por um ano para ela. "Creio que terei tempo. Até agora, estou empurrando com a barriga essa história. Tenho convite, mas estava priorizando a Olimpíada. Daqui para a frente, vai ser possível planejar tudo", disse o brasileiro.
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