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26/11/2005 - 05h16
Fratura na tíbia quase arruinou ano do campeão
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Melbourne (Austrália)
Fratura, cirurgia, gesso, pinos, fisioterapia, reabilitação, fissura, depressão. O vocabulário de Diego Hypólito na maior parte deste ano não levava a crer que o ginasta se tornaria o primeiro brasileiro medalhista em um Mundial da modalidade.
Tudo começou em abril. Treinando para a etapa de São Paulo da Copa do Mundo, Diego errou um salto e se machucou. Inicialmente, a contusão foi diagnosticada como uma torção. O paulista insistiu em competir.
Mesmo após uma injeção de anti-inflamatórios, entrou mancando no tablado. A tentativa durou poucos passos: ao tentar o primeiro salto, caiu, levando a mão à tíbia direita. E chorou. De dor, de frustração.
Dias depois, ouviu da boca do médico da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica), Mário Namba, que a torção, na realidade, era uma fratura. Que iria requerer uma cirurgia. "Fiquei indignado. Não queria aceitar aquilo", disse Diego ao UOL Esporte. "Teria de implantar um pino na perna, engessar, perder vários meses de treino".
Assim foi. No Campeonato Brasileiro, realizado em Belém, ainda com a perna engessada, Diego viu seus colegas competirem de uma cadeira de rodas. E, tentando esconder a depressão que hoje confessa, dizia que andava ficando mais tempo na academia, fazendo musculação, aproveitando o tempo de molho para fortalecer seus braços e não engordar tanto.
Em junho, ouviu de Namba o prognóstico: poderia voltar a treinar em duas semanas. "Sou ansioso, queria voltar a qualquer custo. E pensei: se em duas semanas estarei treinando, minha perna não deve estar assim tão ruim".
Resultado: Diego tentou se exercitar e teve como "prêmio" uma nova fissura na tíbia. "Você não tem noção de como foi leve o exercício que fiz. Não dava para ter quebrado nada só com aquilo. Acho que foi uma mistura de má comunicação entre eu e o Namba com minha ansiedade".
Para Vicélia Florenzano, presidente da CBG, Diego cometeu um ato de indisciplina. "Ele não foi criterioso com as recomendações do médico, resolveu fazer uma artezinha e teve um retrocesso. Pensamos que ele tinha perdido o ano".
Má comunicação, ansiedade ou indisciplina, fato é que o atleta ouviu que teria de ficar mais um mês "de molho". Um mês acabaram se transformando em mais de três, e Diego só voltou a treinar na segunda quinzena de outubro. Teria cerca de um mês para se preparar para o Mundial.
"Por isso, quando cheguei aqui, realmente tinha como meta fazer uma final. Sabia que meu poder de entrar em forma era grande, mas não imaginei que poderia me apresentar tão bem", diz o campeão.
Seqüelas da contusão, entretanto, quase tiram o ginasta da final do solo. Nervoso, "como nunca tinha ficado antes", e ainda com certas dúvidas sobre seu desempenho, acabou exagerando nos exercícios de aquecimento. Na última das três passadas de sua apresentação, sentia-se cansado. Seu salto teve menos altura do que deveria, e Diego desequilibrou se no pouso. Deu dois passos para frente, escapando da área reservada à competição. Por muito pouco, não saiu do tablado.
Mesmo com o erro, acabou com nota 9,300, suficiente para dar a ele a oitava posição provisória no solo. Entretanto, havia ainda uma dezena de rivais a se apresentarem. E Diego teve de torcer. Um a um, os ginastas falharam, e o brasileiro ganhou a vaga na final. "Foi um presente de Deus, não o desperdice", disse Vicélia logo após a confirmação da classificação. Neste sábado, Diego não falhou e, agora, é campeão mundial.
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