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20/05/2005 - 13h48
Após mortes, ciclistas vão entrar na Justiça para poder andar na USP
Lello Lopes Em São Paulo
A morte dos ciclistas Amandio Pereira Fernandes Bacalhau, 71, e Luís Fernando Costa Rosa, 40, na Rodovia dos Bandeirantes na quinta-feira provocou uma reação da Federação Paulista de Ciclismo (FPC) contra a proibição dos treinos dentro da Universidade de São Paulo. Na manhã desta sexta, a entidade promoveu um protesto na frente do portão principal da USP. À tarde, promete entrar com um mandado de segurança contra a universidade.
 | | | Ciclista fazem protesto em frente ao portão principal da USP, no Butantã | O protesto contou com a participação de aproximadamente 300 ciclistas, entre eles André Grizante e Jaqueline Mourão, dois dos principais nomes do esporte no país. A manifestação foi organizada pelo presidente da FPC, Marcos Mazzaron.
"Precisou acontecer uma tragédia para a gente se mobilizar", disse Mazzaron. "Nós tivemos que fazer essa manifestação porque faltou um entendimento com a USP", completou.
As mortes aconteceram na manhã de quinta-feira. Às 6h15, no km 33 da rodovia, na cidade de Caieiras, Rosa morreu após ser atingido por um Santana quando atravessava a pista interior-capital. Às 7h20, Bacalhau foi atingido por uma Kombi em um acesso do Rodoanel, no km 24 da estrada, em Perus (bairro da zona norte da Capital).
Rosa era professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e possuía autorização para pedalar dentro do campus. Já Bacalhau estava proibido de circular de bicicleta na universidade desde o dia 25 de abril. Desde essa data, apenas funcionários, professores e alunos podem utilizar a bicicleta na Cidade Universitária.
| A PROIBIÇÃO | A USP decidiu probir desde o dia 25 de abril o uso de bicicletas no campus devido às queixas relacionadas aos atletas. A universidade afirma que recebia uma média de três reclamações de ciclistas por semana.
Assim, a circulação de ciclistas que não pertencem à universidade ficou restrita aos sábados, das 5h às 14h. Entretanto, a medida desagradou vários usuários, que organizaram pequenos protestos, terminando com a manifestação desta sexta. | Em nota oficial, a USP se eximiu da culpa nos acidentes. "É inaceitável que se use uma fatalidade como essa para tentar imputar responsabilidades à Universidade de São Paulo pelo ocorrido, como se o acidente em questão fosse resultado direto da proibição da prática de ciclismo na Cidade Universitária por pessoas que não pertençam à comunidade da USP", diz o texto.
Nesta sexta-feira, a universidade voltou a criticar a associação das mortes com a proibição dos treinos dentro do campus. "Isso que a federação está usando é lamentável. É um absurdo. Ainda mais em se tratando de um professor querido dentro da universidade", disse Marcia Avanza, assessora de imprensa da USP. "É muito triste pra gente eles usarem as mortes dessas pessoas. Todo mundo que conhecia ele (Rosa) sabe que ele tinha esse hábito de andar na estrada."
Mas a FPC não se dá por vencida. Além do mandado de segurança, a entidade pode voltar a organizar outras manifestações na porta da universidade. "Se for preciso, faremos um novo protesto na USP", confirma Mazzaron. "Eles têm que cumprir o Código Brasileiro de Trânsito. Nós temos o direito de andar lá dentro."
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