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27/08/2004 - 16h53
Brasil vence EUA, reedita jogo histórico na final e luta por recorde

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

A seleção brasileira masculina de vôlei confirmou o favoritismo e passou fácil pelos Estados Unidos nas semifinais dos Jogos Olímpicos. Com a vitória de 3 sets a 0 (25-16, 25-17 e 25-23), o time comandado pelo técnico Bernardinho garantiu vaga para a decisão do campeonato, domingo, contra a Itália. E o jogo que poderá garantir o recorde de ouros do país nas Olimpíadas será o repeteco do mais empolgante confronto do vôlei em Atenas.

Reuters 
Escadinha (esq) abraça Ricardinho na semifinal; veja álbum de fotos do dia
Brasil e Itália se enfrentaram na segunda rodada da primeira fase da competição, há dez dias. E as duas equipes fizeram uma exibição de gala. Em quase duas horas, os dois times criaram oportunidades para vencer. No final, o Brasil se deu melhor, com um impressionante 33 a 31 no tie-break.

Caso vença a final, o Brasil conseguirá a sua melhor campanha em Jogos Olímpicos. O principal momento brasileiro nas Olimpíadas foi em Atlanta-1996, quando o país teve três medalhas de ouro. Em Atenas, esse número já foi igualado. E faltando apenas dois dias de disputas, o vôlei é a maior (para não dizer única) esperança de bater o recorde.

Para chegar à decisão, nem Itália nem Brasil tiveram muito trabalho. No primeiro jogo do dia, a seleção italiana contou com o forte saque, e a tarde inspirada de Sartoretti, para marcar 3 a 0 nos gigantes da Rússia. Já o Brasil, com um jogo bem consistente, dominou a seleção norte-americana e se vingou da derrota sofrida na primeira fase -a primeira em mais de um ano em partidas oficiais.

A final da Olimpíada vai colocar frente a frente as duas seleções mais vencedoras dos últimos anos. A Itália é a recordista de títulos da Liga Mundial, com oito troféus, seguida do Brasil, que ganhou o torneio quatro vezes. A seleção de Bernardinho, entretanto, leva vantagem nos Jogos Olímpicos. Enquanto os brasileiros tentam o bi (levaram o título em Barcelona-1992), os italianos lutam para superar a série de fracasso no torneio.

O jogo
Única equipe que venceu o Brasil na Olimpíada, embora a seleção tenha atuado com a base reserva, os Estados Unidos entraram em quadra dispostos a complicar o jogo. Mas apenas nos primeiros momentos de cada set é que os norte-americanos conseguiram equilibrar um pouco as ações.

Se não bastasse a força da equipe, que ganhou com Bernardinho 11 dos 14 torneios que disputou, o Brasil ainda contou com o apoio da torcida, que ocupou cerca de 80% dos lugares do Ginásio Paz e Amizade. Em sua maior parte gregos, os torcedores vaiaram todos os pontos dos Estados Unidos.

No primeiro set, os Estados Unidos conseguiram equilibrar até a passagem de André Nascimento no saque. Mas os cinco pontos seguidos (um ataque de Giba, dois bloqueis de Gustavo e Dante, um ace e um erro do adversário), deram ao Brasil uma boa vantagem de 11-6.

A seleção controlou a vantagem e enervou o time norte-americano, que passou a cometer erros. Só na primeira parcial foram cinco pontos de graça para os brasileiros.

Assim, a diferença aumentou. E um ataque de esquerda de André Nascimento selou a vitória brasileira na primeira parcial por 25-16, em 23 minutos.

O segundo set seguiu a mesma dinâmica do primeiro. Equilíbrio no começo, e passeio brasileiro no final. Com saque potente e a excelente variação de jogadas proporcionada pelo levantador Ricardinho, o Brasil dominou os Estados Unidos como quis.

Impotente diante do poderio ofensivo brasileiro, a equipe norte-americana voltou a errar muito. Numa só seqüência, o Brasil aumentou a diferença de seis para oito pontos. Tudo graças a erros dos Estados Unidos. No final, outra vitória tranquila, por 25-17, em 24 minutos.

O terceiro set foi o mais equilibrado de todos. A igualdade seguiu até o 11º ponto, com os times virando todas as bolas. Um erro de recepção de André Nascimento, entretanto, deixou os norte-americanos na frente.

O lance acordou a seleção brasileira, que retomou a vantagem e, com dois bons saques de Dante, cujos ataques não passaram pelo bloqueio, ficou dois pontos na frente (16-14).

A diferença aumentou com um ace de Dante e um bloqueio simples de Gustavo (18-14). Os Estados Unidos ainda reagiram, mas não conseguiram empatar.

Bernardinho mudou o time do Brasil, colocando Giovane e Nalbert. O primeiro não tocou na bola. O segundo errou o saque no match point. Mesmo assim, a seleção conseguiu fechar o set em 25-23 e o jogo em 3 a 0.

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