| |
24/09/2004 - 15h16
China nada mais rápido, e Brasil leva a prata nos 4x50 m em Atenas
Lello Lopes* Enviado especial do UOL Em Atenas (Grécia)
O recordista Clodoaldo Silva segue aumentando a sua coleção de medalhas nas Paraolimpíadas de Atenas. Nesta sexta-feira, porém, ganhou uma de outra cor. Na última prova masculina do dia, o nadador participou da equipe brasileira que conquistou a prata na prova de revezamento 4x50 m livre (20 pontos).
Os atletas do país completaram os 200 m em 2min32s34. O tempo foi melhor do que o obtido nas eliminatórias (2min33s09), quando o Brasil foi o mais rápido do dia. A China, que pela manhã nadou com dois atletas reservas, teve uma melhora ainda maior ao marcar 2min27s04, e ficou com o ouro. O bronze foi para os britânicos (2min37s20).
O segundo lugar foi bastante comemorado pela equipe brasileira. "A gente é terrível, mas os caras são mais", disse Clodoaldo, que já tem quatro medalhas em Atenas (as outras três são de ouro) e oito na história das Paraolimpíadas.
A prova, que reúne atletas com diversos graus de deficiência (S3 a S7, seguindo uma escala na qual quanto maior o número da classe, menor o seu comprometimento físico) foi marcada pela grande alternância de líderes. Para completar os 20 pontos, a equipe brasileira optou por dois atletas S4 (Clodoaldo Silva e Joon Sok Seo) e dois S6 (Luiz Silva e Adriano Lima).
Clodoaldo novamente foi um dos destaques da prova. O nadador foi o primeiro a cair na água entre os brasileiros e, apesar de competir com outros três atletas de categorias mais elevadas, completou seu trajeto em segundo, apenas três segundos atrás do francês Eric Lindmann (S7).
O tempo marcado pelo brasileiro em sua passagem, 35s41, é muito superior ao recorde mundial do próprio Clodoaldo nos 50 m (36s24). Assim, fica a expectativa de que o atleta ganhe mais uma medalha na disputa da prova na Paraolimpíada.
Depois de virar em segundo lugar, o Brasil perdeu posições com a passagem de Joon Sok Seo, caindo para a quinta colocação. Por outro lado, com nadadores mais rápidos na segunda metade, o Brasil começou a se recuperar, e Luiz Silva deixou a equipe em terceiro.
Os tailandeses, que começaram os últimos 50 m em primeiro, deixaram um atleta S4 (Somchai Dougkaew) para terminar a prova. China, Brasil e Grã-Bretanha, que escolheram representantes da classe S6 para o final (Jianhua Yin, Adriano Lima e Sascha Kindred), aproveitaram para ultrapassá-lo e ficar com as medalhas.
"Se na final eu tivesse saído igual, acho que dava (para ganhar o ouro)", disse Adriano Lima, que entrou na água quando o Brasil estava em terceiro lugar.
Apesar de acreditar na possibilidade do ouro, os brasileiros reconheceram a superioridade chinesa. "Dos quatro atletas (da China), três são recordistas mundiais. E a gente só tem o Clodoaldo", disse Lima.
A medalha do revezamento já é a sétima da natação brasileira nas Paraolimpíadas (três de ouro, três de prata e uma de bronze), sendo que as três douradas foram conquistadas por Clodoaldo. O "Phelps brasileiro", que tem paralisia cerebral, ainda irá disputar mais três provas em Atenas.
* O jornalista Lello Lopes viaja a Atenas a convite do Comitê Paraolímpico Brasileiro
|