UOL Olimpíadas
BUSCA




RECEBA O BOLETIM
UOL ESPORTE
 

 
26/09/2004 - 11h18
Brasil conquista dois ouros na piscina e supera marca de Sydney

Lello Lopes*
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

O bom público presente na piscina do Centro Aquático Olímpico de Atenas viu na tarde deste domingo o Brasil superar a marca de medalhas paraolímpicas conquistadas em Sydney.

Fabiana Sugimori e Clodoaldo Silva, que já haviam feito os melhores tempos de suas eliminatórias pela manhã, mantiveram o ritmo e subiram ao topo do pódio. Assim, o Brasil chega a 23 medalhas, uma a mais do que na Austrália.

Reginaldo Castro/CPB Divulgação 
Clodoaldo Silva conquista sua quarta medalha de ouro nas Paraolimpíadas
O país, entretanto, ainda não atingiu o seu recorde: 28 medalhas, conquistadas nos Estados Unidos. Apesar disso, o Brasil já ultrapassou a maior marca de ouros. Em Atenas, o hino nacional foi ouvido 11 vezes.

A primeira a ganhar medalha no dia foi Fabiana Sugimori, nos 50 m livre da classe S11 (para cegos). A campineira, de 23 anos, entrou na piscina na condição de favorita, uma vez que pela manhã quebrou o recorde mundial da prova com o tempo de 32s32. Além disso, já tinha conquistado o título em Sydney.

Fabiana largou na raia quatro, ao lado da ex-recordista mundial, a alemã Natalie Ball. As duas vestiam maiôs idênticos: preto com linhas brancas.

Nos primeiros metros, a disputa foi acirrada. Mas Fabiana abriu uma pequena vantagem e venceu com o tempo de 32s35. Ball foi a segunda, com 33s22, e a holandesa Marion Nijhof a terceira, com 33s58.

"Meu sonho era ganhar uma medalha de ouro e bater o recorde mundial. Assim, eu seria a atleta mais feliz", disse Fabiana, que ficou cega quando nasceu, por causa do excesso de oxigênio na incubadora.

A nadadora brasileira comemorou bastante a conquista. E disse que o ouro em Atenas teve um sabor diferente do de Sydney. Afinal, na Grécia ela foi assistida pela família.

"Hoje a medalha teve um gostinho especial porque a minha família veio aqui me ver", disse Fabiana, que recebeu o apoio da mãe Hilda, dos irmãos Marcelo e Flávia, e da técnica Giovana.

Encantada pela conquista, Fabiana sorriu o tempo inteiro em que o hino brasileiro foi tocado em Atenas. "Na hora que você está ouvindo o hino você fica sem saber o que fazer", disse ela, que após receber a medalha foi homenageada com uma versão de "Aquarela do Brasil".

Se para Fabiana ouvir o hino nacional em Atenas foi novidade, para Clodoaldo Silva já virou rotina. Neste domingo, ele ganhou sua quarta medalha dourada, desta vez nos 150 m medley da classe SM4. A coleção do "Michael Phelps brasileiro" ainda tem uma de prata e três recordes mundiais.

Apesar de ser um resultado comum, a vitória foi bastante comemorada pelo nadador potiguar, que teve paralisia cerebral no nascimento. O próprio atleta explica o motivo: ele não se considerava o favorito na disputa.

"Se eu disser que estava esperando a medalha de ouro eu vou estar mentindo. Este resultado foi uma surpresa para mim", disse Clodoaldo, que completou a prova em 2min39s15. O espanhol Xavier Torres, recordista mundial da modalidade, foi o segundo, com 2min40s94. O tailandês Sanit Songnork levou o bronze, com 2min42s57.

Ao contrário das outras provas que venceu, quando dominou completamente, Clodoaldo somente assumiu a liderança no final dos 150m medley. No nado costas, o brasileiro virou apenas em sexto lugar. A recuperação começou no nado peito, quando Clodoaldo ganhou duas posições. No nado livre, no qual ele é recordista mundial, o atleta assumiu a liderança e assegurou a primeira posição no pódio.

No final da prova, Clodoaldo recebeu um caloroso abraço de Fabiana. "Ela veio me dar os parabéns, mas quem está de parabéns é ela, pelo que fez hoje aqui", disse o campeão.

Mas o dia brasileiro na natação em Atenas não foi feito só de vitórias. Genezi Andrade, nos 150 m medley da classe S3, ficou em quinto lugar na final, com o tempo de 3min24s39. O campeão foi Jian Ping Du, da China, que bateu o recorde mundial e marcou 3min00s50. O mexicano Jose Arnulfo Castorena ganhou a prata com 3min04s16, e seu compatriota Juan Ignacio Reys, campeão em Sydney e ex-detentor da melhor marca do mundo, foi bronze, com 3min07s92.

Nos 50 m da classe S9, Mauro Brasil nadou em 27s51 e ficou em quinto lugar. O chinês Xiao Ming Xiong, campeão em Sydney e atual recordista mundial, repetiu o ouro, com 26s37. Outro chinês, Renjie Wang, ficou com a prata, ao marcar 26s82. O bronze foi para o australiano Matthew Cowdrey, com 26s88.

A última participação brasileira no dia aconteceu nos 50 m da classe S10. Com a torcida indo embora, Danilo Grasser terminou a prova em quinto lugar. Ele marcou o tempo 25s86. O campeão foi o canadense Benoit Huot, que melhorou em um centésimo o seu recorde mundial, alcançando a marca de 24s71. David Levecq, da Espanha, ficou com a prata (25s52), e Justin Zook, dos Estados Unidos, com o bronze (25s61).

Na natação paraolímpica, existem dez classes para atletas com problemas físico-motores, sendo que a S1 engloba os competidores com maior grau de deficiência e a S10 os de menor grau. Existem ainda três categorias para deficientes visuais.

* O jornalista Lello Lopes viaja a Atenas a convite do Comitê Paraolímpico Brasileiro

Veja também



22/11/2004
10h36 - WADA tem orçamento acrescido em US$ 1,47 milhão

19/11/2004
20h13 - Brasileiro fica em 25º no Mundial de luge e soma ponto para Turim

18/11/2004
13h22 - Polícia faz diligência em empresa responsável por Turim-2006

12/11/2004
19h31 - COB anuncia indicados ao Melhor Atleta do Ano

10h20 - Jogos de Atenas custaram mais de 9 bilhões de euros à Grécia

05/11/2004
08h59 - Chineses adotam data "da sorte" para abertura dos Jogos de 2008

04/11/2004
14h38 - Presidente de comitê dos Jogos de Turim vai pedir demissão

13h51 - Putin recebe no Kremlin 182 medalhistas russos em Atenas 2004

09h06 - Barcelona ajudará candidatura de Madri às Olimpíadas de 2012

02/11/2004
10h09 - Governo dará a Paris 2,5 bilhões de euros para campanha olímpica

Mais notícias