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16/05/2007 - 14h14

Canto aprova seletivas e já se preocupa com Camilo para o Mundial

Antoine Morel
Em São Paulo

Medalhistas olímpicos, os judocas Flávio Canto e Tiago Camilo souberam uma semana antes de todos os outros da seleção brasileira que estavam nos Jogos Pan-Americanos do Rio. O acordo entre os dois e Carlos Honorato - antigo titular da vaga dos médios (até 90 kg) - fez com que Canto garantisse a classificação no meio-médio (até 81 kg), e Camilo subisse uma categoria.

AURÉLIO MIGUEL CRITICA SELETIVA
O ex-judoca e atual vereador Aurélio Miguel, medalhista olímpico e Pan-Americano, se assustou ao saber que Leandro Cunha havia conseguido melhores resultados que João Derly na categoria meio leve nas competições que serviram como seletivas e mesmo assim não ter conseguido a vaga. "Se eles fossem meus atletas não seria assim. Este tipo de seletiva é ruim", disse ele em um evento na manhã desta quarta-feira em São Paulo.

Derly obteve um ouro e dois bronzes nos três eventos que valeram como teste, enquanto Cunha conseguiu um ouro, uma prata e um bronze. À Folha de S. Paulo no sábado, o judoca descartado afirmou discordar da seleção: "Meus resultados são melhores que os dele [de Derly]. Não concordei. Na hora, falei. Eles [a comissão técnica] disseram que detalhes definiram a escolha. Arrumaram argumentos para levar o João".
O alívio da confirmação para o Pan do Rio, porém, não deixa Flávio Canto totalmente relaxado. A certeza da volta de Camilo para os meio-médios preocupa o judoca carioca. "Acho que para ele lutar no médio ainda falta um trabalho a longo prazo", diz Canto, que brinca em seguida: "Até já ofereci uma feijoada para ele (Camilo), mas ele não quis".

Ele e Tiago Camilo protagonizaram uma batalha acirrada por resultados até a contusão de Hugo Pessanha, titular do médio, no final de fevereiro. Favorito à vaga, Pessanha foi descartado pelo departamento médico, e o reserva Honorato tinha a chance de chegar ao Pan sem rival. Prevendo uma decisão arriscada, de deixar Camilo - medalhista de prata em Sydney (2000) - ou Canto - medalhista de bronze em Ateans (2004) fora, a coordenação técnica viu a chance de um acordo com Honorato, que vinha com maus resultados nas competições.

A decisão de escolher o melhor judoca brasileiro dos meios-médios, porém, só foi adiada. Para o Mundial de setembro no Brasil, mesmo que conseguir o ouro no Pan, Flávio Canto terá que passar por uma seletiva com Camilo nos meio-médios. Já nos médios, Honorato é o único da seleção classificado automaticamente para o Mundial. Nas outras categorias, no masculino e no feminino, ficou acertado que um ouro no Pan dá a vaga.

Depois da solução e da confirmação que estará nos Jogos do Rio, Canto elogia as regras da seleção feitas pela Confederação Brasileira. "Esta é a melhor forma de seletiva. O judô cresce como um todo. É a forma que as melhores seleções usam", afirma o atleta, se referindo à inovação que eliminou a tradicional única competição seletiva.

Para se classificarem ao Pan, a seleção brasileira contou com dois titulares que disputaram provas internacionais durante este ano. Segundo as regras da comissão técnica, quem da dupla conseguisse os melhores resultados ficaria com a vaga.

A conturbada decisão da categoria meio-médio, entretanto, não tirou o foco de Canto. "Estava vendo o Tiago lutar no médio, mas isso não me deu segurança alguma. Até pensava que era uma hipótese ele subir uma categoria", completa.

Já Leandro Guilheiro, confirmado na vaga dos leves (até 73 kg), revelou que ficou inseguro algumas horas por não saber o que fazer para se classificar. "Não sabia muito bem o que fazer para classificar. Era uma expectativa diferente do que enfrentar um adversário fixo em uma seletiva única", confessa o judoca que foi campeão da Copa do Mundo de Belo Horizonte, a última competição antes da divulgação dos titulares.

"Eu sabia que meus resultados eram melhores, mas queria ir bem na Copa do Mundo para confirmar. Até porque meu rival (Pedro Guedes) pela vaga é de lá (Belo Horizonte) e atuava em casa", conclui.