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25/09/2004 - 07h15
Suely Guimarães ganha a medalha de ouro no arremesso de disco

Lello Lopes*
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

Depois de dois dias sem conquistar medalhas de ouro, o Brasil volta a subir ao topo do pódio nos Jogos Paraolímpicos de Atenas. Na manhã desta terça-feira, Suely Guimarães ficou em primeiro lugar na disputa do arremesso de disco que reuniu as classes F56, F57 e F58 (para amputados).

Wander Roberto/CPB Divulgação 
Suely Guimarães se prepara antes do arremesso que lhe garantiu o ouro
A campeã foi definida por um complexo sistema de pontuação para equiparar as condições de todas os atletas. Suely, da classe F56, somou 1138 pontos, com um arremesso de 24,30 m em sua terceira tentativa, marcando um novo recorde paraolímpico.

"Essa vitória é importante para mostrar que o esporte paraolímpica está com muita visibilidade. O melhor de tudo isso é superar a mim mesma", disse Suely.

A medalha de prata foi para a chinesa Ling Li, da classe F57, que bateu o recorde mundial da modalidade com um arremesso de 24,95 m, mas somou apenas 1054 pontos. O bronze foi para outra atleta da classe F57, a iraniana Azam Khodayari, que marcou 24,86 m e fez 1050 pontos.

A outra brasileira na prova, Roseane Santos, a Rosinha, teve um desempenho fantástico. Ela quebrou o recorde mundial da classe F58, com um arremesso de 31,73 m, mas terminou a disputa apenas em sexto lugar, com 1023 pontos.

Rosinha era uma das favoritas ao pódio. Em Sydney-2000, a brasileira conquistou duas medalhas de ouro. Mas a mudança de regulamento, que reuniu as classes, diminuiu as chances da atleta ganhar medalha.

Esta foi a nona medalha de ouro do Brasil em Atenas, e a 21ª da delegação nos Jogos. Só o atletismo rendeu dez medalhas.

A campeã
Suely Guimarães é a atleta mais velhas da delegação brasileira. Com 46 anos, ela disputa sua quarta Paraolimpíada. Na estréia, em Barcelona-1992, ela também ganhou a medalha de ouro no arremesso de disco. Quatro anos depois, em Atlanta, faturou o bronze.

Depois de passar em branco em Sydney-2000, Suely chegou a Atenas com a esperança de retornar o pódio. Entretanto, a união de classes na disputa acabou colocando a brasileira frente a frente com a amiga Rosinha.

Mesmo com uma maior dificuldade, Suely se superou e conquistou sua terceira medalha paraolímpica.

Nascida em São José do Belmonte, em Pernambuco, Suely perdeu as duas pernas aos sete anos de idade, quando foi atropelada na calçada por um motorista bêbado.

* O jornalista Lello Lopes viaja a Atenas a convite do Comitê Paraolímpico Brasileiro

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