UOL Esporte - Pan 2007
UOL BUSCA

04/04/2007 - 09h00

Pan tenta contornar desastres a 100 dias dos Jogos

Bruno Doro
No Rio de Janeiro

A 100 dias da cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos, em 13 de julho no Maracanã, o Rio de Janeiro já respira Pan. Menções ao evento estão por toda a parte, nos ônibus, no metrô, em camisetas e nos outdoors. Segundo a prefeitura, 146 ruas já se inscreveram para um concurso que irá dar aos moradores da mais enfeitada ingressos para os Jogos.

CONCESSÃO DA MARINA DA GLÓRIA
Folha Imagem
No momento, o grande impasse da Prefeitura do Rio diz respeito ao contrato de concessão da área para a Empresa Brasileira de Terraplanagem e Engenharia, que trocou a reforma da Marina da Glória pelo direito de explorar o local por 50 anos.

Com o embargo à reforma, porém, esse contrato pode ser revisto. Após reunião da Comissão Executiva da Odepa, na semana passada, o prefeito César Maia chegou a dizer que, caso a prefeitura tenha de pagar pelas instalações temporárias necessárias para realizar o Pan, o contrato de concessão deve mudar para apenas dez anos.

Atualmente, nenhum órgão público assumiu os custos das instalações temporárias, que já foram aprovadas pela Odepa para abrigar a base das competições de vela do Pan. O CO-Rio ainda não divulgou o projeto, mas o secretário geral da entidade, Carlos Roberto Osório, adiantou que o valor deve ser muito menor do que os R$ 60 milhões da reforma original.
A pergunta mais ouvida nas ruas mostra que o ar respirado pode ser de Pan. Mas o clima ainda é de preocupação. "Será que vai dar tempo?" é um questionamento recorrente quando o assunto é Rio 2007. E, se depender dos desastres que estão atrapalhando os Jogos nas últimas semanas, os organizadores terão de usar muito o "jeitinho brasileiro" para que, quando o Maracanã receber os dançarinos que irão abrir os Jogos, tudo esteja testado e pronto para os cerca de 5.500 atletas que lutarão por medalhas.

Os atrasos nas obras já são notícia antiga. A pouco mais de três meses do Pan, porém, a maioria dos equipamentos já está sendo finalizado. A grama do estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, já chegou ao Rio de Janeiro e é colocada. As piscinas do Parque Aquático Maria Lenk, no Autódromo, estão sendo testadas. No Complexo de Deodoro, as estruturas temporárias já são montadas.

Os problemas, porém, persistem. Uma das grandes preocupações, no momento, são as paralisações de operários. Trabalhadores pararam em três obras (Engenhão, Parque Aquático e Velódromo) e o sindicato da categoria afirma que em Deodoro também existem peões descontentes.

Os responsáveis pelas obras negam, contudo, que essas paralisações possam prejudicar o andamento. Presidente da Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado Rio de Janeiro), Ícaro Moreno Júnior, negou qualquer tipo de greve em aparelhos tocados pelo governo estadual (Complexo do Maracanã e Estádio de Remo da Lagoa).

"Não tivemos greve ou paralisações, então não devemos pensar em medidas provisórias", explicou. Até agora, somente obras sob responsabilidade da prefeitura sofreram paralisações, apesar de ameaças veladas sobre operários do Autódromo.

Outra greve que gera preocupação, e muito, está em Brasília. Na última sexta-feira, o caos do setor aéreo brasileiro deixou presos no país dois delegados que participaram da reunião da Comissão Executiva da Odepa, que se reuniu no Rio. Durante a semana, o Comitê Organizador dos Jogos admitiu o medo.

"Esta questão nos preocupa muito. Já manifestamos isto até mesmo na Câmara dos Deputados. Na semana passada, dois dirigentes da Odepa não conseguiram retornar aos seus países por causa da confusão nos aeroportos", disse Carlos Arthur Nuzman, presidente do CO-Rio.

Outro desastre que envolve obras são as brigas com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que está analisando duas reformas para os Jogos. O maior problema está na Marina da Glória, em que uma briga entre o instituto, a prefeitura e a concessionária se arrasta há meses. No remo, o Iphan analisa o projeto das arquibancadas.

Isso sem contar a polêmica dos ingressos. Na terça-feira, o Comitê Organizador anunciou como será a venda dos cerca de 1,9 milhão de entradas para os eventos do mês de julho. A maior parte da venda deve ser pela internet e começará apenas no dia 27 de abril, a 77 dias da abertura.

"Não existe atraso nos ingressos. É um evento que não tem precedentes no Brasil. Nunca um evento teve uma venda de ingressos tão antecipada quanto o Pan", garante Nuzman. Só um detalhe: os Jogos Olímpicos de Pequim, no ano que vem, já tem, há tempos, ingressos à venda.

Todos esses problemas podem causar transtornos durante o Pan. Um, porém, pode criar dores de cabeça mais tarde: a CPI do Riocentro, instaurada na semana passada na Câmara dos Vereadores do Rio, para apurar o processo que levou à concessão do local a uma empresa francesa que não tinha o capital inicial exigido.

Diante de tudo isso, só resta aos brasileiros, e principalmente aos cariocas, torcer para que tudo o que puder dar certo, dê. Até agora, um indício aponta para isso. O pai de santo chamado pela prefeitura do Rio para impedir que chova funcionou e o Rio viveu um de seus verões mais secos dos últimos anos.