Hora extra virou normal em vários canteiros de obras pela cidade do Rio de Janeiro. Correndo contra relógio para entregar a tempo as diversas instalações esportivas que serão usadas nos Jogos Pan-Americanos que começam em julho, operários já trabalham 24 horas por dia nas instalações mais problemáticas para o evento.
 Maracanã: partidas do Flamengo pela Copa Libertadores podem atrasar a sua entrega |
Na Cidade dos Esportes, nome dado pela prefeitura ao complexo do Autódromo, e no Estádio Olímpico João Havelange, centenas de operários fazem turnos noturnos desde o meio de 2006. Segundo o site da Prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo, só na Arena Multiuso do Autódromo, que será usada nas competições de basquete e ginástica, são 600 operários trabalhando no total, 70 deles à noite.
A correria também acontece no Complexo Esportivo de Deodoro, na Vila Militar. A obra, de responsabilidade do Ministério dos Esportes, é uma das mais atrasadas. O local irá receber novos centros nacionais de hipismo, hóquei na grama, pentatlo moderno, tiro esportivo e tiro com arco. Todas as fundações já foram erguidas e as estruturas pré-moldadas já começaram a ser montadas. As instalações, porém, receberam críticas do grupo de presidentes de comitês olímpicos da América do Sul que visitou o Rio na semana passada.
Outro "calcanhar de Aquiles" do Rio 2007 é o estádio de Remo da Lagoa, que ainda enfrenta dificuldades judiciais. O estádio antigo é tombado e não pode ser demolido, como o governo do Estado do Rio pretendia.
Tudo isso somado ao problema na Marina da Glória, que continua com as obras paradas pelo mesmo motivo do estádio de remo. O Comitê Organizador do Rio 2007 (CO-Rio), inclusive, praticamente desistiu de forçar o Ministério Público a liberar as reformas, embargadas sob alegação de que o Parque do Flamengo, onde está localizada a Marina, é tombado pelo patrimônio histórico.
Durante a semana, o presidente do CO-Rio e do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, admitiu que o tempo para as obras já é insuficiente para os trabalhos que teriam de ser feitos. Assim, os organizadores já pensam em usar a Marina sem as reformas, usando apenas estruturas temporárias.
Tudo isso às vésperas de mais uma visita de inspeção da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), no começo de fevereiro. "As obras estão em ritmo acelerado, como todos que visitam as instalações podem ver. Aguardamos receber tudo durante o mês de maio. Quanto à visita da Odepa, vamos discutir todas as instalações. A Marina tem hoje dificuldades em termos judiciais e nós falaremos abertamente sobre todas as questões", explicou Carlos Roberto Osório, secretário geral do CO-Rio.
Confira agora qual a situação das instalações problemáticas para o Rio 2007:
Marina da Glória Marina da Glória: paralisação em dezembro |
As obras, previstas para seis meses, foram paralisadas pela última vez em dezembro. A concessionária praticamente desistiu de seu projeto inicial para o Pan e já tenta a aprovação de projetos menores. O mais novo deles, com uma garagem náutica de apenas três metros (o projeto original tinha 15), já faz parte de uma ação ordinária ajuizada na 10ª Vara da Justiça Federal.
Enquanto isso, o CO-Rio já trabalha com planos alternativos. Uma saída é usar a área velha da Marina da Glória, que recebe vários eventos de grande porte, como a parada brasileira da regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race ou o salão náutico do Rio de Janeiro, ambos eventos náuticos que precisam de uma grande estrutura.
Além disso, o comitê fez uma análise em dois outros locais: o Iate Clube do Rio de Janeiro e a Escola Naval. Apesar dos organizadores terem considerado as duas opções insatisfatórias, entre os velejadores seriam duas saídas viáveis. O Iate Clube, inclusive, foi muito elogiado durante a visita do CO-Rio. A única pendência seria a área de isolamento para o evento. Fontes dentro do clube garantem, porém, esse impasse poderia ser resolvido com mais debate.
