A 11 meses do Pan-Americano, o CO-Rio (Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos de 2007) ainda corre contra o tempo para resolver impasses em algumas das sedes para a competição. Mesmo negando atrasos significativos, a organização ainda lida com os principais vilões do Pan, como mudanças recentes no projeto, indefinições sobre quem é o responsável por obras ou simplesmente burocracia comum quando o objetivo é liberar o dinheiro público.
COMO ESTÃO AS SEDES HOJE?
 | Marapendi, Outeiro, Riocentro, Cidade do Rock, Centro de Boliche, Miécimo, Sambódromo, Marina, Parque do Flamengo, Copacabana |
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 | Maracanã, Lagoa Rodrigo de Freitas e Vila Pan-Americana |
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 | Autódromo, Complexo Deodoro e João Havelange |
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Para receber os cerca de 5500 atletas que virão ao Brasil para os Jogos, a organização está reformando ou construindo 16 grandes complexos. Alguns, como o do Autódromo, estão surgindo do nada. Outros, como o Maracanã, estão sendo completamente reformados. A cidade foi dividida em quatro grandes regiões. Das instalações construídas, reformadas ou adaptadas para a realização dos Jogos,48% são permanentes e 52% são temporárias.
Descubra agora o que está sendo feito e o andamento das obras nas sedes do Rio-2007:
Marapendi Country ClubClube acostumado a receber grandes eventos de tênis, foi a sede da última disputa do Brasil na Copa Davis no Rio de Janeiro. Para o Pan, receberá uma série de instalações temporárias, para a montagem de uma quadra central e nove quadras menores. A construção deve acontecer entre três e quatro meses antes da competição.
Complexo Esportivo do AutódromoObra que mais deu dor de cabeça ao CO-Rio até agora, o Autódromo ganhará três novas estruturas: a arena multiuso (para 15 mil pessoas), o centro aquático e o velódromo (que será permanente e não mais temporário), para as disputas de basquete, ciclismo, ginástica artística, natação, nado sincronizado e saltos ornamentais.
Uma guerra de liminares atrasou o início das obras em mais de um ano e, segundo o último relatório do Tribunal de Contas da União, ainda existem pendências judiciais a ser resolvidas. Uma delas envolve a reconstrução das áreas danificadas do traçado após o Pan.
Apesar dos atrasos, o ritmo da construção está acelerado, mas ainda nas fundações. Obras similares, como ginásio de esportes de Barueri, o mais moderno de São Paulo, por exemplo, levaram um ano para serem concluídas. O prazo de entrega, inicialmente fevereiro, já foi mudado para março.
Complexo Esportivo DeodoroLocalizado dentro da Vila Militar de Deodoro, o complexo terá cinco novos centros nacionais (hipismo, hóquei na grama, pentatlo moderno, tiro e tiro com arco). Inicialmente, o projeto não contava com os centros de hipismo e hóquei na grama. Justamente por isso, as obras estão atrasadas. Em 2005, foi feita uma licitação para as obras que não previam estas instalações. O processo teve de ser refeito e as obras começaram muito atrasadas.
A pedra fundamental foi lançada em março de 2006, mas, efetivamente, as obras começaram no final de julho. O ritmo, no entanto, é frenético. Na quarta-feira, inclusive, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, anunciou o novo plano de trabalho, incluindo até mesmo um turno noturno.
Complexo Esportivo João HavelangeAUTÓDROMO, A NOVELA DO PAN

Em fevereiro, essa era a vista do Complexo de Autódromo

Uma guerra de liminares depois, as obras estão nas fundações...

