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21/09/2004 - 13h29
Clodoaldo bate recorde mundial e leva segundo ouro em Atenas

Lello Lopes*
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

Clodoaldo Silva sempre segue um ritual. Ele se deita no bloco de largada e toca na água. Depois de lavar o rosto, se benze. E fica preparado para competir. Nesta terça-feira, a cena se repetiu nos Jogos Paraolímpicos de Atenas. E o resultado foi a medalha de ouro e o recorde mundial nos 200 m livre da classe S4.

O brasileiro completou a piscina em 2min55s75, quase três segundos mais rápido do que a antiga marca mundial (2min58s62), que havia sido estabelecida pelo japonês Yuji Hanada, no ano passado. O recorde paraolímpico anterior era também de Clodoaldo: 2min58s81 nadados em eliminatória disputada na manhã desta terça-feira.

Reginaldo Castro/CPB Divulgação 
Clodoaldo diminuiu o recorde mundial em quase três segundos e levou o ouro...
E o campeão surpreendeu. Bastante aplaudido pela torcida, Clodoaldo revelou que não gosta de disputar a prova dos 200 m livre.

"Essa não é minha prova. Eu, particularmente, não gosto de nadá-la, porque você tem que pensar muito. Eu não gosto de pensar muito, gosto de meter o braço", disse Clodoaldo.

Um dos dois nadadores que não largaram de dentro da piscina, o brasileiro assumiu a liderança logo nos primeiros metros da prova. Hanada, que estava na raia ao lado, conseguiu emparelhar até os 25 m, quando Clodoaldo começou a abrir distância.

Já na primeira virada (50 m), a vantagem do líder era superior a três segundos, e a maior disputa da prova se tornou pelo segundo lugar. O japonês não conseguiu manter o ritmo, deixando o espanhol Richard Oribe se aproximar. No final, Oribe ultrapassou Hanada e levou a prata (mais de seis segundos após o brasileiro), com o tempo de 3min02s25. O antigo recordista mundial fez a prova em 3min05s65.

"Forte. Ele é muito forte", disse Hanada após a prova, referindo-se a Clodoaldo. Apesar de ter perdido o recorde mundial, o japonês comemorou bastante a medalha de bronze.

Este já é o segundo ouro de Clodoaldo em Atenas. No último domingo, nos 100 m livre, o brasileiro também foi o mais rápido. Assim como nos 200 m livre, naquela prova (mas nas eliminatórias) o brasileiro quebrou o recorde mundial. Coincidentemente, o pódio foi formado pelos mesmos atletas que ganharam medalhas nesta terça, com a diferença que Hanada foi o segundo e Oribe o terceiro. O brasileiro também é recordista mundial nos 50 m livre, prova em que é franco favorito em Atenas.

Reginaldo Castro/CPB Divulgação 
...sua segunda medalha dourada nestes Jogos Paraolímpicos de Atenas
Clodoaldo, que recebeu o apelido de "Michael Phelps brasileiro", também competiu nos 50 m costas em Atenas, na última segunda-feira, mas fez apenas o quarto tempo e ficou sem medalha. O nadador, porém, ainda terá a chance de levar mais cinco medalhas em outras provas nas Paraolimpíadas.

Os outros três brasileiros que chegaram a finais nesta terça não foram bem e ficaram sem medalhas. Genezi Andrade ficou em sexto lugar nos 200 m livre da classe S3. Nos 100 m borboleta da categoria S11, o brasileiro André Meneghetti fez o pior tempo dos oito nadadores que chegaram à final.

Edênia Garcia, que na última segunda havia conquistado a prata nos 50 m costas do S4, não conseguiu repetir o desempenho nos 200 m livre e ficou em sexto lugar. A campeã foi a japonesa Mayumi Norita, que completou a prova em 3min02 e baixou o recorde mundial em mais de sete segundos.

Outro recorde mundial quebrado aconteceu nos 100 m livre da classe S10. O canadense Benoit Huot superou a própria marca em três centésimos, ganhando a medalha de ouro.

Mas o evento que mais arrancou aplausos do público foi a final dos 100 m costas da classe S6. O russo Igor Plotnikov, que não tem os dois braços, ganhou a simpatia do público ao bater o recorde mundial da prova, sendo ovacionado na saída da piscina.

Na natação, existem dez classes para atletas com problemas físico-motores, sendo que a S1 engloba os competidores com maior grau de deficiência e a S10 os de menor grau. Existem ainda três categorias para deficientes visuais.

* O jornalista Lello Lopes viaja a Atenas a convite do Comitê Paraolímpico Brasileiro

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