Os jornalistas que chegam ao Maracanã para trabalhar se impressionam. A nova tribuna de imprensa, no anel superior do estádio, é completamente vedada, com ar-condicionado, bancadas, tomadas para computadores e cadeiras rotativas. A beleza e o conforto, porém, pouco ajudam: na hora de ver a bola rolando, o que os jornalistas menos vêem é o jogo.
| GINÁSTICA NA TRIBUNA |
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 Estrutura de acrílico atrapalha a visão... |
 ...e obriga jornalista a esticar o pescoço... |
 ...ou abaixar a cabeça para ver o campo |
TUDO SOBRE AS SEDES |
A estrutura em acrílico, que deveria permitir a visualização da partida, distorce a imagem do campo em alguns pontos. Em outros, quem quiser ver a ação dos dois lados do campo precisa fazer ginástica para não perder a bola.
"As cabines não estão boas. A visualização está ruim. A cabine é confortável, mas não está funcional. Fizemos uma pesquisa com a imprensa que costuma vir ao Maracanã e a maioria achava a área anterior, aberta, melhor", diz Pedro Jesus da Costa, presidente da Acerj (Associação dos Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro), entidade que controla o acesso da imprensa ao estádio.
O grande motivo alegado pelos profissionais para preferir a tribuna anterior, além das dificuldades de visualização, é o clima de Maracanã. Dentro da cabine, isolada por chapas de acrílico e ar-condicionado, os gritos da torcida são abafados. Sabe futebol pela televisão? A sensação é parecida.
Vibração das arquibancadas, só quando o estádio está lotado. Quem está dentro da sala pode não se empolgar com o que ouve, mas sente o estádio tremer, literalmente. Durante a segunda partida da final da Taça Guanabara, na última quarta-feira, com 57 mil expectadores, a cabine de imprensa sacudia a cada gol, vibrando com os pulos das arquibancadas.
A sensação começou logo no primeiro lance de jogo, quando a torcida flamenguista começou o coro, já famoso, de "Obina é melhor Eto'o". Quem estava no local sentia a estrutura tremer, chegando a mover canetas deixadas soltas sobre as bancadas.
A nova tribuna de imprensa foi uma das melhorias do Maracanã feita para o Pan-Americano do Rio de Janeiro, que começa no dia 13 de julho. A maior melhoria feita foi a instalação de cadeiras nas gerais, um dos locais mais exóticos do velho Maracanã.
Tradicionalmente, os "geraldinos" são personagens folclóricos e costumam ir às partidas muitas vezes fantasiados. A atração era assistir ao jogo em pé, próximo ao campo. Com as novas cadeiras, porém, a festa acabou: a cada 30 minutos, o placar eletrônico pedia "para o conforto de todos, assista ao jogo sentado".
A reforma do Maracanã foi uma das mais caras entre as instalações do Pan-Americano. Incluindo as obras no Parque Aquático Júlio de Lamare e do ginásio do Maracanãzinho, o complexo será renovado por quase R$ 400 milhões, em verbas do governo estadual e federal. |
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| REFORMA FEITA PARA O PAN |
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A vibração, porém, não incomoda tanto quanto o problema de visibilidade. As maiores dificuldades estão nos lugares logo atrás dos acessos às cabines de rádio, que tem uma estrutura transparente de acrílico que distorce todo o campo.
São nove acessos às cabines. E em todos, o jornalista obrigado a se sentar próximo tem de fazer ginástica para ver o jogo. No centro do campo (imagens ao lado), a situação é pior. Para ver as duas áreas, é preciso esticar o pescoço para cada um dos lados. Para enxergar o meio-campo, então, é preciso se abaixar, para evitar a distorção causada pela cobertura da escada de acesso às cabines.
"Vai ser preciso fazer uma mudança no local. O grande problema é a visibilidade, que realmente tem pontos críticos. Já temos algumas sugestões e vamos falar com o secretário Eduardo Paes para os ajustes", afirma Costa.
Enquanto isso não acontece, a solução é driblar os reflexos e os pontos-cegos do acrílico e rir da situação. Na quarta-feira, por exemplo, quando a torcida do Flamengo começou o coro "Sai do chão, sai do chão, a torcida do Mengão", alguns profissionais responderam: "E a imprensa também. Sai do chão, sai do chão, a imprensa e o Mengão".