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27/02/2006 - 09h00
Apesar dos tombos, Brasil se destaca na neve de Turim
Da Redação Em São Paulo
Sobre a neve ou o gelo de Turim, os dez atletas brasileiros que tinham poucas chances de medalha trarão de volta para casa uma série de lembranças de superação pessoal, decepções, últimos lugares e tombos que destacaram o Brasil nesta 20ª edição das Olimpíadas de Inverno, em 2006.
| BRASILEIROS EM TURIM-2006 |  Isabel Clark é a melhor do país nos Jogos de Inverno
 Hélio Freitas feliz por não ser o último, no 93º lugar
 Em último lugar, "Bananas Congeladas" de ponta-cabeça
 De volta ao Brasil, Mirella Arnhold se aposentará
 Jaqueline Mourão é a única atleta de verão e inverno
 Em 30º lugar, Nikolai Hentsch é o melhor esquiador do país
| A porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura, Isabel Clark, carregou novamente a bandeira verde-amarela ao conquistar o melhor resultado de um atleta brasileiro na história dos Jogos de Inverno com a nona colocação na prova de snowboard. Tal façanha aconteceu após a inusitada queda de três adversárias que estavam à frente da brasileira.
Outros tombos que marcaram a trajetória dos brasileiros na competição foram os três acidentes que a equipe de bobsled sofreu ao ser eliminado da prova em último lugar. Além do escândalo por um caso de doping que afastou Armando dos Santos do trenó dos "Bananas Congeladas".
Assim como os "Bananas" que terminaram na lanterna da classificação geral, a esquiadora Mirella Arnhold também encerrou a prova de slalom gigante na parte debaixo da tabela. E na sua segunda participação em Olimpíadas, a brasileira decidiu que irá pendurar os esquis para se dedicar à faculdade de administração de empresas, que ela trancou para se dedicar ao esporte.
Enquanto uma esquiadora anuncia sua aposentadoria, Hélio Freitas ficou satisfeito com o 93º lugar na primeira prova olímpica que competiu nos 15km do esqui cross country e confirmou presença nos próximos Jogos de Inverno. Mesmo treinando na grama e no asfalto da cidade de Campinas(SP), o esquiador gaúcho conseguiu ficar à frente de outros quatro competidores.
Já o caso de Jaqueline Mourão marca a história do esporte brasileiro não pela sua 67ª colocação na prova dos 10km do esqui cross country, mas por ter sido a única atleta do Brasil a competir nas duas versões das Olimpíadas de Inverno e Verão. Em 2004, ela disputou a prova de mountain bike nos Jogos de Atenas e ficou na 18ª posição.
Na cerimônia de encerramento em Turim, o esquiador Nikolai Hentsch foi o responsável por carregar a bandeira brasileira depois de obter o melhor resultado do esqui alpino brasileiro em todas as edições dos Jogos Olímpicos, com o 30º lugar no slalom gigante.
Nos próximos quatro anos, os brasileiros esperam já ter o retorno de investimentos e oportunidades para poderem praticar seus esportes de inverno mesmo em um país tropical, a fim de melhorar os seus resultados e não tombar nas competições geladas que serão disputadas na Olimpíada de Vancouver, em 2010.
Satisfação
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Artur Nuzman, fez uma boa avaliação do Brasil em Turim. "Os resultados foram ainda melhores em relação aos Jogos de Salt Lake, o que mostra uma constante evolução dessas modalidades no Brasil", disse. "Os resultados em Turim comprovam o talento brasileiro para esses esportes e ajudam a incentivar ainda mais as novas gerações à pratica das modalidades de inverno", completou.
| HISTÓRIA | A primeira vez em que o Brasil esteve presente nos Jogos de Inverno foi em Albertville-92, quando esteve representado apenas no esqui alpino, por sete atletas.
Nas duas edições seguintes, Lillehammer-94 e Nagano-98, apenas dois brasileiros, um em cada, competiram, ambos no esqui alpino.
Em Salt Lake City-02 foram 11, maior delgação da toda a história, divididos entre o esqui alpino, cross country, luge e bobsled. Em Turim-06 foram outros dez atletas, que participaram no snowboard, esqui alpino, cross country e novamente no bobsled.
Poderiam ser cinco se Renato Mizoguchi fosse para o luge, mas ele se acidentou e ficou fora da competição na Itália. | A opinião de Nuzman foi compartilhada pelo presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), Stefano Arnhold. "A nossa participação foi muito acima da nossa expectativa. Baixamos as marcas em todas as modalidades, esqui alpino e esqui cross country. Na nossa estréia no snowboard, a nona colocação da Isabel Clark foi um marco brasileiro em Jogos Olímpicos de Inverno".
Isabel Clark também ficou satisfeita com sua colocação e já pensa em 2010. "A minha experiência olímpica foi muito boa. Quero continuar mantendo essa motivação nas etapas da Copa do Mundo", disse Clark, que já pensa em Vancouver-2010. "Tenho quatro anos pela frente e vou ganhar mais experiência internacional. Não posso me acomodar com o que já conquistei. O mais importante é continuar tendo boas performances, independente de resultados", finalizou a snowboarder.
Já a respeito do bobsled, os dirigentes olímpicos adotaram um discurso menos positivo. "Temos que sair de cabeça erguida e já começar a pensar nos Jogos Olímpicos de Vancouver. Só o fato de estar aqui já foi muito importante e nos trouxe várias lições para o futuro", disse Eric Maleson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG).
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