UOL Esporte - Pan 2007
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18/05/2007 - 09h00

CBB ignora protesto e força status de 'desertor' para Nenê

Giancarlo Giampietro e Bruno Doro
Em São Paulo e no Rio de Janeiro

Ao incluir o nome de Nenê na lista para o Pan, a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) deu continuidade a sua queda de braço com o pivô do Denver Nuggets. Desde que chegou à NBA, o jogador tem problemas com a seleção.

Reuters
Nenê, do Denver Nuggets, é marcado por Varejão, dos Cavaliers durante jogo da NBA
LULA CHAMA ASTROS DA NBA
ATLETAS DA NBA DEVEM IR AO PAN?
Em seguidas entrevistas neste ano, Nenê afirmou que não disputaria a competição e que não voltaria à seleção em protesto contra a atual administração. Ainda assim, o técnico Lula Ferreira convocou o atleta para o evento do Rio de Janeiro, assim como já havia feito para o Mundial do Japão do ano passado.

A explicação de Lula é simples: ele convoca e cabe ao jogador dizer não. "O Nenê só não se apresentou duas vezes. Uma vez porque pediu dispensa para se casar. Na outra, por causa do joelho. Ele está convocado e resta a ele que diga se vai se apresentar ou não", diz o treinador.

A maior prova de que Nenê está fora da seleção, porém, é a última participação do jogador em campeonatos pela equipe. Segundo a CBB, a última vez em que o pivô jogou com a camisa verde-amarela foi em 2003, no último Pré-Olímpico, após sua primeira temporada na NBA. Desde então, nunca mais se apresentou.

Segundo o presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Gerasime Bozikis, o Grego, a responsabilidade de defender a seleção é dos jogadores. "Estamos cumprindo o procedimento, que é avisar a NBA da convocação e esperar que os norte-americanos definam o valor do seguro. Assim que fizerem isso, os cinco atletas da NBA estão liberados e cabe aos jogadores aceitar ou não a seleção. Eu não tenho problema nenhum com o Nenê. Ele é um orgulho para o nosso basquete", afirma

A versão de Nenê, porém, é diferente: "É muito difícil eu voltar agora para a seleção. Do jeito que as coisas estão, só Deus sabe a hora que vou voltar. Ter que dizer isso é uma coisa que me deixa chateado. É difícil a minha participação nos Jogos Pan-Americanos e no Pré-Olímpico", havia dito Nenê.

A participação dos atletas da NBA no Pan ainda é incerta, mas a liga norte-americana já divulgou comunicado para suas franquias informando que um acordo com a Fiba (Federação Internacional de Basquete) pede a liberação dos atletas estrangeiros para seus países. Isto é, a participação, ou não, no Pan e no Pré-Olímpico pode depender apenas dos jogadores.

Leandrinho afirmou em entrevista ao site "Hoops Hype" que deseja jogar no Pan e em Las Vegas. "Eu amo basquete e sempre quero ter uma bola de basquete nas minhas mãos", afirmou. O atleta, porém, já tinha dito em entrevistas anteriores que o Phoenix podia tentar barrar o atleta e que ele tentaria usar a ausência no Pan para jogar em Las Vegas.

Anderson Varejão foi o primeiro a manifestar interesse em jogar o Pan. Mas o atleta será agente livre restrito ao final da participação do Cleveland Cavaliers nos playoffs e sua situação contratual pode ser um empecilho.

Assim como pode ser para o pivô Rafael "Baby" Araújo, cujo vínculo com o Utah Jazz se expira ao final do campeonato. O jogador não conseguiu se firmar na liga norte-americana em seus três primeiros anos. A seleção poderia ser uma oportunidade para ele mostrar serviço ou uma opção de risco de lesão.

O último brasileiro na elite do basquete mundial é o ala Marquinhos. Ele chegou à NBA no ano passado, não se firmou no New Orleans Hornets e pouco jogou. A equipe já demonstrou interesse em vê-lo jogando e, provavelmente, Marquinhos será o atleta com a liberação mais tranqüila para as duas competições.