UOL Esporte - Pan 2007
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29/08/2006 - 09h30

Testado, Júlio de Lamare é "oásis" no deserto de obras do Pan

Cauê Rademaker*
Especial para o UOL Esporte
No Rio de Janeiro

Faltando pouco mais de dez meses para o início dos Jogos Pan-Americanos de 2007, o parque aquático Júlio de Lamare é um caso raro entre as instalações que receberão competições no ano que vem. Depois de ser o primeiro a ficar pronto - sua reforma foi entregue em maio deste ano -, o local foi o primeiro a ser testado em um evento de nível internacional.

NADADORES APROVAM
Satiro Sodré/CBDA
Responsáveis pelo espetáculo, os nadadores que participaram do 1º Mundial Júnior de Natação aprovaram as instalações do Julio de Lamare e acreditam que o local está em plenas condições para receber o Pan de 2007.

"Está tudo bem organizado pra caramba. Nunca vi desta forma aqui no Brasil. Está no mesmo nível dos torneios que já disputei lá fora", disse o nadador brasileiro Leonardo Guedes, que ganhou três medalhas neste Mundial (um ouro, uma prata e um bronze). Aos 17 anos, ele já nadou dois eventos na Europa.
Na semana passada, o Júlio de Lamare recebeu o 1º Mundial Júnior de natação e, apesar de algumas falhas na organização, demonstrou estar longe de ser uma preocupação para os organizadores, que já possuem tantos outros problemas com obras inacabadas - algumas delas bem ali ao lado, como o Maracanã (que receberá as cerimônias e o futebol) e o Maracanãzinho (palco do vôlei).

Organizado pela Fina (Federação Internacional de Natação) e pela CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), o Mundial não é considerado um "evento-teste" oficial pelo CO-Rio (Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos Rio-2007) - até porque o parque receberá os jogos de pólo aquático no Pan, e não a natação. Mesmo assim, serviu de parâmetro para avaliar suas condições.

"Correu tudo bem", resumiu Ricardo Cabral, um dos responsáveis pela organização do Mundial de natação e que no Pan será o coordenador técnico do pólo aquático. "Foi um evento de natação, que é diferente do poló aquático, única modalidade que será disputada aqui no Pan, mas serve para testarmos a organização em geral", completou.

Em termos de estrutura, três piscinas estão à disposição dos atletas, sendo uma para as disputas e outras duas para aquecimento. Responsável pela obra, a Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro) reformou a piscina de 50 m - que ganhou um sistema anti-marolas para reduzir as ondulações na água -, o tanque de saltos ornamentais e a piscina coberta de 25 m.

A sala de imprensa montada para o evento (permanecerá para o Pan) possuía dez computadores com banda larga, além de outras duas dezenas de pontos para computadores portáteis. O acesso dos repórteres aos atletas e treinadores foi feito através de uma "zona mista", procedimento padrão nos principais eventos esportivos do planeta, evitando aglomerações ao redor da piscina.

Para os torcedores, o acesso à arquibancada - parcialmente coberta - foi fácil. Entretanto, torcida, imprensa e atletas entraram e saíram do complexo pela mesma saída, o que não é praxe ao redor do mundo. Além disso, foi comum ver torcedores sentados em locais destinados a familiares dos competidores - bem fiscalizada, a tribuna reservada para dirigentes foi respeitada.

O estacionamento é o mesmo do Maracanã, que fica colado ao parque aquático, e comporta um bom número de carros. O preço cobrado foi de R$ 5 por carro, mas os organizadores do Mundial não souberam informar se esse valor será mantido para o Pan, pois a administração do estacionamento é da Suderj. Assim como acontece em dias de jogos de futebol, o atendimento deixou a desejar. Os funcionários trataram os clientes com mau-humor e, na maioria dos casos, não tinham troco para quem pagava pelo serviço.

Curiosamente, os que trabalhavam de graça eram mais solícitos. Ao todo, 140 voluntários de diferentes idades e sexo participaram do Mundial de natação e esbanjaram bom-humor no trato com torcedores, imprensa, dirigentes e atletas. A maioria foi convocada através do cadastro do site oficial do Pan, enquanto outros, já veteranos em eventos deste porte, têm seus nomes em um banco de dados.

"Participei de um evento de atletismo e meu nome ficou guardado. Depois já me chamaram outras duas vezes. Espero estar ajudando no Pan-Americano", disse o voluntário Diogo Souza, 28, que é jornalista.

Apesar da boa vontade, os voluntários não conseguiram evitar uma certa confusão. Com informações desencontradas sobre o local apropriado para as entrevistas, eles penaram para organizar o trabalho da imprensa, que demorou a descobrir o seu devido lugar no primeiro dia do evento. Problema que foi superado no dia sguinte.

"Esse tipo de evento também é importante para vermos os voluntários. Tudo serve como teste para dar tudo certo no Pan-Americano", disse Ricardo Cabral.

Da atual estrutura, praticamente tudo será mantido para o Pan-Americano. O que será desmontado é a arquibancada oposta a dos torcedores, montada para o Mundial de natação apenas para abrigar os atletas e técnicos. "Essa arquibancada não é necessária no pólo aquático, então não vai estar mais ali. Mas teremos de colocar uma passarela para os juizes. No entanto, são poucas mudanças", explicou Cabral.

A primeira oportuidade de observar o Júlio de Lamare como ele realmente estará no Pan será o Pré-Mundial de pólo aquático, entre 28 de outubro e 5 de novembro. "Vai ficar mais fácil até fazer o pólo aquático, porque teremos o número certo de seleções e limite de atletas por equipes, então já sabermos exatamente quantos serão os jogadores", finalizou o coordenador.

* colaborou Vicente Toledo Jr.