Desde os anos 90, a classe Laser é sinônimo, no Brasil, de Robert Scheidt. No período, o velejador paulista conquistou três medalhas olímpicas, duas delas de ouro, ganhou oito Campeonatos Mundiais e mais de 100 títulos. Em Pan-Americanos, foram três participações, com três ouros.
| TREINO EM CONJUNTO |
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 Os "laseristas" brasileiros aproveitaram para adotar uma tática no mínimo inusitada para se preparar para o Mundial da Coréia, que começa na quarta-feira. Eles deixaram de lado a briga por uma vaga no time permanente do país e se reuniram em Santa Catarina para treinar juntos para a competição.
Atual dono da vaga da classe Laser na seleção permanente, o catarinense Bruno Fontes (foto) liderou o grupo, que tinha ainda Eduardo Couto, atual campeão sul-americano, Mateus Tavares, Andreas Perdicaris, Carlos Fanucchi, César Gomes e Juliano Rosa. |
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A partir dessa semana, porém, cinco brasileiros começam a mostrar ao mundo que, no país, Laser não é apenas Robert Scheidt. Bruno Fontes, Eduardo Couto, Mateus Tavares, Andreas Perdicaris e André Streppel disputam em Jeju, na Coréia do Sul, o primeiro Campeonato Mundial da classe sem o supercampeão. É, também, a primeira chance para o grupo dar a Scheidt um recado: a vaga na Laser para o Pan do Rio de Janeiro ainda não tem dono.
"O Brasil é uma potência na classe Laser há muito tempo, devido ao Robert e ao Peter (Tanscheidt, tricampeão mundial) e hoje o país tem pelo menos três velejadores em condições de trazer excelentes resultados do exterior. O nível técnico do Robert está acima de qualquer outro no mundo, mas existem velejadores, no Brasil inclusive, que estão muito próximos", diz André Streppel, 10º colocado no Mundial de 2005, melhor colocação brasileira depois de Scheidt.
"O Pan é a meta de todos os atletas brasileiros, pois o país estará completamente voltado para os Jogos. Conseguir vencer as eliminatórias já seria ótimo. Afinal, tenho que passar pelo Robert e todos os outros brasileiros. E, se chegar ao Pan, sei que tenho reais chances de medalha", avisa o catarinense Bruno Fontes, melhor do país no ranking mundial da Isaf (Federação Internacional de Vela), depois do bicampeão olímpico.
Tanto otimismo, ainda mais em um grupo que nunca derrotou Scheidt em uma competição importante, tem origem na migração de octacampeão mundial para classe Star em 2006. Mesmo que temporária (o paulista volta à Laser em 2007), a mudança abriu espaço para que os demais brasileiros da classe saíssem da sombra do atleta.
"O Robert é uma referência, que nos faz querer melhorar e ajuda nos treinamentos. Se ele não fosse brasileiro, talvez nenhum laserista estivesse com tanta vontade de substituí-lo", explica Streppel. "Os brasileiros estão sempre brigando por títulos. Agora, com a ausência do Robert, espero que a equipe do Brasil consiga manter esta seqüência de bons resultados. Preparação e experiência não faltam. Este é o meu sétimo Mundial e nunca estive tão preparando", afirma Fontes.
A sombra, porém, não é o único motivo de empolgação. A seletiva para definição do time brasileiro será em março de 2007. A competição deve ser a primeira de Scheidt na volta à Laser. "Se você pega um atleta com menos treino que você, sempre é melhor", analisa Andréas Perdicaris, atual líder do ranking brasileiro, com uma ressalva: "O Scheidt ficou competindo durante todo este tempo. Mesmo que em outra classe, ele manteve o ritmo de regata".