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24/09/2004 - 13h25
Em final contestada, Ádria conquista a prata nos 200 m rasos
Lello Lopes* Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia)
Numa final contestada, parecida com a de Sydney-2000, a velocista Ádria Santos conquistou nesta sexta-feira a medalha de prata nos 200 m rasos da classe T11 (para deficientes visuais totais) dos Jogos Paraolímpicos de Atenas.
Ádria, recordista mundial da modalidade e ouro nos 100 m rasos em Atenas, cruzou a linha de chegada em segundo lugar, com o tempo de 25s60. A chinesa Chun Miao Wu foi a primeira, com 25s39, e a veterana espanhola Purificación Santamarta a terceira, com 26s71.
O resultado foi contestado tanto pelos brasileiros quanto pelos espanhóis. As equipes dos dois países alegavam que Wu havia sido puxada por seu guia durante a prova. "A própria Espanha, que é nossa principal rival, também achou estranho. Alguma coisa tem", disse Chocolate, guia de Ádria.
O argumento é que a corda que une o guia à atleta chinesa tinha menos do que os cinco centímetros estabelecidos pela regra, o que teoricamente facilitaria a "puxada".
A delegação brasileira entrou com um protesto para tentar rever o resultado, mas não obteve sucesso. O Comitê Paraolímpico Internacional, que chegou a adiar a entrega das medalhas para analisar o caso, manteve a ordem de chegada das corredoras na prova.
Em Sydney, aconteceu algo parecido também nos 200 m. Na ocasião, Purificación Santamarta foi nitidamente puxada pelo seu guia. Os juízes analisaram a prova e decidiram desclassificar a espanhola, fazendo com que Ádria herdasse o ouro.
Com o resultado desta sexta, a brasileira chega à sua sétima medalha prateada em Jogos Paraolímpicos. Ela tem também outras quatro medalhas de ouro e é a maior atleta do Brasil na história da competição.
Posicionada na raia número três (a segunda a partir do centro do Estádio Olímpico), Ádria largou mal e permitiu que a chinesa assumisse a ponta. Nos últimos metros, a brasileira ainda se aproximou da rival, mas não o suficiente para lhe "roubar", na pista, a medalha de ouro.
"Para ganhar eu deveria ter passado na frente", disse Ádria, já um tanto resignada, mesmo antes da decisão do Comitê. No final da prova, enquanto a chinesa dava saltos de felicidade, a brasileira recebeu um abraço carinhoso de Chocolate.
Na final B da prova, a brasileira Simone Camargo chegou na frente e garantiu a quinta colocação. As provas da categoria T11 possuem duas finais porque as atletas, cegas, necessitam de um guia e, por isso, ocupam duas raias.
O resultado desta sexta-feira consolida Ádria como maior medalhista brasileira na história dos jogos paraolímpicos (quatro ouros e sete pratas). A velocista, que compete com uma lesão na coxa, ainda terá a chance de subir mais uma vez ao pódio, na disputa dos 400 m rasos.
Mais medalhas Além da prata de Ádria Santos, o Brasil conquistou outras duas medalhas nesta sexta-feira no atletismo da Paraolimpíada. Maria José Alves, a Zezé, foi bronze nos 100 m rasos da classe T12 (para deficientes visuais parciais), e Odair Santos levou a prata nos 5.000 m também da classe T12.
O brasileiro, fã do queniano Paul Tergat, completou o percurso em 15min00s80. A medalha de ouro ficou com o tunisiano Maher Bouallegue, que bateu o recorde paraolímpico com o tempo de 14min54s08. O queniano Emanuel Asinikal ganhou o bronze, com 15min09s67.
Já Zezé correu os 100 m em 12s70 para garantir o bronze. A medalha de ouro foi para a francesa Assia El Hannouni, que bateu o recorde mundial ao marcar 12s32. A bielo-russa Volha Zinkevich, antiga recordista, ganhou a prata com 12s46.
A brasileira conseguiu acompanhar o ritmo das rivais apenas nos primeiro 50 metros. Depois, acusou uma leve na coxa e ficou para trás.
Esta é a segunda medalha de bronze de Zezé em Atenas. Ela já havia ficado em terceiro lugar nos 200 m rasos.
* O jornalista Lello Lopes viaja a Atenas a convite do Comitê Paraolímpico Brasileiro
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