Após o golpe que a vela sofreu nesta sexta, os velejadores vão usar a seletiva brasileira para o Pan-Americano, que começa neste domingo, para provar que, pelo menos dentro da água, a crise ainda não chegou. O Pré-Pan, de domingo a domingo no Iate Clube do Rio de Janeiro, deve ser a mais disputada seletiva dos últimos tempos. São 110 barcos inscritos nas nove classes pan-americanas.
| CLASSE FANTASMA TEM UM INSCRITO |
|---|
O velejador carioca Bernardo Low-Beer é o único inscrito nas seletivas do Pan na Sunfish, classe que não existe no Brasil. Bernardo, que compete de 470, resolveu importar o novo barco há seis meses, mas ele só foi liberado pela alfândega há três dias. Se completar uma das 11 regatas do Pré-Pan, o velejador estará automaticamente garantido no Pan-Americano.
"Vi que não havia ninguém no Sunfish no Brasil e por isso resolvi fazer uma pesquisa para conhecer melhor o barco, muito popular no Caribe e em resorts nos Estados Unidos. Treinei com ele por três dias e estou achando meio estranho. A vela é triangular e muito colorida", contou o atleta, de 20 anos, filhos de velejadores, que pretende disputar competições no exterior para desenvolver melhor a técnica. "Treinando sozinho não tenho referência de adversários, de velocidade." O investimento no novo barco ficou em torno R$ 7 mil, mais taxas de importação. |
|---|
|
BARRADA MARINA DA GLÓRIA |
"O torneio terá um alto nível técnico, e o representante brasileiro, seja ele quem for, vai brigar por medalha no Pan. A classe Laser é um exemplo disso. Pelo menos cinco velejadores têm chances de brigar (pela vaga)", analisa, em um exercício de humildade, Robert Scheidt, bicampeão olímpico, tricampeão pan-americano e octocampeão mundial, referindo-se a ele mesmo, André Streppel, Bruno Fontes, Eduardo Couto e Mateus Tavares.
A mais disputada das classes é a Snipe, com 25 barcos. Na briga pela vaga, dois dos favoritos chegam muito bem credenciados: Bruno Bethlen e Dante Bianchi, campeões pan-americanos em Santo Domingo-2003, e Xandi Paradeda, campeão mundial da classe em 2003, que veleja no Rio ao lado de Alexandre Tinoco. A segunda classe mais popular, a Laser, tem conta com a volta de Robert Scheidt, após um ano dedicado à classe Star, na qual é líder do ranking mundial.
Outra atração é Ricardo Winicki, o Bimba, atual campeão pan-americano de Mistral e quarto colocado na Olimpíada de Atenas. Será a estréia da prancha RS:X nos Jogos. No Lightning, o duelo deverá ser entre os campeões pan-americanos Cláudio Biekarck e Mario Buckup e o campeão da última Pré-Pan George Rider.
No J/24, o barco de Maurício Santa Cruz, atual campeão mundial e ganhador da medalha de prata em Santo Domingo, é um dos destaques, ao lado da tripulação de Daniel Glomb. Já os atuais campeões pan-americanos Bruno Bethlem e Dante Bianchi tentarão defender o título no Snipe. Das oito classes, apenas a RS:X é aberta a estrangeiros. Todas as outras reunirão apenas brasileiros.
Comando divididoNa última quarta-feira o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) nomeou o interventor da Federação Brasileira de Vela e Motor (FBVM). O ex-presidente, Lars Grael, que assumira em janeiro, deixou o cargo 15 dias depois da posse, alegando problemas fiscais da antiga direção.
O dirigente pediu auxílio ao COB, que deu ao engenheiro Carlos Luiz Martins a missão de restabelecer a ordem administrativa e financeira da entidade. Segundo o antigo presidente da FBVM, Walcles Osório, os problemas são multas aplicadas ao Bingo Augusta, de São Paulo, que funciona ligado à federação, de acordo com a lei Pelé. Carlos Luiz Martins já passou por situação semelhante: foi presidente da Varig e participou do processo de saneamento da empresa.
Com isso, Lars Grael e Alan Adler, que faziam parte da direção que renunciou e foram escolhidos pelo COB para comandar a área esportiva da modalidade durante a intervenção, já começam a trabalhar tranquilos. Inclusive, recrutando duas empresas para patrocinar o Pré-Pan.
"O ano de 2007 é muito importante, com um calendário que inclui também eliminatórias internacionais para os Jogos Olímpicos de 2008. Por isso é tão importante começar a trabalhar sem problemas antigos", diz Lars Grael. "Vamos certamente formar uma equipe bastante competitiva e ajudar o país na busca de medalhas neste Pan tão especial."