UOL Esporte - Pan 2007
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02/02/2007 - 12h21

Odepa veta Marina da Glória, e Rio já discute plano olímpico

Bruno Doro
No Rio de Janeiro

A Marina da Glória volta a assombrar Pan do Rio 2007. Nesta sexta-feira, o presidente da Comissão de Coordenação da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) para os Jogos, o uruguaio Julio Maglione, apontou o complexo como o primeiro problema em sua nova ronda de inspeção pela capital fluminense.

ENTENDA O PROBLEMA
Folha Imagem
A Marina da Glória está localizada dentro da área do Parque do Flamengo, tombada pelo patrimônio nacional. Para abrigar o Pan, uma empresa privada ganhou a concessão do local por 50 anos, em troca das reformas necessárias.

Essas obras, porém, eram irregulares, já que nenhuma estrutura permanente pode ser erguida no local. A reforma começou, apoiada por liminares, mas a partir de agosto o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) conseguiu seguidas vitórias judiciais e paralisou, pela última vez em dezembro, as obras.

O projeto para o Pan-Americano incluía uma série de melhorias para a Marina, como uma entrada suspensa, para diminuir os riscos dos pedrestes que frequentam o parque, aumento da área de píer e novo quebra-mar.

O trecho polêmico, porém, era uma garagem náutica para abrigar os barcos do Pan. Segundo o Iphan e o Ministério Público, o tamanho da garagem proposta era grande demais para os veleiros usados na competição e pensado na verdade para abrigar lanchas posteriormente.

O projeto chegou a ser alterado e, no dia 9, a prefeitura do Rio enviou ao Ministério Público uma última proposta, com a garagem com apenas três metros de altura.
O CO-Rio (Comitê Organizador do Pan) apostava em resolver a polêmica em torno da sede da vela ao decidir por realizar a competição sem as obras inicialmente previstas em seu planejamento.

Maglione, porém, afirmou que essa não é a solução ideal para o evento, considerando inviável a atual estrutura. O uruguaio agora encaminhou a questão ao presidente da Odepa, Mário Vazquez Raña.

"Considerando a falta de tempo, a gravidade da situação e a importância da vela, em caráter excepcional, extraordinário e provisório, o caso foi encaminhado à direção da Odepa para que resolva o assunto", disse em comunicado. A decisão da Odepa deve sair em 15 dias, de acordo com o dirigente.

"O projeto original é o único que dá garantia de que o nível profissional proposto inicialmente será respeitado. Esta é a única solução que permitira ao Rio participar de uma candidatura olímpica", completou. O Rio já é candidato oficial a sede das Olimpíadas de 2016.

O presidente do CO-Rio, Carlos Arthur Nuzman, se mostrou contrariado com a posição de Maglione, mas disse que "respeita" o comunicado. "Vamos aguardar a decisão da Odepa para tomar uma atitude", afirmou.

Ao ser questionado sobre o motivo de o CO-Rio ter optado pela Marina da Glória mesmo com seus problemas jurídicos, Nuzman respondeu claramente irritado que "essa é uma questão de cinco anos atrás".

Maglione se reuniu nesta sexta com o secretário municipal para o Pan, Ruy Cezar Reis, que mostrou preocupação com a posição da Odepa. A Prefeitura é a responsável pelas obras da Marina. "A Prefeitura vai aguardar a decisão da Odepa para só então encaminhar à Procuradoria Geral do município novas ações", afirmou Reis. Para o secretário, não executar a vela em nível olímpico no Pan "é motivo para repensar a candidatura olímpica para 2016".

"Pelo sentimento de don Julio como membro do COI, acho fatal (para a candidatura carioca), então o Rio tem de repensar uma candidatura olímpica se ocorrer uma decisão desfavorável neste caso. Temos de entrar com uma candidatura viável. Se não conseguir executar no nível olímpico, você sai muito prejudicado", completou.