Jogos Pan-Americanos de inclusão social vão ficar apenas nos sonhos de ONGs e de moradores das favelas da cidade. No Rio 2007, a participação das comunidades carentes cariocas vai ser restrita.
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 Vanderli é coordenadora dos... |
 Guias Cívicos no Complexo da Maré |
 Participantes têm aula de turismo, cidadania e espanhol há 4 meses |
Atualmente, o único projeto de inclusão social usando como base o Pan-Americano é o Guias Cívicos do Pan, uma parceria da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) com o Sesi que capacita jovens de 14 a 24 anos para trabalhar como guias turísticos durante os Jogos, auxiliando turistas que passam pelas áreas de competições, sugerindo passeios e servindo como guia em excursões.
"Eu fico triste com isso. Falam muito do Pan, estamos sempre vendo na televisão, mas na verdade, nas comunidades a única coisa que estão fazendo é esse projeto dos Guias Cívicos. Precisava de muito mais", reclama o rapper Don, que tem um trabalho de inclusão pelo esporte na Cidade de Deus e, ao lado de Mingau, escreveu o rap "Cidade do Pan", em homenagem ao evento.
Os cursos, de quatro meses de duração, contam com aulas de turismo, ética e cidadania e uma língua estrangeira (inglês ou espanhol). O principal, porém, é uma bolsa mensal de R$ 175,00, paga a todos os alunos freqüentes. Apesar da animação com o evento, a maioria dos participantes admite que o dinheiro, e não a vontade de fazer parte do Pan, é o maior motivador.
"É claro que o Pan-Americano é um impulso, mas a maioria está aqui por causa do dinheiro, que realmente ajuda, e porque não trabalha à tarde, não tem o que fazer. Para falar a verdade, estamos a (pouco mais de ) três meses do Pan e ainda não tem muito clima de Pan. Mas acho não tem como o Pan não integrar a comunidade", explica Tiago Barbosa, de 20 anos, da primeira turma de guias do Complexo da Maré, uma das favelas mais perigosas da cidade.
Vanderli Raimundo Damásio, coordenadora do programa de guias cívicos na Maré e representante da Associação de Mulheres e Amigos do Bairro da Maré (Amabam), quer mais coisas. "Esperamos melhorias na comunidade por causa do Pan, mas isso ainda não aconteceu. Atualmente, temos uma série de programas, mas relacionado ao Pan-Americano só temos mesmo o Guias Cívicos", diz Vanda, como é chamada.
A coordenadora, porém, acha que, com maior vontade dos poderes, a inclusão das comunidades poderia ser ainda maior. "Quando falamos de Pan, o olho de todo mundo brilha. Todos querem participar de algum jeito. Então, se convidarem, nós vamos participar, só precisamos do convite", avisa.
O histórico do Pan-Americano, pelo menos até agora, não ajuda. Durante os preparativos para o evento, a cidade priorizou novas instalações esportivas contra melhorias na infra-estrutura. Metrô, alargamento de ruas, novas linhas de ônibus, muito pouca coisa até agora saiu do papel - e a maioria não vai ser colocada em prática.
Quem mais sofre com isso são as comunidades carentes próximas aos novos complexos esportivos. Na terça-feira, por exemplo, os moradores da favela Canal do Anil fizeram uma manifestação contra a remoção de casas no entorno da Vila Pan-Americana.
No Engenhão, uma série de famílias de grileiros, que moravam em casas há mais de cinco anos, mas não tinham documentos, foram despejadas sem pagamento de indenizações. Além disso, a favela Belém-Belém, que fica em frente a uma das futuras bilheterias do estádio, também deve sofrer alguma ação.
O caso é o mesmo das comunidades próximas ao autódromo, onde está sendo construída a Cidade dos Esportes. "O que estamos tentando mostrar é que não somos contra o Pan. Só estamos lutando pelo que achamos que é o nosso direito", resume o presidente da Associação de Moradores do Canal do Anil, Francisco Roberto dos Santos.