O velejador Robert Scheidt quer se despedir da Laser, a classe em que conquistou oito títulos mundiais e três medalhas olímpicas, no Pan-Americano do Rio de Janeiro. O plano, porém, só vai se tornar realidade se ele conseguir superar a seletiva brasileira para a competição. Para o paulista, essa disputa será tão difícil quanto conquistar o ouro no Rio 2007.
| SCHEIDT ESCOLHE A CLASSE STAR |
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 A disputa pela vaga do Brasil na classe Star nas Olimpíadas de Pequim-2008, reunirá o maior número de medalhas da história. Nesta quinta-feira, Scheidt anunciou que fará a próxima campanha olímpica na Star.
O anúncio torna, oficialmente, Scheidt, dono de três medalhas olímpicas, e Torben Grael, cinco vezes medalhista, rivais pelo lugar da classe na China. "Desde Atenas as pessoas me perguntam se vou deixar a Laser. Hoje, é claro que o caminho é a Star. Estou pronto para o desafio", explicou. |
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"O nível da seletiva no ano que vem será muito alto, com cinco velejadores com chances reais de ficar com a vaga. O nível é muito próximo e pode ser até maior do que o que o vencedor vai encontrar para a disputa do Pan em si", afirma Scheidt, que nesta quinta-feira anunciou que, para as Olimpíadas de Pequim-2008, velejará na classe Star.
Segundo Scheidt, além dele, os outros candidatos para a vaga são André Streppel, Bruno Fontes, Eduardo Couto e Andréas Perdicaris. Dos quatro, os dois primeiros são os que atravessam melhor fase. Streppel acabou de vencer Scheidt no Pré-Pan, realizado em outubro, no Rio. Fontes foi o melhor brasileiro no Mundial de Jeju, na Coréia do Sul, em setembro.
"Se fomos comparar, na seletiva teremos cinco lutando por uma vaga. No Pan, o Canadá tem o quarto melhor do mundo e o Chile tem um velejador bom, mas os brasileiros estão no mesmo nível. A seletiva não deve nada ao Pan", analisa o brasileiro.
No Mundial de Jeju, por exemplo, o canadense Michael Leigh foi o melhor das Américas, com o quarto lugar, seguido por outro canadense, Bernard Luttmer, em 11º. O chileno Matias Del Solar foi o 15º, logo à frente de Bruno Fontes.
Para evitar tropeços, Scheidt ajustou seu calendário para o próximo ano. Desde o meio de novembro ele voltou a treinar em seu barco da Laser, para a Seletiva do Pan, marcada para o começo de fevereiro, no Rio.
"É tempo suficiente para chegar preparado. O Laser exige muita manobra e é importante ter muito contato com o barco para ir bem, algo que não tive antes do Pré-Pan", lembra o velejador, que ficou em segundo na única competição que disputou na classe no ano.
A realidade para o Pan, porém, é diferente. Ele e seu proeiro na classe Star, Bruno Prada, vão passar uma longa temporada na Europa, a partir de abril. Em julho, entre 3 e 13 ele disputa, na Star, o Mundial de Cascais, a principal competição da temporada. Dois dias depois, começa o Pan-Americano, na Laser.
"Como a Lser é uma classe em que todos os velejadores usam o mesmo equipamento, o que faz a diferença é o tempo em que você fica em cima do barco. Passei muito tempo longe, mas ainda sou um bom velejador de Laser, mas não tenho o algo a mais que fazia a diferença. Acho que até a seletiva, terei tempo para conseguir isso. Se conquistar a vaga, para o Pan será tudo muito corrido", completa.