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15/09/2006 - 09h38

Sem dinheiro, lutadores trocam Mundial na China por Jogos Abertos

Fernanda Brambilla
Em São Paulo

Os atletas brasileiros da luta sonhavam em disputar o Mundial da modalidade, no final do mês, em Gwangzou, na China, como um dos mais importantes estágios de preparação para a disputa do Pan-Americano de 2007. Entretanto, vão ter que se contentar com uma competição muito mais modesta. Sem dinheiro para viajar, restou apenas a disputa dos Jogos Abertos do Interior, em São Bernardo do Campo.

LUTA DENTRO E FORA DO TATAME

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Principal nome da luta no país, prata no Pan em Sto Domingo...

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...Jaoude teve ajuda "por fora" para conseguir ir ao Mundial

Segundo o presidente da Confederação Brasileira de Lutas Associadas (CBLA), Pedro Gama Filho, o alto preço das passagens aéreas impossibilitou a participação do torneio da China. "São quase US$ 3 mil só para enviar cada atleta, e pra nós é uma quantia inviável de bancar", afirmou.

Para o diretor técnico da Confederação, Roberto Leitão, a perda é grande. "É o campeonato de maior nível que há, é essencial participar."

Surpreendidos pela decisão, anunciada em cima da hora, alguns lutadores de elite do país tentaram conseguir ajuda financeira por outros meios.

Antoine Jaoude, prata nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo-03, presente nas Olimpíadas de Atenas-04 e atual campeão brasileiro na categoria até 96kg, apelou, sem sucesso, aos patrocinadores. "O alto preço das passagens aéreas impossibilitou um acordo", afirmou.

O lutador já tinha perdido a esperança quando um empresário amigo de seu pai concordou em ajudá-lo a bancar as despesas do principal nome da modalidade no país. Jaoude deve ser o único representante brasileiro na China.

"Parece estar tudo certo, mas só vou comemorar quando tiver a passagem na mão. Estou torcendo, é muito importante pra mim", afirmou Jaoude.

Entre os destaques do feminino, a gaúcha Caroline Lazzer, campeã na categoria até 67 kg, não teve a mesma sorte.

"A decisão foi em cima da hora e me pegou desprevinida. Tentei a Universidade de Caxias do Sul e até o governo do Estado, mas ninguém me recebeu. É triste, mas fazer o quê? O jeito é ficar por aqui e mudar o foco", afirmou a lutadora do Rio Grande do Sul, que aceitou convite de São Caetano para disputar os Jogos Abertos.

MEDALHA INÉDITA EM MUNDIAIS
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Para Aline Silva (de azul), a medalha marca a volta triunfal da lutadora ao esporte, após um abandono de dois anos das competições.

"Eu já tinha decidido procurar emprego e ajudar em casa. Distribuí currículos em empresas, para qualquer telemarketing que fosse. Foi então que eu consegui patrocínio e voltei a me dedicar à luta", conta Aline.

Um ano e meio depois, a lutadora conquistou o vice-campeonato Mundial Jr, a primeira medalha do Brasil. "Contando assim, parece coincidência. Essa medalha era pra ter vindo muito antes", afirma Aline, que agora se firma de vez na categoria sênior.

Na Guatemala, Aline contou com uma ajudinha extra. "O técnico dos EUA me passou dicas de como a ucraniana lutaria. Ele deve ter pensado que eu seria uma adversária mais fácil para a americana", contou.

Mas o feitiço virou contra o feiticeiro e Aline não apenas venceu a ucraniana Olga Dmukhovska, como também bateu a norte-americana Ali Bernard. Só parou na final, contra bielorussa Vasilisa Marzaliuk.

O presidente da CBLA, Pedro Gama Filho, espera que o resultado traga incentivos. "Quem sabe isso não abre os olhos de algum patrocinador? Não tem como não dar retorno."
Para Carol, a preparação para os Jogos Pan-Americanos foi prejudicada. Na seletiva, gaúcha enfrentará a goiana Juliana Borges, bicampeã pan- Americana, quarta colocada em Santo Domingo, que atualmente treina nos Estados Unidos.

"E ela é a franca favorita", reconhece Carol. "O Mundial seria uma grande chance de treinar lá fora e adquirir experiência. Estamos a um mês do início das seletivas", ameniza.

Prévia do futuro
Recém-chegada da Guatemala, onde conquistou a primeira medalha brasileira em Mundiais, ainda que na categoria Júnior, Aline Silva também disputará os Jogos Abertos por São Caetano.

Mas em seu caso específico, a competição servirá justamente como uma prévia do que a lutadora enfrentará pela frente nas suas seletivas para o Rio. "A partir do momento que terminou o Mundial, eu vivo para o Pan", conta a lutadora de 19 anos.

Nos Abertos, Aline terá como adversária Rosângela Conceição, campeã brasileira e pan-americana, que defenderá São Bernardo. Rosângela já conquistou o ouro para a cidade no judô.

"Espero que a medalha me ajude no lado psicológico, porque sei que serão lutas duras, nos Jogos e em cada uma das seletivas", afirma Aline.

A primeira das quatro seletivas para os Jogos Pan-Americanos acontece nos dias 8 e 12 de outubro, em São Paulo e Rio de Janeiro.

Como "compensação" ao Mundial, a CBLA adiantou que planeja viagens preparatórias pré-Pan. "Vamos tentar lugares que sejam de acordo com nosso orçamento, mais perto", afirmou Gama Filho.