Complexo do Autódromo (Cidade dos Esportes) Jacarepaguá: destino indefinido pós-Pan |
As obras, coordenadas pela prefeitura do Rio, são as que mais avançaram nos últimos meses. Na semana passada, a Arena multiuso, por exemplo, estava praticamente coberta, com mais de 500 operários trabalhando durante o dia e quase 100 operando no turno da noite.
Os prazos de entrega, porém, estão todos muito próximos do Pan. O Parque Aquático deve ficar pronto na primeira quinzena de abril, a arena, na segunda quinzena de maio. O velódromo, só em junho. Atualmente, a obra está nas fundações. A prefeitura planeja fazer inauguração para as três instalações, com eventos-teste, antes de entregar o comando ao CO-Rio para o Pan.
Após o evento, porém, ainda não há um destino para os locais. Segundo o subsecretário do Pan da prefeitura, Cláudio Versiani, a Arena Multiuso deve ser concedida para uma empresa privada. O velódromo ficará sob o controle da CBCic, mas o Parque Aquático ainda não tem destino, com a prefeitura planejando oferecer o complexo à Confederação Brasileira de Natação.
Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão) Engenhão: terrenos para desapropriação |
A construção também avança rapidamente. O prédio-estacionamento já foi erguido, o anel está completo e a estrutura de cobertura já foi instalada em um dos lados e está quase pronta no outro. Os vestiários estão sendo finalizados e alguns deles, inclusive, já estão com acabamento, inclusive com as banheiras de hidromassagem.
O problema, porém, fica por conta das desapropriações de alguns terrenos próximos ao Engenhão. São três casas, um campo de futebol pertencente a uma escola e um clube da associação dos ferroviários. Nenhum dos donos está disposto a abrir mão dos imóveis nas atuais condições propostas pela prefeitura.
Saídas, porém, estão sendo analisadas. O campo, por exemplo, deve ser demolido e os alunos poderão usar um outro, dentro do terreno do Engenhão, que será reformado para o início das aulas. O clube ainda precisa definir sua nova sede, que, segundo o presidente da associação dos ferroviários, foi prometida pelo prefeito César Maia no ano passado, mas ainda não foi confirmada.
Todos os terrenos estão em locais importantes para o estádio, em áreas onde ficariam acessos, bilheterias ou estacionamentos da instalação.
DeodoroSede de cinco modalidades diferentes, o centro de Deodoro também sofre com atrasos. Apesar de a obra contar, assim como Autódromo e Engenhão, com operários em turnos noturnos, as cinco instalações avançam a ritmo lento, tanto que foram criticadas pelo grupo de presidentes de comitês olímpicos nacionais que esteve por lá na semana passada.
As obras já estão com as fundações erguidas e todas as estruturas pré-moldadas que serão usadas já estão prontas e sendo montadas. Algumas arquibancadas já estão prontas e a parede do estande de tiro, por exemplo, já foi erguida.
Estádio de Remo da Lagoa Remo: estádio tombado atrasa as obras |
A reforma é mais uma que sofre com problemas com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O estádio é tombado e a reforma previa a demolição das arquibancadas antigas para a contrução de novas. No final de dezembro, uma parte das arquibancadas foi demolida e, logo depois, as obras foram paralisadas.
Complexo Esportivo do MaracanãCom a volta do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, a reforma do Maracanã volta a sofrer com o futebol. O estádio deve ser usado pelo Flamengo durante a disputa da Copa Libertadores, o que atrasaria a entrega ao CO-Rio. O presidente do clube, Kléber Leite, e o novo secretário estadual de Esportes, Eduardo Paes, já estão batalhando para isso.
Além disso, o estádio foi aberto para a primeira rodada do Estadual ainda sem as reformas completas. Banheiros fechados e cadeiras sujas, por exemplo, foram alvos de reclamações de torcedores.
Outro grande obstáculo são as obras do Maracanãzinho. A reforma da sede do vôlei no Pan anda a passos lentos, com pouco menos de 70% dos trabalhos concluídos, e, nos últimos dias, recebeu mais uma infusão de verbas públicas: R$ 53 milhões.