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26/11/2005 - 07h34
Vida de Daniele moldou a de Diego Hypólito até os 16 anos
Murilo Garavello Enviado especial do UOL Em Melbourne (Austrália)
Diego Matias Hypólito, 19, que neste sábado se sagrou campeão mundial de solo, teve a maior parte de sua vida influenciada pelos passos da irmã, Daniele, 21.
Atrás dela, mudou-se de São Paulo para o Rio de Janeiro aos oito anos; depois, aos 14, morou com a irmã por alguns meses em Porto Alegre e, mais tarde, ambos voltaram juntos ao Rio. A trajetória só passou a ser distinta a partir da formação da seleção permanente de ginástica, a partir de janeiro de 2003, que levou a ginasta a treinar em Curitiba.
Daniele e Diego nasceram em São Paulo e passaram boa parte da infância em Santo André. Foi por influência da irmã, que já praticava a modalidade, que Diego ingressou na ginástica. "No início, ele entrou e saiu da ginástica duas vezes. Eu insistia: Diego, fique, é bom para você, você vai conseguir", conta Daniele.
Já Diego afirma que antes mesmo de entrar na ginástica, já fazia as primeiras acrobacias. "Eu era um menino meio doidinho. Já dava uns mortais antes mesmo de entrar na ginástica", relembra o campeão do mundo. "Eu era uma criança hiperativa que não tinha medo de se machucar".
Quando Diego tinha 9 anos de idade -e três de ginástica-, a técnica Georgette Vidor recebeu uma proposta do Flamengo e, percebendo o potencial de Daniele Hypólito, decidiu levá-la para lá. O clube formalizou uma proposta para que toda a família se mudasse de Santo André para o Rio de Janeiro.
"O Flamengo arrumou uma casa para a gente e, em prol da Dani, minha mãe e meu pai, que tinham emprego, resolveram trocar o certo pelo incerto e fizeram a aposta. Mudamos para o Rio", lembra Diego que, à época, tratou a mudança com indiferença. "Eu tinha só oito anos, para mim Rio de Janeiro não queria dizer nada".
No Rio, Diego submeteu-se a um teste no Flamengo e foi admitido. Passou a treinar com o técnico cubano Ernesto Trujillo, que o levou a sua primeira competição internacional. "Foi um torneio em Cuba. Fui para lá com nove anos, eu, o Bruno Martins, que hoje é da ginástica acrobática, e o Victor Rosa, que está na seleção comigo. Me lembro que eu perdi do Bruninho, fiquei supertriste".
Já nessa competição em Cuba, chamada "Talentos del futuro", Diego mostrava talento no solo. "Lembro que tirei 9,450, a maior nota da competição. Vieram me falar que eu era muito bom", lembra o ginasta.
Aos dez anos, passou a treinar com Renato Araújo, que até hoje considera como "seu técnico", apesar de Araújo ser coordenador de ginástica do Flamengo e em geral não acompanhar seus treinos com a seleção permanente em Curitiba.
Quatro anos depois, Diego mudou-se por alguns meses para Porto Alegre. Motivo? A irmã, após uma de suas muitas brigas com a ex-técnica Georgette Vidor, com quem hoje tem relações amistosas, pediu ajuda à CBG para encontrar um lugar para treinar. Então, Daniele foi acolhida pelo Grêmio Náutico União, onde Daiane dos Santos treinava.
Acompanhando a irmã, Diego Hypólito passou a ser treinado pelo técnico Leonardo Finco, que até hoje continua no clube gaúcho. Quando, meses depois, a irmã decidiu voltar ao Rio, o hoje campeão mundial foi a reboque. Diego, então, permaneceu na cidade até que, em 2004, passou a treinar permanentemente com a seleção em Curitiba.
Hoje, ambos moram na capital paranaense em uma casa comprada por Daniele, junto à mãe, Geni. Diego sempre faz questão de ressaltar a admiração pela irmã. "Ela é uma das minhas maiores referências. É um ídolo que eu tenho, um modelo, de busca de superação, de força de vontade. Sou muito feliz morando com ela", diz Diego. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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