...distante do projeto da obra, que deve terminar em março
Grande obra do Pan-2007, o estádio de Engenho de Dentro estava programado para ser entregue no mês que vem. No entanto, uma série de atrasos já adiou os prazos algumas vezes. A nova data de entrega é fevereiro de 2007.
Projetado para 45 mil pessoas, e já prevendo ampliações para eventos como Olimpíadas ou Copa do Mundo, o Engenhão começou a sair do papel em 2004. Após vários entraves no andamento das obras, a construção está dentro dos novos prazos. O anel externo já está pronto e a cobertura começa a ser construída.
Segundo relatório do TCU, porém, as obras no entorno podem adiar a entrega. Dividida em quatro fases, a obra já tem as duas primeiras quase concluídas. As duas últimas, que incluem a construção das facilidades do estádio (energia, água e esgoto, águas pluviais e gás) e a adaptação dos acessos (confluência de oito ruas), ainda não foram contratados. Além disso, os acessos sul e leste têm pendências externas que precisam ser resolvidas.
Complexo Esportivo do MaracanãUm dos cartões postais do Rio de Janeiro, o complexo do Maracanã vai receber a cerimônia de abertura do Pan, além dos jogos de futebol, vôlei e pólo aquático. O centro aquático Julio Delamare já está reformado, recebendo, inclusive, o Mundial Júnior de natação nesta semana. O estádio do Maracanã e o ginásio do Maracanãzinho, porém, inspiram cuidados.
O estádio ficou fechado entre 2005 e 2006 para obras de modernização, mas foi reaberto após pressão dos times cariocas para a disputa do Campeonato Brasileiro. Com isso, a reforma continua, mas é interrompida a cada partida da competição.
Outro problema é burocrático. Segundo
O Globo, a reforma que está sendo feita no Maracanã ainda é a mesma que começou em 2000, quando o estádio foi usado no Mundial de Clubes da Fifa, e sofreu vários ajustes desde então.
No Maracanãzinho, as obras também foram interrompidas várias vezes e retomadas há pouco tempo. O atraso é significativo. Quando o Brasil ganhou o direito de organizar o Mundial feminino de basquete deste ano, a intenção era usar o ginásio como palco principal das disputas e aproveitar o evento como teste para o Pan. Os atrasos, porém, levaram a competição para São Paulo.
DUPLA REFORMA, DUPLO ATRASO

Um aval da Siema atrasou a dragagem da Lagoa Rodrigo de Freitas, adiada para outubro

Nas imediações, a reforma do Estádio de Remo, paralisada, aguarda parecer da Procuradoria.
Lagoa Rodrigo de FreitasDividida em duas frentes independentes, as obras na Lagoa incluem a dragagem das raias e a reforma do Estádio para as provas de remo e canoagem. Segundo o TCU, a dragagem tem data de término prevista para agosto deste ano. Mas, para a SERLA (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas do Rio de Janeiro), responsável pelas obras, o cronograma prevê a entrega no dia 28 de outubro.
No estádio, as reformas são divididas entre o poder público e o estatal. A Glen Entertainment, detentora dos direitos de exploração do local, afirma que já começou a sua parte das obras (reforma do bloco 2, que consiste nas áreas de recepção, Vip, vestiários dos atletas, banheiros, cabines dos juízes, boxes e o cais de chegada), mas espera o início da parte do Estado.
Marina da Glória e RiocentroPalcos para vela, badminton, boxe, esgrima, ginástica rítmica, handebol, judô, levantamento de peso, lutas, taekwondo, tênis de mesa e trampolim acrobático, Marina da Glória e Riocentro são casos independentes no Rio-2007. As duas instalações tiveram as reformas necessárias para o Pan "trocadas" por concessões.
Na Marina, serão investidos R$ 41 milhões na reforma, aumentando a capacidade de 120 para 300 barcos, além de elevar o número de vagas na água de 400 para 1000. A construção de novos píer flutuante, quebra-mar e garagem náutica e um molhe de proteção também estão sendo feitas. As obras devem terminar em março.
No Riocentro, o caso é mais complicado. A concorrência que definiu a empresa vencedora da concessão está sob suspeita e as obras começam apenas em dezembro. Segundo o projeto, serão usados cerca de R$ 68 milhões para as obras de adequação.
Morro do Outeiro, Complexo Esportivo Cidade do Rock, Sambódromo, Parque do Flamengo, Miécimo da Silva e Praia de CopacabanaPara as sedes que abrigarão estruturas temporárias, as instalações devem ser montadas de três a quatro meses antes dos Jogos, segundo estimativa do CO-RIO. Instalações em Morro do Outeiro, Cidade do Rock, Sambódromo, Parque do Flamengo e Miécimo da Silva são de responsabilidade da Prefeitura do Rio de Janeiro, e suas concessões ficarão sob responsabilidade da Secretaria Especial do Pan-2007.
A arena de vôlei de praia projetada para a Praia de Copacabana ficará sob tutela do Governo Federal. O Comitê atuará no planejamento e na operação, mas a montagem ficará a cargo das instituições governamentais. As licitações deverão ser feitas entre setembro e outubro.
Vila OlímpicaAs obras dentro da Vila Pan-Americana estão adiantadas. Os 17 prédios que abrigarão os cerca de 5500 já estão praticamente prontos e a previsão de entrega um mês antes do Pan deve ser cumprida. O grande problema, porém, está fora da Vila: obras de infra-estrutura a cargo da prefeitura, para o acesso ao complexo, ainda não foram feitas.
Além disso, o TCU está investigando o aluguel que o Co-Rio vai pagar à empresa que está construindo a Vila, pelo uso durante o Pan. De acordo com o relatório, o valor de R$ 25 milhões que será pago pode estar até R$ 11 milhões acima do valor de mercado.