Debutante no Pan 2007, o futsal tem como principal objetivo provar que é uma exceção à regra aplicada aos esportes "pequenos". Se algumas modalidades consideram o Pan como a chance única de brilhar, o futsal traça planos ambiciosos: fazer uma estréia de luxo e firmar-se como candidato a integrar o programa olímpico.
| BRASIL, O EX-NÚMERO UM |
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Nos últimos dois anos , o Brasil foi desbancado da condição de favorito pela Espanha, que levou os dois últimos títulos do Campeonato Mundial, vencido pelo Brasil nos três anos anteriores.
Para os dirigentes brasileiros, no entanto, até mesmo esse cenário tem ângulo positivo. "A Espanha conta com a Liga mais forte, os melhores salários e os nossos melhores brasileiros, é a grande favorita. Mas isso é uma prova de que o futsal está se desenvolvendo a nível mundial, existem novas potências que enfrentam o Brasil em igualdade", analisa o supervisor Reinaldo Simões.
Em 2004, além da Espanha, o Brasil foi superado pela Itália, ficando apenas com o bronze. E a briga deve piorar. Boa notícia ou não, Rússia, Sérvia e Croácia também prometem dar trabalho. |
Os dirigentes brasileiros crêem que o futsal já deveria ter sido incluído nas Olimpíadas e apontam a demora do convite como simples fruto de uma "discussão política".
"A verdade é que somos prejudicados pela briga de interesses entre o COI (Comitê Olímpico Internacional) e a Fifa", resume o presidente da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS), Aécio Vasconcelos.
"Um exemplo disso são as divergências ao longo dos anos sobre a idade dos jogadores na Olimpíada. Primeiro limitam, depois aumentam, depois restringem... O futsal nunca teve a cobertura que merece."
Pensando assim, a CBFS espera conseguir, no Rio, maior visibilidade para o esporte e mostrar que, se não tem o apelo popular e as cifras milionárias do futebol, o futsal já está, digamos, bem encaminhado.
"Com a entrada no Pan, posso dizer que o futsal volta a viver uma grande fase. Mostrar o esporte em uma competição dessas é uma emoção muito grande. Nossa expectativa é ver o ginásio lotado, as pessoas vibrando. Estamos sonhando com isso", afirma o supervisor da seleção brasileira, Reinaldo Simões.
Para o presidente da CBFS, o Pan é uma vitrine para mostrar ao COB e ao mundo que o futsal pode dar bons lucros. "A Fifa sabe que tem um grande negócio na mão, que é difundido em todo lugar do mundo atualmente. Ela está interessada. Só falta visibilidade mundial", afirma Vasconcelos, que ainda cutuca o "queridinho" futebol.
"No futebol, apesar de todo patrocínio, os clubes vivem sem dinheiro, salários atrasam, sem falar nos escândalos. O futsal é uma modalidade organizada, está crescendo e ganhando mercado no país e mundialmente".
No segundo turno da última edição da Liga Futsal, metade dos jogos foram televisionados, índice comemorado como medalha. "O número de patrocinadores aumenta a cada ano e o esporte está se solidificando entre os grandes", assegura o presidente da CBFS, que enumera, entre os "grandes" patrocinadores da modalidade, Tramontina, Banespa/Santander e Malwee.
A SINA DO "PRIMO POBRE"

Falcão foi eleito o melhor jogador de futsal do mundo em 2004...

não resistiu e tentou, sem sorte, jogar no campo no São Paulo
Unindo esforços para "dar uma boa impressão", a Confederação tem como trunfo a construção de um novo centro de treinamento de 42 mil metros para a seleção brasileira em Fortaleza, inspirado na Granja Comary. Segundo o projeto, serão três ginásios para treinos, além de instalações para fisiologia, musculação e hospedagem aos atletas.
"Queremos que nos vejam como profissionais. A luta pela Olimpíada já tem mais de 20 anos. Conseguimos o Pan", diz Simões, que acredita que agora, falta senão pouco, um pouco menos.
Seleção brasileiraPara a seleção brasileira, no entanto, o momento ainda é de renovação. A equipe, que viu a Espanha tomar seu posto como líder do ranking mundial, ainda tenta emplacar a geração pós-Falcão, eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo em 2004.
Para voltar às boas, Simões limita os obstáculos a Colômbia e Argentina, mais uma vez a maior rival no caminho do ouro do Pan. "O cenário nesses países é parecido com o nosso. Acreditamos no nível da equipe e o que a gente mais quer e precisa é levar esse título".
Se o futsal evita o rótulo de "primo pobre" do futebol, ao menos a sina da seleção é parecida. O Brasil também é, na modalidade, celeiro de exportação de atletas.
"O Brasil é uma fábrica de jogadores para o mundo. Hoje todos os jogadores da seleção jogam na Espanha, porque lá recebem salários equivalentes aos de futebol", lamenta Vasconcelos.
Da última relação de atletas convocados para treinamento em julho desse ano, só o goleiro Leo defende a Ulbra. Do resto, todos são galegos: Cidão (Caja Segovia), o goleiro Franklin e o pivô Simi (Polaris World Cartagena), André (Playas de Castellón), Ciço e Betão (Lobelle de Santiago), Índio (Barcel Euro Puebla), os alas Marquinhos, Gabriel, Neto e Schumacher (Boomerang Interviú), Rafael (Las Rozas Boadilla), Vinícius (El Pozo Múrcia) e o pivô Fernandinho (Azkar Lugo).
"Não há como evitar a debandada dos craques. Mas como status olímpico implica em verba federal, isso poderá ser a saída para trazer os atletas de volta", torce o presidente da CBFS, que por enquanto, comemora o Pan.