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20/09/2004 - 12h56
Brasileiros levam dois ouros e um bronze no atletismo
Lello Lopes* Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia)
O segundo dia de disputas do atletismo nas Paraolimpíadas de Atenas começou bem para o Brasil. Os atletas que representam o país conquistaram três medalhas nas provas de 200 m rasos: dois ouros e um bronze.
 | | | Delfino vence os 200 m livre, na 1ª medalha do atletismo no dia em Atenas | O primeiro a garantir uma medalha na modalidade foi Antônio Delfino, na categoria T46, para amputados de uma mão. Correndo na raia de número quatro, o brasileiro completou a prova em 22s41. O francês Sebastien Barc (22s62) e o australiano Heath Francis (22s73) completaram o pódio.
"O trabalho para as Paraolimpíadas que a gente fez não foi em vão", afirmou o brasileiro de 33 anos. "Foi um trabalho para pódio, para ficar entre os três primeiros. Graças a Deus deu tudo certo".
A segunda medalha brasileira do dia no atletismo veio na prova seguinte, com André Garcia, na categoria T13 (para corredores com menor comprometimento em deficiências visuais, sem a necessidade de um atleta-guia). O tempo de 22s70 garantiu o ouro para o brasileiro de 23 anos, que foi seguido pelo norte-americano Royal Mitchell (22s96) e pelo sul-africano Nathan Meyer (23s04).
Após a vitória, Garcia recebeu um caloroso abraço de Delfino. Os dois haviam conquistado medalha de prata em Sydney-2000.
 | | | André Garcia comemora o ouro mesmo antes de cruzar a linha de chegada | Apesar do ouro, Garcia revela ter planos mais ambiciosos: a disputa das Olimpíadas de Pequim. "Para o sonho de uma Olimpíada eu ainda tenho que baixar o meu tempo em dois segundos", afirmou o brasileiro, que é orientado por Jayme Netto Júnior, técnico da equipe de revezamento nos Jogos de Atenas (disputados em agosto passado). "Agora estou com o melhor treinador do Brasil e vou ver se eu consigo. Mas acho que tenho mais chances nos 100 m."
Jaime Netto Júnior é o responsável pelo trabalho de velocidade de André, que é treinado por Pedro Henrique Camargo de Toledo, o Pedrão.
A terceira medalha veio com Maria José Ferreira, a Zezé, nos 200 m rasos feminino categoria T12 (atletas com deficiência visual parcial, mas com necessidade de guia). A corredora chegou em terceiro, com o tempo de 26s20, e levou o bronze para o Brasil. A francesa Assia El Hannouni (25s12) e a búlgara Volha Zinkevich (25s87) chegaram à sua frente.
Esta foi a terceira medalha paraolímpica de Zezé, que já obteve dois bronzes em Atlanta-96, nos 100 m e nos 200 m rasos.
Arremesso de peso Mas nem tudo foi pódio para o Brasil no atletismo. Numa das provas em que a medalha era mais esperada, o arremesso de peso, as brasileiras ficaram longe das primeiras colocações.
Roseane Santos, a Rosinha, ficou em oitavo lugar, com 8,98 m. Suely Guimarães foi a nona, com 6,97 m.
Favoritas ao pódio, as brasileiras não se adaptaram ao novo regulamento, que juntou na disputa as classes F56, F57 e F58 (para amputadas). A campeão foi por um complexo sistema de pontuação para equiparar as condições de todas os atletas.
Assim, a medalha de ouro ficou com a argelina Nadia Medjmedj, que bateu o recorde mundial na classe F57 com 9,79 m. A chinesa Ling Li, da mesma classe, ganhou a prata com 9,64 m. Já a alemã Martina Willing precisou bater o recorde paraolímpico da classe F56 para faturar o bronze com 7,94 m. Decepção mesmo sofreu a nigeriana Nijideka Iyiazi, que quebrou o recorde mundial da classe F58 com 10,12 m, mas ficou fora do pódio, em quarto lugar.
* O jornalista Lello Lopes viaja a Atenas a convite do Comitê Paraolímpico Brasileiro
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