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28/08/2004 - 19h25
Quarto lugar deve marcar a despedida de geração vitoriosa

Da Redação
Em São Paulo

Janeth tem 34 anos. Helen, 31. Alessandra, 30. Cíntia Tuíu, 29.

Juntas, as quatro formaram a base de uma geração vitoriosa do Brasil, que provavelmente fez sua despedida Olímpica em Atenas, com o quarto lugar. Nenhuma delas deu adeus definitivamente à seleção, mas, em Pequim-2008, dificilmente manterão seus postos.

AFP 
Alessandra não deve chegar à Pequim
O quarteto já tem suas substitutas. Helen já deu lugar a Iziane e deve perder espaço também para Adrianinha. Kelly e Érika já mostraram em Atenas que estão "comendo" o tempo de quadra da dupla Alessandra e Tuiú.

A única que ainda não tem uma sucessora é Janeth. A mais provável é Micaela, que, por lesão, ainda não disputou Mundial ou Olimpíada pela seleção. Maior jogadora em atividade do basquete nacional, Jane, como é chamada pelas atletas, só deve perder sua vaga quando quiser.

"Atenas não foi uma despedida para mim. Mas não sei como estarei fisicamente daqui a dois anos. Psicologicamente estarei bem, isso não é o problema. Estou participando intensamente de várias competições. Fica difícil pensar nisso com a cabeça quente após a perda da medalha", avisou a jogadora.

Por isso, o técnico Antonio Carlos Barbosa já começa a analisar novas gerações. Ele mesmo, aliás, pode deixar o cargo em breve. Seu auxiliar, Paulo Bassul, pode assumir o time em breve. O presidente da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), Gerasime Bozikis, já disse que quer Barbosa como um coordenador de seleções.

"A nossa responsabilidade será grande. A renovação acontecerá normalmente. Algumas meninas que foram vice-campeãs mundiais sub-21 poderão ser aproveitadas", avisou o técnico.

Algumas, aliás, já foram usadas. Reserva de Janeth, Silvinha foi capitã da equipe que perdeu a final do Mundial de 2002 para a Croácia. Érika foi a maior reboteira da competição para jovens. E Iziane só não participou do campeonato porque estava na WNBA, a liga profissional feminina dos EUA.

Agora, é só pensar em manter o patamar elevado. Em dez anos, o Brasil foi campeão mundial, conquistou uma medalha de prata e uma de bronze em Olimpíadas e ainda ficou em quarto em um Mundial e em uma Olimpíada.

"São poucas as equipes no mundo que conseguem se manter na elite há dez anos. Temos que continuar o trabalho. Não é nenhum pesadelo ficar em quarto. Acho que não houve nenhuma hecatombe", analisou.

A imagem das jogadoras, porém, é bem diferente. Destaque do Brasil, a pivô Alessandra acha que é hora de se refletir sobre o futuro do basquete no país. "Temos que pensar já no Mundial de 2006. Alguma coisa está acontecendo de errado. O problema não é no adulto, tem que se olhar para a base. Há a necessidade de se investir na escola, trabalhar com crianças de 9, 10 anos. O Brasil também está carente de técnicos, tanto no masculino quanto no feminino", afirmou.

"As seleções adversárias se aperfeiçoaram. Não conquistamos a medalha, mas mantivemos a posição de quarto lugar no ranking mundial. Nos meus 17 anos de Seleção, o basquete feminino do Brasil esteve entre os melhores, apesar de todas as dificuldades. Agora temos que criar mais equipes, buscar mais patrocinadores e investir na formação de base", completou Janeth.

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