Classificada nos 50 m livre, Flávia Delaroli se disse surpresa com a eliminação de Mariana Brochado dos Jogos Pan-Americanos. A nadadora, que estava aquecendo na piscina ao lado quando viu Mariana ficar em apenas quinto lugar na prova dos 400 m livre, que abriu as finais desta sexta-feira no Troféu Maria Lenk, lamentou o acontecido.
"O mundo dela (Mariana) caiu. Não tem muito o que dizer, agora nada vai ajudar a suportar a dor dela, a frustração, a raiva. Como atleta, é muito difícil ver isso, dá até um frio na espinha só de pensar nisso acontecendo comigo", comentou Flávia.
Segundo a nadadora do Pinheiros, depois do momento de tristeza, Mariana Brochado deve refletir sobre as suas prioridades. "Acho que depois, mais pra frente, ela tem que repensar o que quer fazer da vida, se vai continuar nadando, ou se vai parar", disse Flávia. Mariana decidiu não abandonar a faculdade e acumulou os estudos com a rotina de treinos.
"Se ela decidir continuar, vale parar e olhar pra trás para pensar se era isso mesmo, se há algo que ela fez errado ou que podia ter feito melhor, mas sempre pensando em como usar isso para seguir em frente sempre", acrescentou Flávia, que frisou para o lado positivo da prova, a classificação de Manuella Lyrio.
"Alguém tem que chorar pra outra sorrir, infelizmente é assim. Isso serve de exemplo pra todos aqui: bobeou, perdeu", resumiu Flávia.
Outra que acompanhou a tristeza de Mariana de perto foi Fabíola Molina, que esteve fora do último Pan, em Santo Domingo. "Sei direitinho o que ela está sentindo, já estive no lugar dela. As pessoas esperam demais da gente, e a verdade é que às vezes a gente pensa que por ser favorita em alguma coisa, vai conseguir mais fácil, mas o tombo é maior", disse Fabíola, que é a grande favorita para os 100 m costas.
"Acho que agora ela tem que pensar que Deus sabe o que faz. Se ela não vai para o Pan, é porque de alguma forma existe outra coisa aí pra ela. E no próximo, ela vai. Ela é novinha, não pode pensar que acabou só por causa disso", disse Fabíola, de 31 anos. Mariana tem 22.
Para os técnicos, a surpresa também foi grande. João Reinaldo, o Nikita, que acompanha Joanna Maranhão, atribuiu a eliminação à falta de controle emocional. "Ontem ela já estava visivelmente abatida pois viu que as meninas estavam melhor. Hoje, ela não teve forças para reverter isso, porque potencial ela tem", comentou o treinador.
"Além disso, esse monte de imprensa em cima dela depois só dificulta e aumenta a importância disso na vida dela. Porque agora ela tem que tocar a vida, e se reerguer", disse Reinaldo.
Para o técnico Marcos Veiga, que acompanha Manuella Lyrio no Pinheiros, a eliminação também foi um choque. "A Mariana é uma nadadora de muito potencial, então a gente sente muito por isso. Infelizmente, natação é isso. Nem a Manuella achava que iria tão bem", afirmou Veiga.