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  26/11/2005 - 04h19
Ambicioso, Diego planeja salto com seu nome e ouro olímpico

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Melbourne (Austrália)

Aos 19 anos, Diego Hypólito acrescentou o "detalhe" que faltava ao seu perfil de campeão: o título mundial. Determinado, competitivo e ambicioso, o brasileiro impressiona pela autoconfiança e pela extensão de suas metas. Após escrever definitivamente seu nome na história do país, Diego, agora, quer mais.

"Quero trabalhar um novo salto para escrever meu nome na história da ginástica", disse Diego ao UOL Esporte logo após a conquista deste sábado. "Tenho potencial para isso e já venho treinando um duplo-twist carpado com pirueta que ninguém jamais apresentou", conta o ginasta, que conhece em minúcias os rivais e suas séries de exercícios.

Para que um salto seja nomeado com o sobrenome de um ginasta, deve ser apresentado em um Mundial ou em uma Olimpíada, e tem como pré-requisito ser inédito e executado com perfeição. Foi o que ocorreu com Daiane dos Santos e seu duplo-twist carpado em Mundial-2003.

Outro projeto de Diego é conquistar a medalha de ouro nas Olimpíadas. "Agora, essa é minha meta e vou trabalhar para atingi-la", diz o paulista, que já obteve medalhas em Copas do Mundo também no salto sobre o cavalo, mas notoriamente não tem um desempenho à altura nos outros quatro aparelhos da ginástica.

A definição das vagas na Olimpíada de Pequim-2008 se dará no Mundial de Stuttgart (Alemanha), em 2007. As 12 primeiras seleções ganham o direito de enviar uma equipe completa (seis ginastas). As classificadas entre 12º e 18º lugar, podem enviar dois ginastas. Já as que ficarem entre 19º e 28º, enviarão à China um atleta.

Em 2003, o Brasil acabou o Mundial em 19º lugar. Assim, Mosiah Rodrigues, brasileiro melhor colocado no individual geral em Anaheim (EUA), foi o escolhido.

Assim, para ir à Olimpíada, Diego terá de melhorar sua performance nos quatro outros aparelhos para ter chances de brigar com os companheiros de equipe -ou torcer para que a seleção evolua e possa ficar entre as 12 primeiras, enviando seis ginastas.

"Eu estou trabalhando para isso. Neste ano, a contusão não me deixou evoluir o quanto gostaria, mas melhorei 70% minha série nas barras paralelas. Nas argolas e no cavalo com alças, também estou melhor. Falta agora a barra fixa, em que ainda sou meio fraco", diz o campeão.

"Como equipe, temos muitas possibilidades, pelo menos, de ficar entre as que mandam dois ginastas. Isso já é real, quem sabe não melhoramos a ponto de irmos como equipe?".

Para a presidente da CBG, Vicélia Florenzano, Diego não apenas disputará, como vencerá uma Olimpíada. "Pode escrever aí: esse menino vai ser campeão olímpico. Ele é muito talentoso, é determinado e é extremamente técnico".

A dirigente afirmou que, antes mesmo do início da competição, integrantes do Comitê Técnico da FIG, que é composto por alguns dos maiores especialistas em ginástica do mundo, já apontavam o brasileiro como forte candidato à medalha. "o (russo Leonid) Arkaev (presidente da Federação Russa por 22 anos) me dizia: 'esse menino é especial'", relata Vicélia.


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