A poucos dias da estréia no Mundial por Equipes, segue indefinida a batalha entre Flávio Canto e Tiago Camilo, ambos medalhistas olímpicos, pela vaga de titular da seleção brasileira de judô.
Nos últimos anos, Canto e Camilo vêm se revezando como titulares. Na seletiva para a Olimpíada de Atenas, Canto derrotou Camilo luta de desempate, com um golpe aplicado a poucos segundos do final. Já no Mundial individual de 2005, o paulista foi o representante brasileiro depois que o carioca se contundiu e não pôde participar da luta por uma vaga na seletiva.
Para Camilo, pouco importa quem vai pisar no tatame, considerando que ambos darão o máximo pelo time. "
(O técnico Luiz) Shinohara ainda não informou quem vai ser titular. Estou pronto, me dediquei muito nos treinamentos. Seja ele (Canto) ou eu, quem entrar vai representar muito bem o país. No fim se tudo der certo vamos ter vencido juntos, independente de quem lutar", disse o medalhista de prata em Sydney, 2000.
Flávio Canto, por sua vez, afirmou que o espírito coletivo deve vir antes da vaidade: "Aqui não tem titular ou reserva. Temos que ser coerentes e pensar no grupo para alcançarmos nosso objetivo, que é a medalha".
| TITULARES E RESERVAS |
No Mundial por Equipes é permitido que as delegações levem até dez judocas. No entanto, apenas sete atletas, um por categoria de peso, representarão seus países em cada confronto.
As lutas acontecem nas sete categorias e a equipe que conquistar o maior número de vitórias avança de fase. Como nas olimpíadas, os derrotados só terão chance chegar ao bronze, numa eventual repescagem.
No decorrer das etapas, é possível fazer troca entre titulares e reservas, conforme a vontade do treinador. |
Ele explicou que o escolhido deverá variar de acordo com o adversário. "Se por acaso enfrentarmos uma equipe cujo representante do meio-médio seja melhor para o estilo de Tiago, é claro que eu sairei e ele entrará, e vice-versa", contou Canto, que conseguiu subir ao pódio em terceiro lugar nas últimas olimpíadas de Atenas, em 2004.
A decisão de abdicar da vaga em favor da equipe é algo considerado fundamental pelo judoca. "O próprio atleta tem que ter a consciência de sair do time quando for preciso. Ninguém aqui quer aparecer. Se eu tiver que ficar no banco todas as lutas não me incomodarei", finalizou Canto.
A seleção brasileira é formada por dez atletas. Haverá, portanto, disputa por vaga em outras duas categorias: no meio-pesado, com os medallhistas mundiais Mário Sabino e Luciano Corrêa; e no leve, com o campeão pan-americano Moacir Mendes e Leandro Guilheiro.
Camilo pensa em mudar de categoriaA acirrada batalha entre Camilo e Canto pelo status de número um do Brasil no meio-médio pode ganhar seu último capitulo neste fim de semana. Isso porque Camilo estuda a possibilidade de mudar de categoria, passando para o peso médio.
"Tive que perder um pouco de peso para poder estar no 81 kg nesse Mundial, mas não sei o que vai acontecer depois. O Grand Prix acontecerá em novembro e preciso saber qual o interesse do meu treinador no clube", indicou o atleta, que pertence ao Sogipa.
Camilo, que obteve medalha olímpica na categoria até 73 kg, já trata como provável uma mudança que o levaria a pesar 17 quilos a mais do que há seis anos. "Na minha vida eu sempre traço objetivos a longo prazo, procuro trabalhar sempre com metas. Embora ainda não tenha definido meu futuro, existe uma possibilidade grande de uma troca de peso", revelou.
Mesmo que a mudança seja confirmada, não seria a primeira experiência de Camilo entre atletas de até 90 kg. Em junho deste ano, o judoca conquistou o título de campeão brasileiro entre os médios e, com o resultado, garantiu vaga para disputar a seletiva para o Pan-Americano também nesta categoria -ele já estava garantido na até 81 kg. Ou seja, agora, cabe a ele a decisão.