UOL Esporte - Pan 2007
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04/05/2007 - 09h04

'Quero voltar a ser número um do mundo', diz Maurren Maggi

Claudia Andrade
Em São Paulo

"Quero voltar a ser número um do mundo." É assim, sem falsa modéstia, que a brasileira Maurren Maggi revela os seus planos para a temporada. E para quem duvida do feito, a atleta exibe os resultados já atingidos em 2007. As suas marcas estão entre as melhores do ano seja com ou sem a assistência do vento, em torneios indoor ou ao ar livre.

CARREIRA DE ALTOS E BAIXOS
Divulgação/COB
A saltadora no início de sua carreira, com o então inseparável "Leão"
Folha Imagem
No ápice, em 2003, quando era dona da melhor marca do mundo
Folha Imagem
O choro durante o anúncio da confirmação do caso de doping
UOL Esporte
De volta ao esporte, a atleta brinca com a filha Sofia, de 2 anos
No último sábado, ela alcançou 6,80 m, vencendo o salto em distância no Grand Prix de Dacar, no Senegal. Também em abril, alcançara 6,76 m, em um evento em São Paulo. Marcas muito boas para quem ficou três anos longe das pistas, cumprindo uma punição por doping.

E os resultados foram conseguidos em torneios de menor expressão. Para ela, as prioridades da temporada são o Pan-Americano, em julho, o Mundial de Osaka, no Japão, em agosto, e a Final Mundial de atletismo, em Stuttgart, Alemanha, em setembro.

"Mas será que ela já está no pico?", pergunta, com certa dose de ironia, o técnico da saltadora, Nélio Moura. "A ambição da Maurren é muito maior do que isso", responde. A atleta confirma. "Tem muita coisa ainda pra melhorar. Essas marcas são só o começo."

Para garantir sua participação nas três principais competições da temporada, Maurren terá um calendário apertado. Para o próximo dia 11 está prevista sua participação no meeting de Doha, no Qatar. "Será puxado fazer a viagem até lá, mas a prova é um Super Grand Prix e conta pontos dobrados, o que é importante para ir à Final Mundial", explica Nélio.

Em junho, a saltadora estará no Sul-Americano, que será realizado no Rio de Janeiro, e no Troféu Brasil de atletismo, última seletiva para o Pan, em São Paulo. Maurren já está pré-classificada tanto no salto em distância como no triplo, por ser a primeira colocada no ranking nacional. As duas vagas na equipe brasileira serão ocupadas pela líder do ranking e pela campeã da seletiva.

"A Maurren terá mais ou menos três semanas e meia para se preparar para o Pan e depois do Pan, outras três semanas sem competir, só se preparando para o Mundial", planeja o treinador.

A saltadora prevê uma escala crescente em suas apresentações. "O Pan é importante por ser aqui no Brasil, mas é uma competição fraca, se você for ver. Eu vou para buscar medalha. O Mundial será conseqüência do Pan", avisa.

Mesmo não sendo a disputa mais difícil, os Jogos terão um significado especial para a brasileira. Foi em Winnipeg-99 que Maurren passou a ser conhecida do público, como a menina sorridente e animada, saltitando no lugar mais alto do pódio com as unhas pintadas e o cachorrinho de pelúcia nos braços.

Quatro anos depois, quando era dona da melhor marca do mundo na temporada (7,06 m) e se preparava para repetir a dose em Santo Domingo, a imagem da atleta diante do público foi abalada pelo resultado positivo em um exame antidoping que a deixou dois anos fora das pistas.

Neste período, Maurren não treinou, abandonou o esporte, foi morar com o piloto Antônio Pizzonia em Mônaco e teve uma filha. Só decidiu retomar sua carreira no início de 2006.

"Ela nunca me falou 'parei' e também nunca falou 'vou voltar'. No começo eu passava a planilha de treinos para ela, mas não sabia se ela estava fazendo. Mas quando ela voltou a treinar aqui com a gente, mostrou a determinação que é característica dela", afirma o técnico.

Maurren conta que não deixou de receber roupas e sapatilhas de seus patrocinadores durante o período em que ficou afastada, mas diz ter se desfeito de muitas coisas, já que não tinha a intenção de voltar a usá-las.

"Eu lembro da sensação de tirar o uniforme do fundo do armário. E também do dia em que voltei à pista, aqui no Ibirapuera. Não estava muito quente. Lembro de ter me perguntado: 'o que é que eu estou fazendo aqui?' Mas sabia que eu tinha de fazer atletismo de novo"

A readaptação foi rápida e a atleta acredita que seu amadurecimento pessoal contribuiu para isso. "Eu achei que fosse experiente, madura, mas vi que eu não sabia nada. Consegui bons resultados rápido porque tive força de vontade e determinação. A volta foi dolorosa, tanto na parte física como mental. Mas por ela, valeu", diz, apontando a filha Sofia, de dois anos, que sempre a acompanha nos treinos.

O Pan-Americano vai marcar uma nova etapa, afirma a saltadora. "Eu estarei com 31 anos, que é meu número de sorte (13) ao contrário. Também é no ano 2007 e sete é meu outro número de sorte. Além disso, quero alcançar novamente os 7 metros", diz, supersticiosa.

"Pra mim tem um significado especial, não tem como não ter. O Pan de Winnipeg marcou o começo de tudo, agora é uma questão de honra conseguir um bom resultado", avisa.