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29/09/2006 - 16h39

Por solução rápida, obras na Marina podem ser desmembradas

Bruno Doro
Em São Paulo

A disputa da vela nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro pode ser salva por uma manobra jurídica. Com uma liminar que impede a continuação da reforma no local, um desmembramento das obras pode autorizar apenas as obras essenciais para que o Pan seja realizado.

ENTENDA O PROBLEMA NA MARINA
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Marina da Glória antes do início das obras
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Projeto de como ficará a Marina. Impasse está na nova garagem náutica, no canto direito inferior de imagem, que mudaria a paisagem do Parque Aterro do Flamengo, tombado pelo patrimônio histórico nacional
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"As obras continuam paradas, mas estamos analisando algumas saídas para isso. Uma delas é desmembrar as obras. Assim, ganharíamos tempo", explica o diretor de náutica da Marina da Glória, Nelson Falcão, velejador medalhista olímpico.

A solução já tinha sido sugerida por Lars Grael, também medalhista olímpico e ex-secretário de Esportes do Estado de São Paulo. "Não conheço profundamente o projeto, mas acho que a divisão poderia ser uma solução. Se for possível, poderíamos fazer primeiro os trabalhos náutico-operacionais, pensando no Pan, e deixar para depois a expansão das dependências da Marina", diz.

Um provável desmembramento pode atender às exigências do Inphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que conseguiu a liminar que parou as obras. Segundo a entidade, nenhuma nova edificação pode ser erguida no Parque do Flamengo, que é tombado.

O projeto original da Marina prevê a construção de uma nova garagem náutica. O problema é que não existe uma definição sobre se a Marina está dentro da área tombada ou não. Além disso, a altura dessa nova garagem também seria um problema, já que obstruiria a vista do Parque do Flamengo, que faz parte do projeto de Bourle Marx para a região.

A alternativa chega em boa hora para o Co-Rio (Comitê Organizador do Rio 2007). Nesta semana, uma liminar da Prefeitura do Rio de Janeiro pedindo a continuidade das obras foi negada pelo TRF (Tribunal Regional Federal) e alarmou os envolvidos.

O Co-Rio divulgou uma nota em que afirma que a Marina da Glória é a única alternativa para as competições de vela e que não existe um plano B caso as reformas não fiquem prontas. Além disso, o presidente da FBVM (Federação Brasileira de Vela e Motor), Walcles Osório, admitiu temer que a disputa da modalidade corria riscos.

Antes, velejadores e medalhistas olímpicos brasileiros já tinham divulgado um manifesto pedindo a liberação das obras da Marina. "O Rio de Janeiro precisa de um lugar para abrigar as grandes competições de vela e a nova Marina seria o lugar ideal. Por isso essa reforma é necessária", diz o bicampeão olímpico Marcelo Ferreira.