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  04/04/2004 - 15h26
Daiane comanda show "brasileirinho" na Copa do Mundo

Bruno Doro
Enviado especial do UOL
No Rio de Janeiro

A etapa da Copa do Mundo de ginástica terminou sob o som de "Brasileirinho". Usada por Daiane dos Santos, campeã mundial do solo, a música virou o símbolo do domínio brasileiro no Riocentro, zona oeste do Rio. Com poucas estrelas internacionais, cinco ginastas do país conquistaram oito das 30 medalhas distribuídas na competição.

Felipe Varanda/Folha Imagem 
Depois de levar a torcida ao delírio, Daiane recebe a medalha de ouro
A apresentação de Daiane, a grande estrela do Brasil, foi o grande momento do último dia. Quando a gauchinha subiu no tablado, as mais de 3 mil pessoas que lotaram as arquibancadas começaram a aplaudir e gritar. O barulho continuou intenso enquanto ela recebia a medalha de ouro, a quinta em evento oficiais da Federação Internacional de Ginástica, e até na cerimônia de encerramento, quando a ginasta sambou e comemorou com as 60 pessoas que vieram do Rio Grande do Sul para vê-la.

"Mostramos uma ginástica bonita. Mostramos que a equipe está pronta para ir bem em Atenas", disse Daiane, que foi seguida pelas câmeras de cinegrafistas e fotógrafos durante todos os dias da Copa do Mundo.

Os resultados no Rio, os melhores da história da ginástica brasileira, surpreenderam todos da Confederação Brasileira. Segundo a presidente Vicélia Florenzano, o maior responsável pelas quatro medalhas de ouro, três pratas e um bronze foi a torcida. "O resultado foi bem acima do esperado. Acho que, quando os atletas encontraram sua torcida, que incentivou de uma maneira tão fantástica, eles cresceram. Os meninos, principalmente, evoluíram muito com isso", disse.

Um dos responsáveis por essa evolução a que se refere Vicélia foi Diego Hypólito. Ele foi o único brasileiro a conquistar duas medalhas de ouro em uma mesma etapa da Copa do Mundo. Isso tudo na mesma etapa em que conquistou a primeira medalha da ginástica masculina em uma competição mundial.

"Esse meu resultado é um grande incentivo para a ginástica masculina. A partir de agora, espero que mais e mais meninos entrem no esporte", afirmou o atleta. "Hoje, a proporção nas escolinhas é de um menino para nove meninas. Esse número tem de crescer", completou o técnico Renato Araújo.

Quem também estreou em pódios em Copas do Mundo foram Mosiah Rodrigues e Camila Comin. Único brasileiro que irá competir nas Olimpíadas de Atenas, Mosiah foi prata no cavalo com alças, no sábado. Camila foi prata na trave e bronze no solo. "Não estou acreditando ainda. Mas isso só vem reconhecer o meu trabalho. Agora, é só comemorar meu aniversário", disse a ginasta, que fez aniversário na quarta-feira passada.

Daniele Hypólito aproveitou a realização de uma etapa da Copa em sua casa para começar a dar sua resposta aos críticos. As duas medalhas que ela conquistou, prata nas barras assimétricas e ouro na trave, devolveram a confiança da atleta. "Eu admiti a má fase. Mas espero que isso vá resultar em uma fase ainda melhor da minha carreira".


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