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29/08/2004 - 08h25
Nuzman promete mais ingerência em confederações após Atenas
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia)
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, prometeu um maior rigor e uma maior ingerência nas federações após o desempenho nacional em Atenas-2004.
 | | | Nuzman daria a medalha para Daiane, mas teve de premiar as romenas na ginástica | Em entrevista coletiva, o dirigente tentou ao máximo não avaliar a atuação brasileira, mas acabou fazendo.
"Foi dentro do esperado. De forma geral, os resultados vieram como eu imaginava. Tivemos uma melhoria qualitativa. Não quero falar de número de medalhas, seria impreciso", disse, dando ênfase à quantidade de ouros (quatro contra nenhum de Sydney) e deixando de lado o número inferior de pódios (nove contra 12 em 2000).
Segundo ele, muitos esportes não chegaram ou passaram do ponto ideal. "Medalha é trabalho e momento. Algumas modalidades passaram ou não chegaram do ponto", afirmou.
Por isso, acenou com mais ingerência. "Nenhum projeto será posto em andamento sem antes haver uma reunião do departamento técnico e financeiro do COB, com minha participação, e os presidentes e diretores técnicos de cada confederação", declarou Nuzman, que repetiu a informação quatro vezes durante a entrevista.
Isso se deve a enxurrada de recursos da lei Piva, que desde 2002 repassa dinheiro das loterias federais. Nunca o país teve tantos recursos para preparar seus atletas, mesmo assim a delegação só vingou em modalidades tradicionais (iatismo, vôlei, judô).
"Disse que, para ser um líder de medalhas, precisaria de 10 ou 12 anos, mas com dinheiro. Ainda não finalizamos um ciclo. São sá dois anos e meio de lei Piva", se defendeu o dirigente do COB.
Pressionado, Nuzman utilizou as estatísticas históricas para se defender: "Das 75 medalhas que o Brasil ganhou na história, 36 foram na minha gestão."
Ele voltou ao mesmo discurso feito em após o fiasco em Sydney, falando em incentivar esportes como boxe, levantamento, taekwondo e luta, que distribuem muitas medalhas.
Também se defendeu da acusação de "farra das passagens", pelo gasto excessivo dos recursos em passagens aéreas. "Precisamos de experiência internacional", disse, mas fez um "mea culpa" por colocar muito dinheiro na elite do esporte e não na base. "Precisamos ainda de um balanço nos investimentos", disse.
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