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04/01/2007 - 15h11

Rio aciona agentes, câmeras e aviões para segurança do evento

Por Pedro Fonseca
Da Reuters
Em São Paulo

Catorze mil agentes de segurança, 600 câmeras espalhadas pela cidade, 27 aeronaves e pelo menos um policial de cada um dos 41 países visitantes serão utilizados para garantir a segurança do Pan-Americano do Rio de Janeiro contra três ameaças principais: violência no trânsito, organizações criminosas e terrorismo internacional, disse à Reuters um dos responsáveis pelo projeto.

Diante de seu maior desafio de segurança de um evento desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, conhecida como Eco-92, a cidade terá um orçamento de 385 milhões de reais para tentar garantir a paz dos 700.000 turistas esperados para julho, incluindo os 5.500 competidores.

A preocupação com a segurança aumentou após a onda de violência registrada na cidade, no dia 28 de dezembro, que deixou 19 mortos e provocou mais medo entre a população, mas, por ora, não acarretou nenhuma mudança no plano original.

A participação de agentes da Força Nacional de Segurança, que já estava prevista para o evento, deve ser antecipada, conforme pedido do governador Sérgio Cabral (PMDB). O plano original previa a atuação dos 7 mil homens disponíveis na Força Nacional durante os Jogos.

A presença do Exército nas ruas, como aconteceu em 1992, não está descartada, e a retirada dos mendigos das calçadas já começou.

A promessa é de policiamento integrado e discreto, porém presente desde o desembarque das delegações no país. A precaução tem sido a palavra de ordem da equipe comandada pelo Gabinete de Gestão Integrada do Pan, que garante estar pronta para lidar com as mais variadas ameaças, desde o sequestro de autoridades até turistas assaltados nas ruas.

"Nosso desafio é a integração dos diferentes organismos de segurança do país num plano de segurança inédito no Brasil e na história dos Jogos Pan-Americanos", disse à Reuters o coordenador das ações de segurança do Pan, Hilário Medeiros.

Integração
Para minimizar o temor diário causado pelas constantes ações das organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas, a Secretaria Nacional de Segurança Pública já vem realizando trabalhos de integração de jovens com o evento em diversas favelas, incluindo a Cidade de Deus, que fica muito próxima da Vila Pan-Americana e do Complexo Esportivo do Autódromo.

Nesse sentido, o coordenador das ações de segurança do Pan, afirma que também já foi iniciado um trabalho de reintegração familiar com as centenas de pessoas que moram nas ruas da cidade.

"Essas pessoas estão sendo reconduzidas para suas famílias e, em alguns casos, para abrigos. Não vamos tirar da rua somente durante o Pan e depois tudo voltar como antes", disse Medeiros.

Durante os Jogos, câmeras estarão posicionadas em pontos estratégicos da cidade, incluindo todas as instalações esportivas, transmitindo imagens a um centro principal de operação, cujo local é mantido em sigilo. Também receberão atenção especial os principais pontos turísticos da cidade, como Cristo Redentor e Pão de Açúcar.

"Quando se trabalha com segurança, depende da ótica. Hoje nossa grande preocupação é com a circulação das delegações na cidade, por isso, estaremos 24 horas vigiando os passos da família pan-americana", acrescentou.

A seis meses da abertura do torneio, em 13 de julho, o trabalho mais intenso dos responsáveis pelo projeto tem sido a análise de risco individual dos 41 países visitantes, com destaque para os Estados Unidos, alvo de manifestações políticas ao redor do mundo.

"Todas as hipóteses estão sendo avaliadas e é claro que, num evento desta proporção, o terrorismo deve ser considerado. As aeronaves (helicópteros e planadores) estão sendo adquiridas e o espaço aéreo será vigiado com muito rigor", afirmou Medeiros, lembrando que agentes norte-americanos foram consultados para a elaboração do programa e estarão no Rio durante o evento.

Quanto ao Exército, que tomou as ruas da cidade de forma ostensiva durante a Eco-92, Hilário disse que "o Brasil não pode prescindir de uma força tão respeitada e de competência". Mas não deixou claro qual será a participação das Forças Armadas.

Reconhecida pelas belezas naturais tanto quanto pela criminalidade, a cidade do Rio espera aproveitar-se de um eficiente esquema de segurança no Pan para melhorar a imagem no exterior.

À espera dos visitantes, 15.000 pessoas serão treinadas em inglês, espanhol, hospitalidade e até mesmo primeiros-socorros para deixar uma boa impressão e capitalizar ao máximo a presença concentrada de turistas igual somente ao Carnaval.

"Não tenho dúvida de que, em termos de segurança, o Rio entrará em um novo nível. Problemas existem em qualquer cidade do mundo, mas não só o problema da segurança estará resolvido durante os Jogos como permanecerá solucionado na cidade", disse à Reuters o secretário municipal de Turismo, Rubem Medina, bastante otimista.